Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os meandros do nosso futebol

03 de Agosto, 2017
Quem manda na FAF? Esta, é a questão que coloco aos novos inquilinos, do órgão reitor do futebol nacional. Uma pergunta pertinente, diga-se, em função de tudo quanto se passa ultimamente com o nosso futebol. Já disse aqui, e volto hoje a repetir que na FAF, o futebol anda numa de inventar o futuro. Primeiro, foi a longa paragem do Girabola para a selecção se preparar para os jogos da Taça COSAFA, e para as eliminatórias ao CHAN.

Um defeso deveras prolongado, que acontece em Angola. Aliás, não existe no mundo um país cujo campeonato sofra tantos interregnos. Um problema que já vem do anterior consulado, e que se prolongado no actual. Falando concretamente da dispensa de jogadores pelos clubes, a FIFA tem um regulamento próprio. Regulamento que defende os clubes, porque são eles que pagam os salários aos jogadores, e não o órgão reitor do futebol.

Segundo o referido regulamento, a dispensa de jogadores para as mais distintas selecções, não ultrapassam sete dias. Será que a FAF não conhece o regulamento? Por outro lado, quando um país tem a selecção apurada para a disputa de um Campeonato do Mundo, normalmente, a preparação dura cerca de 15 dias.

No nosso caso concreto, a selecção estagiou cerca de duas semanas na África do Sul, para disputar um jogo e …com as Ilhas Maurícias. Se fosse com um “peso pesado”, do futebol continental (Camarões, Nigéria, Egipto, Senegal…), imagino que a paragem seria muito para além de duas semanas.

E, é por isso que pergunto, quem manda na FAF, porque ela está ou deveria está a par dos regulamentos, que gerem o futebol a nível internacional. Ninguém sabe tudo. Aprendemos todos os dias. Para dizer, que por serem novos no mandato do futebol nacional, deviam manter encontros com estruturas ou agentes mais capacitados, para se inteirarem dos meandros que regulam o futebol internacional. Agora, que o Girabola seguiu o seu curso normal com a disputa no fim de semana de todos os jogos da 21ª jornada, surgiu mais um percalço da parte da FAF: a disputa desentrosada de jogos em atraso.

O organismo, talvez para satisfazer os interesses do técnico dos Palancas Negras e do Petro de Luanda, isso mesmo, interesses de Beto Bianchi, a FAF marcou para ontem o jogo em atraso entre a equipa do eixo -viário e o Progresso da Lunda - Sul, referente à jornada 19.

O Petro não disputou os jogos das jornadas 17 (Libolo), 18 (Interclube), 19 (Progresso da LS) e 20 (ASA). Por uma questão de princípios, a FAF devia seguir a lógica dos números e não saltar. A sequência de jogos em atraso seria a via mais prática. Com esta atitude, não estará a FAF a beneficiar a equipa treinada pelo técnico dos Palancas Negras? Foi dele a iniciativa de jogar primeiro com a equipa da Lunda - Sul? Enfim, uma série de questões que os amantes do futebol pretendem saber do Conselho Técnico da FAF, que demonstra com esta atitude alguma falta de lisura.

Hoje em dia, fala-se muito da Verdade Desportiva, e na verdade, ela é fundamental para a concorrência leal, e para a justiça nas diferentes actividades desportivas. No entanto, quando o tema é abordado, grande parte das pessoas associam-no imediatamente à questões de erros de arbitragem, principalmente no futebol, e quase todo o tempo e quase todas as discussões giram à volta desses pormenores.

Mas há outros factores, e esses muito menos compreensíveis, que contribuem decisivamente para a Não Verdade Desportiva. E, esta mudança, por parte da FAF, da sequência de jogos em atraso do Petro de Luanda, pode vir a beliscar a Verdade Desportiva, que tanto se apregoa no Girabola.

A minha posição é clara: tolerância zero. Os resultados ou emparceiramentos combinados, são um fenómeno à escala global, que ameaçam a integridade das competições e colocam em causa os valores do nosso desporto. É um aviso, para o Conselho Técnico da FAF.

eria terminar este meu texto sem felicitar o 1º de Agosto, que na terça-feira dia 1 do corrente comemorou mais um ano de vida. Aos 40 anos, a equipa do rio seco revela uma invejável saúde desportiva geral, que reforça o excelente trabalho que está a realizar ao longo dos tempos, nas mais distintas modalidades.

Ao mesmo tempo, os atletas do “PRI” que lutam pela vitória em todas as frentes, as comemorações de mais um aniversário coincidem com os esforços permanentes dos dirigentes, de modo a que o clube esteja cada vez mais preparado para os desafios do presente e do futuro, capaz de viver com as próprias forças. Um caminho ambicioso que se concretiza passo a passo, com a necessária consistência.
Parabéns ao “PRI” por mais um ano de vida.
POLICARPO DA ROSA

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