Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas devem ser destemidos no Gabo

16 de Novembro, 2019
No seu retorno a mais uma campanha para atingir a elite do futebol continental, Angola joga amanhã frente à congénere do Gabão em Franceville, uma cartada importantíssima rumo aos Camarões-2021, depois do dissabor que experimentou diante da Gâmbia. Apesar de se estar ainda em pleno início de campanha para o Campeonato Africano das Nações (CAN), é ponto assente que os Palancas Negras estão proibidos de experimentar um novo “amargo” de boca, depois do pesadelo que viveram na passada quarta-feira em Luanda.
É verdade que a “derrota inesperada” frente aos Escorpiões, designação por que é conhecida a equipa nacional gambiana, não significa o fim da caminhada mas obriga ainda mais que os angolanos tenham uma postura diferente nos próximos duelos.
Fala-se amiúde que não é com a morte de uma andorinha que termina a Primavera, mas o desaire em casa de Angola frente à Gâmbia deixa claro a ideia de que muita coisa terá de mudar no seio dos Palancas, se quiserem se converter em verdadeiros gigantes.
Na verdade, o foco das críticas que se fazem aos Palancas Negras não é muito pelas picadelas de que foram alvos dos Escorpiões gambianos, mas sobretudo pela imagem desvanecida que passaram na quarta-feira, perante um adversário de quilate inferior.
Saberão lá os deuses explicar as razões de fundo, que levaram a que Angola experimentasse um fardo tão pesado, com a derrota diante da Gâmbia, a partida tida como a selecção teoricamente mais fraca deste Grupo D do apuramento ao CAN’2021.
Cogitava-se, para o efeito, mais um triunfo de Angola quarta-feira última, depois de outras duas conseguidas na preliminar de acesso à fase de grupos do Mundial de 2022, no Qatar, frente a essa mesma Gâmbia, por 1-0 e 2-1, respectivamente em casa desta e depois em Luanda, em Setembro deste ano. E puro engano para quem assim perspectivou, pois os Escorpiões viajaram com a lição bem estudada, fazendo com que a terceira fosse de vez. Assim se explicam os 3-1 aplicados aos Palancas.
Muito provavelmente, acusou-se no seio da equipa angolana, algum excesso de confiança, pois quer no ranking da Confederação Africana de Futebol (CAF), quer no da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), Angola está muito acima da Gâmbia.
O histórico de jogos em que os Palancas Negra ainda assumem vantagem sobre os Escorpiões, fruto de três vitórias, dois empates e agora adicionando-se uma derrota no confronto com os actuais comandados do belga Tom Saintfiet, acabou por não ter efeito na balança para o conjunto agora orientado pelo português Pedro Gonçalves.
E amanhã frente ao Gabão, uma selecção que Angola já defrontou inúmeras vezes, quer em campanhas selectivas para o CAN, quer para o Mundial, é importante que a Selecção Nacional procure jogar ao mais alto nível, tentando levar a água a seu moinho. Isso pressupõe jogar para vencer ou, na pior das hipóteses, conquistar um ponto, que já não seria mau de todo para as ambições que o conjunto tem, rumo a sua nona presença na grande montra do futebol em África. Deve-se recordar, para o efeito, que além da presença este ano na grande montra do futebol africano, que aconteceu no Egipto, Angola competiu em outras sete edições. Esteve pela primeira vez no CAN de 1996, na África do Sul, depois em 1998 (Burkina Faso), 2006 (Egipto), 2008 (Ghana), 2010 (na prova que teve como palco o país), 2012 (co-organizada pelo Gabão e Guiné-Equatorial) e em 2013 (África do Sul).
E convenhamos reconhecer, que nesta caminhada rumo aos Camarões, a missão de Angola poderá ser bastante espinhosa, já que com a derrota consentida em casa no início da campanha, coloca-lhe em desvantagem em relação à Gâmbia, e ter ainda pela frente, além do Gabão, uma República Democrática do Congo (RDC), que entra nas contas como séria candidata a transpor a outra fase.
Mas isso não deve inibir Angola. Pelo contrário, o combinado nacional deve fortalecer-se, buscando soluções e estratégias com vista a encarar os próximos compromissos desta campanha e, particularmente, o jogo de amanhã com o Gabão, com grande responsabilidade. Um novo dissabor amanhã, em Franceville, pode macular ainda mais a sua campanha. Por isso Pedro Gonçalves e seus colaboradores têm de procurar contrapor a esse aspecto.
Os Palancas Negras já levam muitos anos nas pernas de campanha para as grandes cimeiras do futebol continental e tem que ser com esse espírito de entrega e dedicação que devem procurar, mais uma vez, caminhar rumo a um CAN. Quer a Gâmbia, com quem Angola perdeu por 3-1 quarta-feira última, quer o Gabão e até mesmo a RDC, não podem ser vistos como barreiras intransponíveis para a nossa Selecção Nacional.
Os adversários devem sim ser encarados com todo respeito e isso não pode fazer, de forma alguma, com que os angolanos joguem a toalha ao tapete perante uma ou outra adversidade. O futebol tem destas coisas e os contratempos, com óbvio, também fazem parte dos jogos, mas ainda assim, temos de acreditar que os Palancas Negras são capazes e a força do nosso desporto-rei há-de imperar, mais uma vez, nesta corrida ao CAN. E bem-haja para Angola no trilho dos Camarões’2021…
SÉRGIO V.DIAS

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