Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os problemas do "4 de Abril"

17 de Outubro, 2015
Pese o facto de a época de 2015 ainda não ter sido homologada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), é de bom grado saber-se que três formações sediadas no interior do país, designadamente, o Desportivo 4 de Abril do Cuando-Cubango, que marca a sua estreia, o Porcelana FC do Cuanza -Norte e o 1º de Maio de Benguela, estas que assinalam o seu regresso à fina flôr do futebol nacional, vão engrossar o lote de equipas, que em 2016 vão disputar o Girabola, materializando desta forma, o sentimento de que o futebol personifica a unidade nacional, não obstante outras três equipas do interior, terem sido relegadas ao escalão secundário. Trata-se, como é do conhecimento geral, do Sporting de Cabinda, Domant do Bengo e do FC Bravos do Maquis do Moxico.

Os amantes do desporto rei em particular, assim como os desportistas em geral, aguardam com alguma expectativa, qual vai ser a prestação do 4 de Abril do Cuando-Cubango, que apesar da sua estreia, assinala o regresso de uma equipa daquela província à principal competição futebolística nacional, 15 anos depois de ter sido representada pelo Grupo Desportivo Chicoil. O facto de mais três equipas do interior do país, engrossarem o lote das que na próxima época se vão bater no Girabola, desmistifica a ideia de até recentemente, existirem pessoas que partilhavam a opinião, segundo a qual, a reduzida quantidade de equipas das províncias na competição em referência, se deve, por um lado, a dificuldades financeiras e a falta de infra-estruturas e, por outro, a ausência de políticas de formação de quadros técnicos e dirigentes desportivos, no caso, vocacionados para a modalidade rainha.

O facto de essas formações participarem no próximo Girabola, não significa que os problemas atrás mencionados estejam resolvidos. A história regista que tem constituído prática, algumas equipas do interior, como o Recreativo Libolo, o FC Bravos do Maquis (desprovido), a Académica do Lobito e o Sagrada Esperança, “baterem o pé” as formações de Luanda, em plena capital, onde têm alcançado resultados positivos.

No que diz respeito as infra-estruturas, não obstante alguns investimentos que têm sido feitos pelos governos central e provinciais, para além não serem convenientemente aproveitadas, não só pelos seniores, como pelos escalões de formação, não possuem condições para albergar jogos de alta competição e nem obedecem aos requisitos exigidos pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA).

No que concerne a província do Cuando-Cubango, são alarmantes as informações que circulam nos meios futebolísticos que dão conta que a equipa técnica coordenada pelo decano dos treinadores nacionais, João Machado, e os atletas do Desportivo 4 de Abril, reclamam por alguns salários, prémios de jogo e pelo prémio correspondente à subida de divisão, referentes a época que se apresta a terminar. Esse é um facto que começa a preocupar alguns analistas, tendo em conta que as responsabilidades e grandiosidade de uma competição como o Girabola é de longe superior a “Segundona” ou ao “provincial”. Cabe ao governador provincial, Higino Carneiro, e seus pares, que se bateram de forma intensa para colocarem uma equipa do Cuando-Cubango no Girabola, criarem as condições ideais, para que no plano desportivo e organizativo, as coisas decorram sem constrangimentos.

Para além da vertente desportiva, a presença de uma formação na alta-roda do futebol nacional, vai colocar outros desafios não só aos governantes do Cuando-Cubango, como a toda a população. Para além do governo provincial, que tem à cabeça Higino Carneiro, um dos principais responsáveis pelo estágio que o Recreativo do Libolo alcançou, enquanto governador do Cuanza-Sul, que deverá apoiar mais o desporto, no caso o futebol, a sociedade deverá bater-se pela melhoria da prestação de serviços aos cidadãos locais e aos visitantes que ali se deslocarem para desfrutarem dos seus inúmeros recursos turísticos e naturais.

Não obstante a província começar a despontar no que diz respeito desenvolvimento económico, turístico, agrícola e industrial, os empresários locais devem desenvolver de forma mais incisiva, o papel que lhe está atribuído, que passa, entre outros, desenvolver esforços no sentido de oferecer melhor qualidade dos serviços hoteleiros e similares aos visitantes que ali se deslocarem para assistirem futebol de “primeira água” e não só.
LEONEL LIBÓRIO

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