Jornal dos Desportos

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Opinio

Os nossos embaixadores e o assalto s Afrotaas

02 de Dezembro, 2017
A cumprirem ainda as merecidas férias, face ao fim da época futebolística de 2017 e interregno que se verifica nas várias provas da modalidade, penso ser oportuno começar a delinear-se aquilo que vai ser a campanha das equipas angolanas nas Afrotaças.
1º de Agosto, nas vestes de campeão do Girabola Zap, a maior prova do nosso “association”, e Petro de Luanda, nas de vencedor da Taça de Angola, são os dois embaixadores angolanos nas provas da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Quer os militares do “rio seco”, quer os tricolores do “eixo viário”, têm responsabilidades acrescidas na Liga dos Campeões Africanos e na Taça da Confederação, também apelida de Nelson Mandela, em que representarão o país.
A equipa do 1º de Agosto, que perdeu no final da época o concurso do técnico bósnio Dragan Jovic, está a procura do substituto deste, ao passo que o Petro conta, agora, a tempo integral no comando da equipa, com o hispano-brasileiro Beto Bianchi.
Nos bastidores o nome do também bósnio Zoran Maki surge como o mais provável para substituir Dragan Jovic, numa lista em que aparecem também apontados outros treinadores como o jugoslavo Zoran Filopovivic, bem assim como os portugueses Jaime Pacheco, Jorge Costa, António Caldas, Álvaro Magalhães e Bernardino Pedroto.
Se por um lado na turma agostina ainda paira a indefinição em relação ao técnico, que segundo o seu presidente, general Carlos Hendrick, há-de ser colmatada neste mês de Dezembro, no da tricolor, a orquestra, em termos técnicos, será reassumida, na plenitude, por Beto Bianchi, que preteriu a Selecção Nacional de honras.
Depois de conduzir esta à presença no CHAN de 2018, no Marrocos, o treinador tricolor deixa os Palancas Negras órfãos nesta empreitada reservada apenas a jogadores que evoluem nos campeonatos dos respectivos países de origem.
Incompatibilidades com a direcção do clube do “eixo-viário” estiveram na base da rescisão do contrato com o hispano-brasileiro, abrindo, assim um precedente para o combinado nacional que até agora não tem definido um técnico para orientar o conjunto na prova a disputar-se de 13 de Janeiro a Fevereiro na Nação do Magreb. É uma situação preocupante.
Noves fora essa questão do comando técnico dos dois maiores emblemas do futebol angolano paira agora no ar a preocupação em relação aos reforços de ambos para atacar as Afrotaças de 2018.
No D’agosto, pela voz do seu presidente de direcção, já foi manifestada a preocupação relativamente aos sectores defensivo e do ataque, respectivamente, em que se pretende dar uma atenção especial.
Já no Petro, apesar de não se falar ainda nada no concernente a “caras novas” dos diferentes sectores da equipa, também deve haver a preocupação da direcção do clube à volta dos possíveis reforços para as Afrotaças.
Quer a direcção do emblema do “rio seco”, quer a do clube do “eixo-viário” deveriam já, nesse momento, começar a encetar o expediente administrativo para as eventuais contratações a fazer para a Liga dos Campeões Africanos e Taça da Confederação. Ambos clubes têm resposbilidades acrescidas nesse sentido e daí torna-se oportuno redefinirem já as estratégias com vista a encontrarem soluções, em termos de opções tácticas, para os vários sectores dos seus plantéis.
É uma cartada que há-de permitir a um e a outro buscar argumentos para fazer boa figura nestas duas provas da responsabilidade da Confederação Africana de Futebol.
E fazer boa figura, como tal, é sinónimo de que quer o 1º de Agosto, quer o Petro de Luanda, apresentarem-se no seu mais alto nível e acima de tudo realizarem uma campanha irrepreensível nas provas da CAF.
Aliás, quer o emblema militar, quer o tricolor, estão habituados nestas andanças. D’agosto e Petro são, por assim dizer, os dois conjuntos nacionais que em mais ocasiões representaram Angola nas provas sob a êxide da CAF.
Agora há um factor recorrente ao longo dos anos que tem extorvado a campanha dos nossos representantes nas Afrotaças: o facto de as equipas angolanas iniciarem as competições continentais sem qualquer ritmo competitivo.
Tal situação ocorre pelo facto de o calendário do Girabola Zap, a maior prova do futebol nacional, não estar ajustado ao dos demais campeonatos africanos.
E este tem sido um grande handicap para as equipas angolanos que competem nas Afrotaças, que em consequência disso tombam, muitas vezes, logo na primeira esquina.
Porém, não é isso que se espera do 1º de Agosto e do Petro. Pelo contrário, espera-se que ambos consigam transpor todas essas adversidades que tem estado a extorvar, vezes sem conta, a campanha dos embaixadores angolanos nas Afrotaças.
Independentemente dessas várias nuances que se perspectiva em relação aos dois representantes angolanos nas provas da CAF, espera-se, também, que todos amantes dos desporto-rei no país apoiem incondicionalmente ambos conjuntos.
Os angolanos deverão despir-se, nessa empreitada, de qualquer sentimento clubístico. E se assim for, estaremos todos a ajudar a construir uma campanha, que se espera irrepreensível desses dois conjuntos nas Afrotaças. Por ora sejamos todos do D’agosto e Petro e bem haja para os nossos embaixadores na elite do futebol africano!!!...
SÉRGIO V. DIAS

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