Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas ao p do CHAN

18 de Julho, 2017
Hoje, decidi-me pela compilação de um texto suportado por três notas que marcaram a última semana desportiva e não tive como evitar a miscelânea de temas em função do valor que eles têm, sob pena de perderem actualidade e interesse que, em termos jornalísticos, são elementos fundamentais.

Começo com a nota relacionada a petição que a direcção do 1º de Agosto endereçou à Federação Angolana de Futebol, no sentido de exigir a interdição do Estádio do Buraco, \"pertença\" do Académica do Lobito, em virtude dos actos de vandalismo protagonizados por adeptos da formação lobitanga, no final do desafio da 19ª jornada que opôs os estudantes aos militares.

Do que conseguimos apurar de elementos ligados ao clube da Maianga, em causa estão, mais uma vez, as graves falhas de segurança que, neste particular, tiveram como consequências a invasão ao recinto, apedrejamento da comitiva rubro-negra, inclusive do presidente de direcção, que viu ameaçada a sua integridade física.

Descontando as informações que ainda não foram avançadas em jeito de cruzamento para se chegar à verdade dos factos e daí ser produzida uma conclusão, expresso o meu voto de solidariedade para com a direcção do 1º de Agosto, por considerar o caso muito sério e merece uma decisão pronta e urgente.

Deve ficar claro que a questão é extensiva a outros recintos desportivos, (além do futebol), que não têm reunidas as mínimas condições de segurança recomendadas pelos manuais de realização de eventos desportivos, os quais recomendam a obrigatoriedade de, em primeira instância, salvaguardar-se a vida humana, que no fundo é o valor mais importante de qualquer espectáculo, seja ele de natureza desportivo ou não.

A petição do clube militar, deve ser interpretada com a seriedade recomendada, até porque são inúmeros os casos de desacato nos recintos desportivos que terminaram em perda de vida, sendo o exemplo mais recente, o do Estádio 4 de Janeiro, no jogo inaugural do presente Girabola Zap.

Continuando em Benguela e com o futebol, mais uma vez ecoou o som da trombeta anunciando uma possível desistência da equipa do 1º de Maio, do Campeonato Nacional da Primeira Divisão, vulgo, Girabola Zap, por dificuldades financeiras.

Fosse apenas isso, nada preocupante, atendendo que seria somente a reposição de um capítulo da bastante conhecida novela intitulada \"desistências no Girabola\", ou como alguém ousou adjectivar, são \"truques de mestre\" para quem de direito liberte a massa que, como sabemos, nem sempre é colocada em proveito do desenvolvimento do desporto.

Todavia, o assunto ganha outra dimensão, quando se ouve o presidente de direcção a dizer que \"sacrifica parte do seu dinheiro para sustentar a equipa principal…enquanto os seus detractores continuarem apostados em inviabilizar o seu projecto, prefere abandonar o barco. O 1º de Maio não é minha propriedade\"...E, nada mais digo sobre isso.

Mudando de assunto e modalidade, expresso novamente um voto favorável, neste caso para o treinador da Selecção Nacional de basquetebol sénior masculina, Manuel Silva \"Gi\", pela decisão tomada em relação à Valdelício Joaquim, afastado da campanha do cinco nacional, por indisciplina.

Não privo nenhum tipo de relação com o referido jogador que apenas conheço dos recintos desportivos, pelo que sinto-me confortado para dizer que a decisão do treinador merece aplausos, e que sirva de exemplo para os demais atletas cuja formação deve ser integral, pois antes de desportistas, são homens, e estes devem ter atitude e comportamento socialmente apreciáveis.

Finalmente, e não podia deixar de ser, uma nota ao bom desempenho dos Palancas Negras no jogo de domingo em que defrontou a similar das Ilhas Maurícias, para primeira mão da penúltima eliminatória ao CHAN de 2018, com resultado favorável, por 1-0 que indicia alguma facilidade para Angola lograr disputar a última eliminatória e por conseguinte, marcar presença na fase final da competição.
CARLOS CALONGO

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