Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Os santos da casa sempre fizeram milagres

14 de Janeiro, 2019
Os treinadores angolanos de basquetebol e de andebol estão fartamente a dar provas de que são bons. E precisam apenas de que se lhes confie. Em África, conquistaram tudo e pelo mundo só não fazem mais pelas razões que lhes escapam. Os outros fazem mais investimentos, os atletas enfrentam menos constrangimentos no âmbito social, pessoal como no desportivo ou colectivo. Têm portanto melhores condições, logo é uma vantagem que se reflecte em campo. Há escolas especializadas para treinadores, há formação específica para aperfeiçoar ou superar esta ou aquele detalhe manifestado neste ou naquele torneio. Estudam ao detalhe o desenvolvimento deste ou daquele adversário, esquemas tácticos, assim como todo um conjunto desvantagens. E por fim, os atletas carregam nas pernas muitos jogos de grande intensidade, por isso, acabam por serem superiores. É nisso onde reside a diferença entre os nossos melhores treinadores e outros. Filipe Cruz, Vivaldo Eduardo, Jojó e outros que integram essa geração de treinadores, são estudiosos, e se houvesse uma política de bolsas de estudo para frequentarem semestres de formação nos melhores países, seguramente já teríamos conquistados medalhas em torneios mundiais. Não havendo escolas por cá, devia haver da parte do Estado esta visão. Esses formados seriam os futuros professores da Academia Técnica de Treinadores. Quem fala desses, podíamos citar os do basquetebol, como Walter Costa e toda a sua geração e mandá-los para os Estados Unidos, Sérvia ou Lituânia por exemplo. A hegemonia que essas modalidades ostentam, devia ser encarada como um assunto de Estado, transcender o âmbito das federações. É isso que nos faz grandes, potência regional ou de qualquer outra dimensão. Somos potência, porque somos os melhores neste sector ou naquele. Ou não será isso que faz muitos países recorrer ao doping, para conquistar medalhas em competições como Jogos Olímpicos. A guerra dos doping tem como pano de fundo a luta pela supremacia. Não precisamos desses meios para manter a hegemonia, basta a formação de treinadores e maior investimento nas condições dos clubes, dos atletas, que os resultados virão.
TEIXEIRA CÂNDIDO

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