Jornal dos Desportos

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Opinio

Os Palancas e a pacincia

21 de Julho, 2017
Porque nos custa tanto assimilar a paciência como um valor, quando o tema é futebol, ou Palancas Negras? Melhor dito, os resultados?
Os bons resultados, estão fartos de o dizer os gestores, exigem tempo, paciência, compromisso, e amor. Ou dedicação. No arquivo do nosso futebol há experiências que nunca devíamos ignorar.

Por exemplo, tivemos de esperar por 21 anos para jogarmos uma fase final da maior prova africana, CAN. A estreia dos Palancas Negras na África do Sul requereu trabalho aturado, jogadores de qualidade, o alargamento dos moldes de disputa, assim como aumento de equipas.

Foi-se o ciclo comandado por Paulão, Joni, Túbia e outros. Nasceu outro com Akwá como principal cartaz, já o era nos anos 94-95, mas nunca tinha jogado o CAN, completo diga-se. E foi por isso o cartaz da geração de Figueiredo, Flávio Amado, Mantorras, Gilberto e outros. Nada mais natural do que ter terminado também essa época. Seguiram-se várias tentativas falhadas de começar um processo estruturante de construção de uma equipa à altura de substituir aquela geração que nos levou ao Mundial de 2006.

Porém, além de não reunirmos jogadores da mesma qualidade ou superior, temos feitos planos de reconstrução, pensando mais com o coração do que com cabeça. Não nos surpreende, por isso, que uma derrota seja para os adeptos um dilúvio, e uma vitória o céu.
Gostamos dos extremos. Mas a vida, o ciclo, o arranque, a reconstrução, qualquer que seja o significado que se queira dar a isso, exige além de um trabalho estruturante, jogadores de qualidade, a paciência.

É isso que muito nos custa. Assusta-me a vontade que nos impele para vermos a nossa equipa a ganhar todos seus adversários, sem nos importarmos com o como nem com quem. Ganhar e ganhar é o hino que mais entoamos quando se trata dos Palancas Negras.

O que mais me preocupa é trabalhar de maneira atabalhoada. Falta de uma comunicação frontal dos responsáveis da Federação Angolana de Futebol(FAF), sobre os seus objectivos, que bem podia atenuar a pressão sobre o treinador e os jogadores. Temos todo o tempo do mundo para cultivarmos a paciência, importar da China, se for necessário. Ê disso que precisamos no domingo, diante das Ilhas Maurícias, como noutros tempos.

Há uma nova janela que se abre, com a geração de Gelson. Precisa de tempo, e dinheiro para atingir os níveis que se espera que venha a ter. Esses jogadores transmitiram um primeiro sinal frente ao Burkina Faso, pelo que temos de lhes conceder benefício de dúvida, acreditar mesmo de que podem fazer igual a outros craques. Têm a sorte(ou o azar) do País estar a viver momentos apertados, financeiramente, o que lhes impede de fazer jogos amistosos com grandes selecções, sempre necessários para voos maiores.

Ninguém duvida da qualidade de Gelson, Ary Papel, Herrnilson, Vetokele e outros. Só precisam de amadurecer, outra vez com tempo em jogo. Tempo e paciência são vizinhos de porta, quem tem um, tem outro. Não há descobertas a fazer sobre isso. Os senhores da FAF têm de explicar isso exaustivamente, de preferência em vésperas de jogos dos Palancas Negras. Em conferência de imprensa ou em entrevistas provocadas.

Não deixem o treinador e os jogadores carregarem sozinhos essa cruz. Aos adeptos basta uma introspecção, e saber que ninguém chega ao topo se não começar do chão.

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