Jornal dos Desportos

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Opinio

Os nossos embaixadores e a lotaria da Champions

12 de Outubro, 2019
Há quase 40 anos a participar nas provas da Confederação Africana de Futebol (CAF), nesta época, pela primeira vez na história, o desporto-rei no país testemunha a presença simultânea de duas equipas angolanas na fase de grupos da maior prova de clubes continental. E quis, o acaso de destino, que curiosamente fossem o 1º de Agosto e Petro de Luanda, por sinal os dois maiores emblemas do futebol nacional, a lograr esse feito.
Como nota relevante, ainda, salta à vista o facto dos militares alcançarem, pela terceira vez no seu historial, a presença nos grupos das Liga dos Campeões Africanos, depois da estreia em 1997, ao passo que o Petro, a segunda, depois de competir, pela primeira vez, em 2001, ano em que chegou até às meias-finais, etapa em que foi eliminado pelo Mamelodi Sundows da África do Sul, nos penáltis, por 3-5.
Porém, transcorrendo ainda naquilo que poderá ser a “nova aventura” destes dois “embaixadores angolanos” nas Afrotaças, vale sublinhar que no sorteio realizado quarta-feira no Cairo, Egipto, onde está sedeada a CAF, não terá sido tão simpático assim, passo o termo, quer para o 1º de Agosto, quer para o Petro. Isso é bem evidente.
Mas, chegados a esta fase, as equipas não têm por onde escolher, dadas as contingências de um sorteio, então o que mais têm que fazer é conformar-se com os adversários que cruzam o seu caminho e, acima de tudo, encetarem uma preparação cuidada.
Isso é o que se recomenda quer para a equipa do “Rio Seco”, quer para a do “Catetão”, que, diga-se de passagem, são bastante experimentadas nessas andanças do futebol africano. Como se frisou atrás, o D\'Agosto e o Petro, que coleccionam juntos 28 títulos do Girabola Zap, a maior prova do futebol nacional, com os quase 40 anos de andança nas Afrotaças, têm a obrigação de honrar o nome e Bandeira de Angola nesta prova.
Por isso mesmo, os militares, nas vestes de tetra-campeões angolanos e com os treze títulos ostentados no Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, tal como os petrolíferos com 15 troféus e a atravessarem internamente um “jejum” de mais dez anos, vão com certeza, tentar tirar o maior proveito possível dessa nova presença na prova. Ademais, só o facto de cada uma delas encaixar mais de 500 mil dólares pela passagem aos grupos da “Champions”, é outro motivo que estimula o seu ego e ambição na prova.
O 1º de Agosto, que está entrincheirado no Grupo A, viu cair-lhe da rifa adversários como o Tout Puissant Mazembe da República Democrática do Congo (RDC) e Zesco United da Zâmbia, adversários com quem já jogou em outras edições das Afrotaças.
A terceira equipa que os agostinos vão defrontar, nesta fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões, vai sair do confronto da segunda “mão” dos dezasseis-avos-de-final a 24 deste mês no Cairo, Egipto, entre o Zamalek local e Generation Foot do Senegal.
O jogo, inicialmente previsto para 28 de Setembro, não chegou a se realizar pelo facto de aquando da chegada da equipa senegalesa a capital egípcia, os anfitriões optaram por transferir a disputa do mesmo para o dia seguinte e consequentemente para a cidade de Alexandria, sem qualquer acordo com a turma visitante, cujos dirigentes manifestaram indignação pelo facto. Foi por essa razão que a CAF remarcou o jogo para o próximo dia 24, cabendo a esse órgão os encargos da nova deslocação do Generation Foot.
Já o Petro de Luanda, vai desfilar no Grupo C com o Mamelodi Sundowns da África do Sul, o União Sportive Medina da Argélia (USMA) e o Wydad Atlético Clube de Casablanca do Marrocos, actual vice-campeão africano e que é treinado pelo sérvio Zoran Maki, que orientou o 1º de Agosto na brilhante campanha de 2018.
Como se pode notar aqui, a par dos militares do “Rio Seco”, a formação do “Eixo-Viário” enfrenta, nesta “nova aventura” dos grupos da “Champions”, adversários de peso, o que o obriga a uma preparação cuidada, para não experimentar dissabores.
Embora se reconheça o grau de dificuldade que quer o Petro, quer D’Agosto, venham a enfrentar nesta edição da Liga dos Campeões, ainda assim é ponto assente que com humildade, respeito pelos adversários e, acima de tudo, grande atitude e determinação, ambos podem surpreender os seus oponentes. Ademais o rei futebol já provou por A+B, que, em muitos casos, equipas tidas como menos cotadas, por vezes, criam dissabores as rotuladas como mais capazes.
Depois do brilharete assinalado em 2018, é ponte assente que o 1º de Agosto almeje, mais uma vez, atingir altos níveis nesta maior prova da CAF, apesar de ter perdido há três semanas em Luanda, por 1-0, com o Green Eagles, um adversário a quem tinha vencido dias antes na capital zambiana, por 2-1.
Além do Green Eagles da Zâmbia, a equipa militar, que afastara na primeira eliminatória da corrida aos grupos da Liga dos Campeões, o Kikoso Maalum Cha Kuzuia Magendo FC da Tanzânia, com um agregado de 4-0 no cômputo das duas “mãos”, vai tentar evidenciar uma postura diferente da sua campanha anterior.
Os tricolores do “Eixo-Viário”, por seu turno, que regressam à elite dos grupos da Liga dos Campeões 18 anos depois, espreitam fazer história, tal como fez na sua primeira participação nesta maior prova de clubes da CAF. À semelhança do rival do “Rio Seco”, afastaram na preliminar da corrida aos grupos o Matlama FC do Lesotho, com um agregado de 4-0, no cômputo das duas “mãos”, e na derradeira eliminatória beneficiaram-se do empate a um tento no Uganda frente ao Kampala City, depois do nulo verificado no jogo de Luanda. Agora o foco do conjunto está na fase de grupos. Sérgio V.Dias

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