Jornal dos Desportos

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Opinio

Os \"putos\" de Sub-17 tm futuro garantido

23 de Maio, 2017
Seja qual for a classificação que os \"nossos putos\" venham a obter no Campeonato Africano de Futebol, em Sub-17, que decorre no Gabão, de uma coisa podemos ter certeza: Angola, de um modo geral, ganhou com a presença na referida competição, onde não participava durante largos anos.

Fica no ar a ideia de se estar a desenhar um futuro risonho para os Palancas Negras, pois, destes rapazes pode sair a estrutura óssea que dará suporte à expressão maior do futebol angolano que, faz tempo, vive momentos não muito coloridos em resultados e exibição que devem andar de mãos dadas.

Pode-se dizer que o acima prognosticado seja teoria, o que concordamos, da mesma forma que gostaríamos que os prezados leitores se entregassem ao exercício de terem fé e esperança em melhores dias, e com eles o regresso da alegria como as que nos foram dadas a saborear ao tempo de Carlos Alhinho, Oliveira Gonçalves, enquanto principais artífices do que de melhor Angola já conquistou em termos globais.

No outro extremo deste movimento de reconfiguração do futebol jovem está a selecção de Sub-20 que vive, igualmente, um processo de reconfiguração, no qual acreditamos, enquanto angolanos que espargem o aroma do patriotismo que a todos dev(ia) e fazer bem e servir como marca inalienável.

Saudamos, portanto, os processos referidos, com algumas reticências, sobre as quais nos referimos nos momentos seguintes, solicitando a compreensão de quem pensa em direcção contrária, o que é aceitável, no quadro do exercício das liberdades enquanto valores fundamentais da convivência em sociedade.

As reticências, têm que ver com o modelo de jogo a serem implantados em cada uma das selecções citadas que, pelo princípio natural da origem dos treinadores, Simão Coxe (Angolano) e (Alemão), podem ser antagónicos.

Claro que, hoje por hoje, a evolução tecnológica pode fazer da preocupação levantada no parágrafo anterior, um \"não problema\", e por esta via não haver razões para alarmes.

Porém, insistimos na questão, por entendermos que as características natas dos jogadores, sejam eles de que origem forem, influenciam no processo de construção e consolidação do modelo de jogo, neste caso, na expressão máxima que são as selecções principais.
Em concreto, esta é a manifestação de uma preocupação justa, - no nosso entendimento - na perspectiva de se padronizar o futebol angolano, pelo menos a nível das selecções e nada melhor que começar o processo nos chamados escalões de formação ou se preferirem, selecções jovens, que são o garante das principais.

Tanto mais porque a selecção principal é treinada por Beto Bianchi, brasileiro/espanhol, que em tese do que se apresenta, constitui a abertura de uma outra discussão que, se calhar, não encontra neste espaço de papel, a resposta acabada para o que se aborda, a bem comum.

Somos forçados à estas leituras, em parte, por ausência de uma definição ou seja, informação oficial das instâncias directivas do futebol sobre o modelo com o qual se pretende reposicionar Angola nas mais diversas montras do desporto que também é chamado de futebol rei.

Por fim, e porque o esqueleto das selecções de formação advém do 1º de Agosto treinado por Arnaldo Chaves e Hélder Vicente, angolanos, não deve constituir nenhum tabu, uma abordagem em relação ao modelo de futebol para os Palancas Negras, aliás, ninguém deve morrer por isso, pelo que, pensemos no assunto.
CARLOS CALONGO

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