Jornal dos Desportos

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Opinio

Ousadia leonina e adeus a Nicola

28 de Julho, 2018
O Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão está na recta final. Nesta época, ao contrário das anteriores, o agora apelidado Girabola Zap termina mais cedo, por força do reajuste do calendário da prova com vista à uniformizar com o dos demais campeonatos africanos. Nesse sentido, ao invés de Outubro ou Novembro, como acontecia, este ano a maior prova do desporto-rei tem o término previsto para Agosto.
E, tal e qual como é apanágio da competição, testemunha-se nessa altura uma disputa acesa, tanto no topo da tabela em que as equipas do 1º de Agosto, Interclube e Petro de Luanda são as grandes protagonistas, como na cauda, em que no final duas vão obrigatoriamente dizer adeus à I Divisão. Nesse último quesito, fala-se em duas equipas, pelo facto de no início da época, o JGM do Huambo ter desistido da prova, e assim, faz que no final desçam de divisão mais dois conjuntos.
Se por um lado, os polícias depois de vencerem na terça-feira o Sporting de Cabinda, no Estádio 22 de Junho, relançaram a disputa no topo, já que passam a somar 42 pontos, na segunda posição, menos um, que o líder d\'Agosto e à frente do Petro, que mantém-se com 41 pontos e está na terceira posição. Nesta altura, só faltam cinco jornadas para o fim.
Nota de realce, é o facto, de apesar da derrota, os \"leões de Cabinda\" tiveram atitude heróica, não obstante a \"crise\" por que passa a plebe da cidade mais ao Norte do país, cuja direcção não paga salários aos atletas e à equipa técnica, há mais de seis meses. O conjunto leonino está a ter uma prestação irrepreensível, no Girabola-2018. Aliás, não é em vão, que os cabindenses são até aqui, a revelação da época.
É extremamente difícil, a situação por que passam os atletas e membros da equipa do Sporting de Cabinda, numa altura em que faz não muito tempo, que toda a extensão da província observou uma greve geral, em solidariedade aos funcionários públicos, cujos nomes foram desactivados das folhas de salário. E, oxalá, que as estruturas de direito e o Governo local trabalhem no sentido de inveter o quadro.
E, mais: se por um lado, qualquer funcionário público ao chegar o 20º dia, após receber o salário, começa a fazer contas à vida, quanto mais os jogadores e membros da equipa técnica do Sporting, que há mais de seis meses não vêem um tostão pintado. É penosa a situação. E, isto, porque qualquer um desses integrantes do conjunto leonino têm responsabilidades no lar, e em outras esfera da vida.
Noves fora à postura ousada, da turma leonina de Cabinda, salta ainda à vista, a luta férrea na cauda da tabela, em que após a desistência do JGM do Huambo, o Domant FC de Bula Atumba, do Bengo, Clube Recreativo da Caála e o 1º de Maio, surgem como as equipas mais acossadas no espectro da despromoção.
As equipas encetam, assim, uma luta desenfriada para sairem da zona movediça da tabela de classificação geral, procuram conquistar pontos atrás de pontos nesta ponta final do campeonato, como se do pão para a boca se tratasse.
E, quem obviamente melhor, por merecê-lo nesta etapa, vai com certeza livrar-se da linha de água, relançar o objectivo de manter-se no convívio dos grandes do futebol nacional. Para isso, atitude é o que se recomenda.
Por outro lado, as suspeitas que se levantam em relação à postura das equipas de arbitragem, com as críticas que surgem à mistura deste e daquele dirigente, não deixam, também, de merecer destaque nesta ponta final do campeonato.
Foi no meio deste cenário, que vimos Amaral Aleixo, vice-presidente do Petro de Luanda, criticar através da \"Rádio Cinco\", a actuação do Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (FAF), liderado por Jorge Mário Fernandes.
O responsável tricolor apontou mesmo o \"dedo indicador\", ao organismo que superintende a arbitragem a nível da Federação. O líder do referido conselho reagiu, com alegações de que este agiu com falta de seriedade e coerência.
Jorge Mário Fernandes disse, peremptoriamente, no mesmo canal desportivo da Emissora da Rádio Nacional de Angola (RNA), que Amaral Aleixo não é \"uma pessoa mais séria\" do que ele, e aguarda por outras incidências dos \"ataque\" feitos por este.
O nosso jornal noticiou, que a direcção do clube do \"eixo -viário\" apresentou uma queixa -formal à Procuradoria-Geral da República, por suspeição de mão -invisível da arbitragem em muitos dos jogos que a equipa fez, na maior prova do futebol no país, na presente época. O caso mais recente que fez eco, na imprensa, ocorreu na quarta-feira da semana passada, em Calulo, no jogo que opôs o Recreativo do Libolo local ao emblema tricolor, que teve como \"grande protagonista\", o árbitro Rodrigo Aleixo.
O jogo terminou empatado a dois golos, Rodrigo Aleixo ajuizou quatro grandes penalidades - duas para cada lado - apenas a primeira, a favor do Petro, foi digna da cobrança do \"tiro\" dos 11 metros.
Em relação aos demais três pénalties, só o árbitro sabe dizer quanto às razões que o levaram a apontar para marca do castigo máximo. A sua actuação \"manchou\" o espectáculo. E, penso que estes casos de suspeição da arbitragem, ainda vão dar muito que falar, no próximos dias. Aliás, não tinha como não ser assim, por tratar-se de um caso candente.
Não podíamos fechar este espaço, tal como concordou o Morais Canâmua, meu companheiro nesta coluna \"A duas mão\", sem recordar quem em vida atendeu pelo nome de Eduardo Nicola Berardinelli, o primeiro técnico campeão do Girabola.
Corria o ano de 1979, quando a figura incontornável no nosso futebol, lograva ao serviço do 1º de Agosto, o feito de chegar ao lugar mais alto do pódio da maior prova do desporto -rei no país.
Nessa altura, a equipa central das Forças Armadas contava no seu seio, com jogadores da igualha de Ndungidi, Vieira Dias, Carlos Alves, Zeca Lopes, Amândio, Napoleão Brandão, o malogrado Ângelo e tantos outros, que ficam bem registados nos anais do nosso futebol e do clube. Enfim, o treinador, o oficial general, o dirigente que colocou pedra nos alicerces do futebol nacional e do \"seu\" d\'Agosto, vai ser sempre recordado como alguém de dimensão fabulosa. E, de facto, merece...
Sérgio V. Dias

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