Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas j tm comando

10 de Março, 2017
A semana que se apresta a terminar foi positivamente marcada pela contratação do novo seleccionador nacional de futebol, dando cobro a um velho caso que se arrastava desde o tempo em que o cadeirão máximo da Federação Angolana de Futebol era ocupado por Pedro Neto. Na verdade, era sem tempo. Não poucas vezes, movidos por boas intenções, espicaçamos a direcção de Artur de Almeida, mas também tínhamos a noção das dificuldades que podia estar a passar um grupo de trabalho ainda mal alojado.

Preocupava-nos como cidadãos, desejosos de ver a sua selecção num bom patamar, o arrastar do tempo, mais a mais porque sabíamos dos compromissos que tinha em vista. Finalmente a FAF soube fazer a perfeita leitura dos sinais que lhe chegavam e tratou de pôr as coisas em ordem com a indicação, na passada quarta-feira, do hispano-brasileiro Beto Bianchi.

Posto isso, e porque o tempo urge, há que passar ao trabalho, procurando tirar aproveito do curto tempo que nos separa do começo das eliminatórias ao Campeonato Africano das Nações de 2019 com sede na República Unida dos Camarões. Que metas estabelecidas para esta empreitada nada nos constou. Só a direcção da FAF e o técnico saberão onde pretendem competitivamente chegar. Mas se se perguntar ao povo, a resposta é simples: estar presente no CAN\'2019.

Será este objectivo logrado? Eis a questão que muitos deixam no ar. Eis o dossier com que a FAF terá que lidar. Pois, pela hora tardia em que o trabalho inicia e olhando para as selecções que compõem o grupo qualificação de Angola acaba por haver motivos de sobra para se ir colocando algumas reticências. Mas como se costuma dizer que quem vai à guerra não deve por o coração na morte, vamos sim fazer a nossa parte e o resto ver-se-á.

Desde já é de aplaudir a escolha de um treinador já conhecedor do mercado do futebol nacional. Pois a contratação de um recém-chegado, se calhar, iria atrapalhar mais as coisas. No momento exacto, esta pode ser a melhor opção, porque o tempo não espera por ninguém. Um técnico vindo de outras paragens, iria precisar ainda fazer o estudo do mercado, procurar conhecer melhor os jogadores para uma equipa moldada ao seu gosto, ou que infunda alguma confiança. Beto Bianchi conhece a prata do futebol angolano.

Em resumo, pode dizer-se que o tempo já não permite floreados. O momento é de agir, e passar ao trabalho. Afinal, as eliminatórias começam em Junho, que no quadro de contas feitas com algum rigor matemático, não está distante. A equipa nacional precisa de jogos de preparação, devido ao longo tempo de desintegração

Agora o que se espera do hispano-brasileiro é que são outros quinhentos. Mas ao que é do conhecimento de quem acompanha a evolução do futebol nacional é um técnico de créditos firmados, que tem vindo a desenvolver um excelente trabalho à frente do Petro de Luanda. Por isso, temos fé que se lhe forem proporcionadas condições de trabalho aceitáveis poderá brindar-nos com bons resultados.

Preocupante é que, e de acordo com o que ouvimos do presidente da FAF, está a custo zero nos Palancas, onde deve receber apenas um bónus, que também não foi especificado. E quando assim é as coisas ficam um pouco complicadas, sendo verdade que não se faz revolução de barriga vazia. Nem mesmo o \"patriotismo\", que jocosamente lhe foi atribuído, funciona nestas ocasiões. Portanto, escapa a sensação de ser um vínculo contratual que terá tudo de confuso, difuso e profuso.

É consabido que a situação financeira do país não é salutar no momento presente, mas é importante que quem tem responsabilidades acrescidas, como é dirigir uma instituição desportiva de grande dimensão, saiba encontrar alternativas para ao menos remediar situações intempestivas. A selecção vai precisar de fazer estágios, de realizar jogos de controlo quando for preciso, e será constrangedor encontrar obstáculos neste sentido.

É importante reconhecer que só a vontade e a capacidade do técnico não bastam. É preciso aliar a isto outros elementos, tal como as condições técnicas e materiais que permitam um trabalho isento de contratempos. Se se trabalhar assim podemos ter esperança numa selecção com eficácia e argumentos competitivos, e capaz de encarar os adversários em igualdade de circunstâncias para nos poder devolver a alegria que há muito perdemos .

Vamos esperar que o seleccionador proceda nos próximos dias a primeira convocatória e depois veremos como se arranjam as coisas. À partida, fique claro, os angolanos já não esperam por um futebol estéril e sofrível, como foi das suas últimas aparições. Aguardemos pela aura dos novos ventos...
Matias Adriano

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