Jornal dos Desportos

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Opinio

Os marcadores que (no) temos

02 de Maio, 2019
Na parte final do Campeonato Nacional de Futebol, vulto Girabola, decidí revisitar o baú dos textos escritos por mim neste jornal de especialidade, e eleger como tema para o dia de hoje, algo que já foi objecto de tratamento, claro, numa condição algo diferenciada e hoje, com os ajustes que se impõem.
O assunto tem que ver com a produção dos pontas de lanças das equipas angolanas, no que toca aos golos marcados, cuja safra é muito baixa comparativamente a outras paragens onde, de facto, os golos são as vitaminas dos jogos.
Numa altura que faltam apenas duas jornadas para o fim do campeonato, o pecúlio dos melhores mercadores é de 12 golos para Mabululu do 1º de Agosto e Chico do Bravo do Maquí, 11 para Tiago Azulão do Petro de Luanda, vindo a seguir um grupo de três jogadores com nove, dois com oitos, dois com sete, e por aí em diante.
Numa só palavra, a produção dos pontas de lança, contratados para marcar golos, é muito fraca.
Porém, esta fraqueza se alarga e se faz preocupante quando os referidos jogadores não entram nas contas do seleccionador nacional como primeiras opções, pelo que a convocatória de Mabululu e Chico são apenas entendidas na dimensão da coerência que se recomenda.
Será que as defesas estão a suplantar os ataques? Não creio. Até porque existe considerável distância pontual entre as equipas do topo e as que lutam pela manutenção, o que pressupõe que o que de melhor existe a nível do ataque no Girabola, deixa muito a desejar e está longe de superar os históricos de que há registo no futebol doméstico.
Deste histórico, recordam-se as goleadas memoráveis que representam marcas indeléveis para todos, sobretudo os adeptos das equipas protagonistas, estejam elas na condição de “vítimas” (os goleados) ou “transgressores” (os que goleiam), passe a negatividade dos termos achados entre aspas, que devem ser positivados.
Em concreto, falamos das goleadas mais marcantes que continuam a ser as duas que envolveram os maiores rivais do futebol angolano, no caso Petro de Luanda e 1º de Agosto, cifradas em 6-2 e 6-0, favoráveis aos homens do eixo viário, ocorridas na década de oitenta, sem que para tal seja considerada a goleada protagonizada pelo Atlético Sport Aviação, que “espetou” 7 ao único totalista do Girabola.
Igualmente não servem para este texto, as goleadas impostas pelo 1º de Agosto aos Andorinha do Kwanza Sul, (será mesmo esta equipa?), e à uma outra agremiação do Cunene que a memória não me ajuda a recordar, facto que prova a irreversibilidade da idade que, como se diz, não perdoa.
Também é dispensado o histórico resultado de 7X6, registado num jogo entre o Petro de Luanda e o 1º de Maio de Benguela, disputado no “velhinho” Estádio Municipal dos Coqueiros, diga-se de passagem, uma verdadeira propaganda ao nosso futebol, regalado com um festival de golos…Ai que saudades!
Com toda a razão, o respeitável leitor deverá estar a questionar-se o propósito deste recital de recordações, pelo que a resposta é simples:
Tudo a propósito de que a “fraqueza” dos pontas de lança se reflecte, negativamente, na equipa nacional, ao ponto de se equacionar a possibilidade de naturalizar o brasileiro do Petro de Luanda, que na minha opinião não prestará serviços relevantes ao futebol angolano, até porque, em termos de carreira, o limite já se advinha, dado a avançar da idade, por um lado.
Por outro, porque urge a necessidade e obrigatoriedade de se trabalhar mais neste particular dos marcadores que (não) temos, para voltarmos a ver marcadores da galáxia de Alves, Jesus, Vieira Dias, N’disso, Moisés I, Amaral Aleixo, Túbias, Flávio Amado, etc, que, felizmente ainda estão entre nós e podem ser aproveitados para um bem elaborado processo de “criação” de pontas de lança que cumpram, de facto, com amissão principal: Marcar muitos golos. Carlos Calongo

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