Jornal dos Desportos

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Opinio
por Carlos Calongo

Os motivos que desmotivam

26 de Setembro, 2019
No andamento da jornada disputada no último fim-de- semana e que se alargou até as primeiros dias úteis da presente semana, prestei alguma atenção especial aos campos 4 de Janeiro, casa do Santa Rita de Cássia e o do Ferroviária do Huambo, usado pela equipa com o mesmo nome, sobretudo no aspecto da beleza que deve ser, também, um elemento motivador para a ida de alguém ao campo. Da constatação, e nada que seja isolada ou como a descoberta da pólvora, por este motivo apenas, muitos cidadãos que já desenvolveram hábitos de beleza acima da média, recusam, de pronto, qualquer desejo de ir assistir um jogo de futebol nos citados campos. A coisa não é propriedade exclusiva dos estádios referidos, pois superabundam por esta Angola dentro, exemplos similares, mas foram aqueles que chamaram a minha atenção, sendo a razão desta reflexão, neste espaço que, por razões óbvias, é designado por “Deporto no Texto”. Falta um pouco de tudo em termos de atractivos, e quase que tudo já se sabe, mas decidi insistir no “barulho” a ver se alguém com o mínimo senso de beleza e estética, para não ser muito rústico na proposta que apresento, possa então tomar alguma medida para melhorar o visual, pelo menos isso, dos referidos campos. Em boa verdade, os citados campos de futebol, (me rejeito tratá-los por Estádio), não acrescentam absolutamente nada ao que se convencionou chamar desporto das emoções, sendo que isso representa beleza ou engalanamento em tudo que seja possível, factor que serve de motivador para a ida aos campos de futebol, como atrás já o disse. Passe o exagero, confesso ter sentido alguma irritação nas vistas, ao trocar o canal em que assistia um jogo da primeira liga inglesa, pelo campo 4 de Janeiro, que apesar de ser nacional, nosso, não tem como ser o melhor e apreciado, pois é grande o número de coisas negativas que concorrem para a minha conclusão. A guisa de exemplo, gostaria que alguém ligado à administração do referido recinto, utilizado pelos católicos da cidade do Uije, se dignasse explicar a razão objectiva para que à escassos metros de uma das balizas tenha um amontoado de areia para construção, que em termos de estética televisiva provoca ruído na imagem. Alguém já se terá colocado a pensar que, num eventual tumulto, determinada pessoa decida pegar da referida areia e lançar para as vistas de outrem? Sabe-se que estragos daí podem advir para a saúde dos afectados? Apenas para dizer que, em termos de segurança, o amontoado de areia é um elemento potenciador de fraquezas, que se recomenda anular na realização de eventos.
Estarão alguns leitores, com razão, a procurar saber o meu estado senil, ao pedir igualdade de circunstâncias entre os campos da Inglaterra e de Angola. À eles peço para ficarem a vontade, por não ser esta a intenção fulcral do texto, quando todos sabemos não ser possível, o que é diferente de dizer, que não se pode dar uma melhor “cara” aos estádios citados, ainda que sejam pintura das balizas, alinhamento, etc. É como dizer, o facto de não termos roupa dos mais alto padrão das marcas que comandam os palcos da moda, não podemos nos apresentar de forma bem limpa, bem passada a ferro, o que nos coloca numa condição de “pobres com dignidade e gosto”, e que com mais dinheiro podemos fazer melhor. Atenção, que ao falar de dinheiro, não estou a dizer que são necessários milhões de dólares para se dar uma nova capa ao Estádio 4 de Janeiro, que a dada altura se confunde com uma trincheira abandonada em tempo de conflito armado, isso para quem olha para trás de uma das balizas. Desta tribuna lanço, e apenas isso, um apelo para que se respeite um pouco os clientes, que na relação comercial é o tal ente que tem sempre razão e merece ser bem tratado, sob pena de ser perdido e ele tornar-se um elemento galvanizador, para que outros tenham motivos para não ir aos campos de futebol.
Com um pouco de mais ousadia, mais apetência pelo marketing, alguma coisa mais pode ser feita em relação aos vários campos em que se disputa o Girabola Zap. Daqui mais um apelo, este para o órgão da Federação Angolana de Futebol encarregue do parecer favorável, para que seja mais profundo na vistoria, e dê o resultado que cada recinto merece. Já agora, a questão que fica é esta: Se a nível do Girabola a coisa é como é, a nível dos chamados escalões de formação, como andarão as coisas? Muito sinceramente acho que devo pensar na possibilidade de realizar um trabalho profundo sobre a matéria, para ver às quantas andamos. Até lá.

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