Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os oito magnficos

05 de Julho, 2018
Superados os limites da fase inicial e dos oitavos-de-final, já se contam aos dedos das duas mãos as equipas ainda em competição. Oito apenas, das 16 que deram início à prova, no dia 14 de Junho, ostentam a honra de terem chegado aos quartos-de-final e em perfeitas condições de discutir o troféu.
Aliás, se nas fases anteriores ainda se podiam colocar algumas reticências quanto às selecções com estofo e verdadeiro timbre de candidatas à conquista do título, esta questão já não se coloca a partir daqui. Toda e qualquer equipa que consegue atingir os quartos-de-final é, à partida, uma potencial candidata.
Portanto, as oito selecções apuradas aos quartos-de-final veêm elevada a sua responsabilidade. Afinal os seus países, o seu público, se alguma vez colocaram dúvidas à possibilidade de a sua selecção ir mais além, trataram de dissipá-las a partir de então. Desenha-se, assim, uma renhida batalha pela frente.
Os jogos marcados para amanhã e para sábado próximo são todos de prognóstico reservado, porque à despeito do que foi a produtividade das equipas até chegarem a esta etapa, desaconselha a atribuição de favoritismo a B ou a C, embora em termos de modelo de jogo as diferenças sejam evidentes.
De resto, é o sprint final, em que se recomenda garra e estoicismo aos concorrentes. Nesta fase, a qualidade do jogo também tem a tendência de crescer e a determinação das equipas idem. Presume-se que os jogos venham ser disputados ao limite, não se descurando a possibilidade destes superarem o marco temporal dos 90 minutos regulamentares, para serem decididos em período adicional ou aos penáltis.
Por exemplo, França-Uruguai não deixa de ser uma espécie de final antecipada, podendo dizer-se o mesmo quanto ao Brasil-Bélgica, prometendo muita luta e combatividade das equipas em busca de resultados que ajudem à qualificação para as meias-finais. Enfim, o que se recomenda é correr para frente. O passado já não entra nas contas.
Selecções que ficaram na primeira fase e nos oitavos-de-final não podem preencher as conversas por enquanto. Delas falar-se-á no período pós-competição, quando organizadores e imprensa se acharem na contingência de balancear as incidências da mesma, trazendo ao de cima os seus baixos e altos.
Por enquanto apenas oito selecções devem dominar as atenções. Chamemos-lhe oito magníficos. Como se preparam para o "assalto" ao último reduto, a sua condição clínica, as suas ambições. E ao que tudo indica todas esperam levantar a taça no próximo dia 15, o que não deixa de ser uma pretensão legítima para quem investiu e apostou.
Por ironia do destino na fase que se segue estão quatro selecções campeãs (Brasil, Uruguai, França e Inglaterra), que quatro outras(Rússia, Suécia, Croácia e Bélgica), que esperam molhar a sopa. Ou seja, erguer o troféu pela primeira vez. Vai-se lá saber depois de que lado irá pender o fiel da balança.
A luta prevê-se renhida, dado o desejo das equipas, que radica em quebrar enguiços, como seja voltar a erguer o troféu depois de X edições como é o caso dos detentores do título de campeões, e lograr o inédito no caso das selecções aspirantes. Aqui coloca-se ainda a condição específica da Rússia, que não arcou com a organização por mero exibicionismo.
Assim, o intervalo que ontem e hoje se observa no campeonato, é de retemperar as energias e buscar fôlego suficiente para os decisivos jogos dos quartos-de-final, sendo que só depois deste bloqueio as equipas se podem dar ao direito de encomendar as fachas de campeão com maior dose esperança e optimismo. Matias Adriano

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