Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas eficazes diante dos Escorpies

07 de Setembro, 2019
A Selecção Nacional de futebol de honras deu início, ontem, no Independence Stadium, em Banjul, Gâmbia, a sua marcha rumo ao acesso para as eliminatórias do Mundial de 2022, que terá como palco o Qatar.
O combinado angolano estreou-se com vitória de 1-0 no jogo da primeira “mão” da preliminar de acesso aos grupos de apuramento à grande montra do desporto-rei que acontece dentro três anos, diante da similar local, um adversário de quilate inferior em termos de capacidade. Nesse momento a nível do “ranking” da Confederação Africana de Futebol (CAF), Angola ocupa a 31ª posição contra a 47ª da sua oponente.
Apesar disso, não se pode vislumbrar uma tarefa fácil dos Palancas Negras diante dos “Escorpiões” gambianos, no duelo da segunda “mão” na próxima terça-feira, dia 10 de Setembro, no Estádio Nacional 11 de Novembro, na capital do país, Luanda.
E isto por que o rei-futebol já provou por A+B que em dados momentos equipas menos capazes por vezes criam dissabores àquelas rotuladas como mais capazes. Porém, não deixa de ser verdade também o facto de que a jogar em casa e diante dos seus adeptos, a Selecção Nacional têm tudo a sua mercê para transpor a outra fase, rumo ao Qatar-2022.
Ademais o histórico de jogos entre ambos dá também vantagem aos angolanos. No primeiro desafio Angola venceu a Gâmbia por 5-3, num torneio internacional por ocasião da proclamação da independência de Cabo Verde, a 5 de Julho de 1975.
Depois angolanos e gambianos mediram forças pela segunda vez no dia 3 de Janeiro de 2010 e empataram a uma bola, com golo de Manucho Gonçalves, em desafio disputado em Portugal, no quadro da preparação para a Taça de África das Nações deste ano, que país organizou. Em 2012, em Benguela, num outro cruzamento entre os dois conjuntos, o resultado saldou-se novamente numa igualdade a um tento. No referido desafio, de carácter particular e inserido na preparação dos Palancas Negras para a fase final do CAN-2013, na África do Sul, Amaro marcou o tento da igualdade.
Orientada interinamente por Pedro Gonçalves, isto na sequência da anunciada “rescisão amigável” entre a Federação Angolana de Futebol (FAF) e o sérvio Srdjan Vasiljevic, paira no ar uma grande expectativa em relação ao segundo jogo da Selecção Nacional.
O treinador português foi o “recurso encontrado” pelo órgão reitor do futebol nacional para suprir a lacuna deixada por Srdjan Vasiljevic, que até chegou a fazer um trabalho digno de realce nos Palancas, e daí as várias inquietações levantadas sobre o aludido desenlace que ocorreu em Agosto último.
Pedro Gonçalves, que orienta igualmente a Selecção Nacional de Sub-17 têm a árdua tarefa de tentar colocar Angola nos grupos de apuramento ao próximo Campeonato do Mundo.
Para já, seria um bom agouro para o técnico português, que orientou a Selecção de Sub-17 no Campeonato Africano das Nações (CAN) deste ano, disputado em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, e onde o conjunto obteve um honroso terceiro lugar e, ganhando, daí, o direito de estar no Mundial da categoria, em Outubro próximo no Brasil. Os amantes do desporto-rei no país estão, daí, expectantes com a eventual campanha rumo ao Qatar.
Aliás, outra coisa não se podia esperar depois do fracasso no CAN, que o Egipto albergou entre 21 de Junho e 19 de Julho último, e que foi ganho pela Argélia, em que já se ventilava o momento menos bom que se vivia no seio da Selecção de Honras.
Independentemente do fracasso na Taça de África das Nações, no Egipto, em que o combinado nacional não passou sequer da primeira fase, Angola voltou a experimentar outro dissabor na corrida ao CHAN de 2020, que vai ter como palco os Camarões.
Srdjan Vasiljevic, então pastor dos Palancas Negras, declinou, na altura, a responsabilidade de orientar o conjunto nessa campanha e a solução encontrada pela FAF, foi “remediar” a situação com a indicação da dupla técnica José Silvestre “Pelé”/Arsénio Cabungula “Love”. A dupla liderou a equipa nacional no jogo diante da eSwatini (ex-Reino do Botswana), para a preliminar de acesso aos grupos de apuramento, mas tendo o conjunto caído aos pés deste adversário.
Por todos esses revezes que se abateram sobre os Palancas nos últimos tempos, quer na maior cimeira do futebol africano, quer na prova reservada apenas a atletas que evoluem nas provas internas dos respectivos países, esperam-se por melhores resultados nesta caminhada para o Qatar. E os Escorpiões apresentam-se aqui como um adversário ao alcance dos Palancas, sobretudo depois da vitória ontem, fruto do golo de Wilson.
Mas como os jogos ganham-se em campo e só final dos 90 minutos se define, inquestionavelmente, o vencedor, recomenda-se é aguardar que no duelo da segunda “mão”, na terça-feira, tudo termine de forma positiva para Angola. E isso, como é óbvio, pressupõe transpor este primeiro obstáculo que atende pelo nome de Gâmbia. Sérgio V.Dias

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