Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Padro de jogo importante

18 de Setembro, 2013
Nos últimos dias tem-se ouvido falar com alguma frequência nos meios futebolísticos e em algumas conversas de fim-de-semana da existência ou não de um padrão de jogo que identifica o futebol angolano.

Independentemente de, nos dias que correm, os treinadores de todo o mundo assentarem o jogo das equipas para as quais trabalham nos conceitos de interpretação táctica - a orientação dos bancos começa a ganhar maior protagonismo no que concerne aos desfechos dos jogos -, não há dúvidas de que se trata de uma questão algo complexa, cujas opiniões divergem, e que não pode ser tratada de ânimo leve nem num piscar de olhos.

Em nossa opinião, deve constituir prioridade de quem de direito envidar esforços no sentido de se criarem condições para se definirem os padrões do fio de jogo a ser desenvolvido e utilizado como base pelas equipas e selecções nacionais.

Os estudiosos e analistas da modalidade que possuem responsabilidades acrescidas no que a isto diz respeito, devem contar com a colaboração de elementos de outras áreas das ciências, por intermédio de contributos à guisa de contribuições. Médicos, juízes de Direito, magistrados, advogados, engenheiros, arquitectos, deputados, governantes, representantes de organizações e organismos partidários, sociais, filantrópicos, comerciais, industriais, desportivos, devem ser chamados a colaborar nesta vertente do desporto nacional.

Ao recuarmos no tempo, convém recordar que na década de 80 foram ventiladas com alguma insistência opiniões de alguns técnicos e analistas, segundo as quais o padrão de jogo que era desenvolvido pela maioria das equipas angolanas incidia no futebol de toques curtos rente à relva (ou pelado), ao modelo latino, entre os sectores defensivo e intermediário e na força sem virilidade, com passes longos e em profundidade, também conhecido como estilo britânico, do sector intermediário para o ataque.

Quanto a nós, o modelo que se pretende deve ser desenvolvido a partir das bases. Na maior parte dos países que praticam o futebol cujo nível de qualidade se situa acima da média, o estilo de jogo que as equipas seniores apresentam começa a ser talhado nos escalões de formação com a devida sequência entre os vários sectores (infantis, juvenis, juniores e seniores), numa clara interpretação do que a “ciência” aconselha a edificação da pirâmide desportiva.

As formas de aplicação de tais conceitos devem ser encontradas em reuniões, workshops ou seminários alargados e abrangentes, entre os vários vectores que de forma directa ou indirecta estão ligados ao desporto e, em particular, ao futebol.

O facto de Angola, sobretudo depois de ter alcançado a paz, se ter convertido em ponto de convergência de cidadãos de várias partes do mundo, possuidores de diferentes hábitos culturais, torna lícita a interrogação de muita gente sobre até que ponto esse pormenor vai ter influência ou não no desporto e no futebol em particular.

Não deixa de ser verdade que a presença em várias equipas de atletas e treinadores estrangeiros em quantidade excessiva (?) e muitas vezes sem produzirem o rendimento desejado, oriundos de várias latitudes do globo, tem contribuído para a dificuldade em encontrar e definir um padrão de jogo no futebol de Angola.

Estes atletas e treinadores, possuidores de outras vivências e hábitos culturais, arrastam consigo diferentes filosofias e estilos de jogo, facto que complica mais o já de si complicado processo de procura da identidade filosófica do futebol angolano. Não se pode descurar o facto de que cada treinador é possuidor de uma filosofia de trabalho e estilo de jogo próprios, o que significa que ao ser contratado para uma equipa esta vai ser moldada ao seu estilo.

A indefinição que se regista quanto ao modelo de jogo angolano, pela sua envolvência, como já se disse, não pode terminar num ápice. Ao ter como referência que o padrão de jogo, cujos reflexos se vão fazer sentir nas equipas e selecções nacionais de seniores, deve começar a ser gizado nos escalões de formação, a necessidade da interacção entre os treinadores dos vários escalões a partir da formação deve ser constante. Para além dos conceitos e metodologia de treino que devem assentar na ciência, a condição morfológica do cidadão não deve ser descurada.
Leonel Libório

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