Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas: mais "frangos" e "promessas de bacalhau"

18 de Novembro, 2019
Paulo Gonçalves ainda não limou as arestas que sobressaem entre os vários sectores dos Palancas Negras. A derrota de 1-3, em Luanda, frente à Gâmbia e a de 2-1, ontem, diante do Gabão, já atrasam, já enevoam as aspirações projectadas. Duas somadas já assustam. Ontem Tony Cabaça ofereceu mais um "frango" ao adversário no segundo golo do Gabão.
Não é o único culpado, mas, por esse "frango" e outros pontos fracos, não gostei de - como muitos - mais este desaire, em Francevile, terra onde até chegaram um dia antes para o que seria o jogo da "redenção, nessa caminhada à fase final da Taça de África das Nações, a decorrer nos Camarões em 2021.
Muito sinceramente, os Palancas Negras com a paupérrima qualidade de futebol que estão a apresentar podem estar condenados a sair derrotados em todos os jogos. Só se extraordinariamente se agigantarem, nascendo das cinzas como Fenix.
E digo que não gostei porque, a menos de quase dois anos da fase final, praticamente, pode-se estar a vê-la por um binóculo.
A campanha, verdade diga-se, vai até Novembro de 2020. No entanto, antes do jogo de ontem, os Palancas já tinham defraudado em Luanda, diante dos Escorpiões d a Gâmbia, essa "pequena" selecção que passou pelas preliminares antes de ingressar no grupo.
Surpreendeu - e muito bem - Angola, por 1-3, a sua primeira vitória oficial fora do território gambiano desde 1983.
Por causa dessa vergonhosa derrota, esperava-se então que ontem os Palancas Negras fossem lavar a sua honra. O seleccionador nacional, Pedro Gonçalves chegou a infundir tal esperança, quando desembarcou com os seus pupilos em Franceville.
Na entrevista colectiva, na tarde de sábado, dissera que aquela derrota ( 1-3) em Luanda é(rá) já uma lembrança distante para o Palancas Negras. Deixou claro que o jogo de ontem seria como uma "operação de comando", cujo objectivo é(ra) frustrar todas as probabilidades de vitória do Gabão, em casa. Não sei se Pedro Gonçalves enxergava bem o facto e a presença, na selecção do Gabão, de um jogador de classe mundial chamado Pierre Emerick Aubameyang.
Pedro Gonçalves, havia respondido: "É sempre muito motivador jogar contra jogadores como Aubameyang. Não corrigimos esse jogador. O nosso objectivo é uma vitória para nos reposicionarmos no grupo ".
O treinador dos Panteras do Gabão, Patrice Neveu, certamente sentiu o aviso e, rapidamente, redefiniu a sua estratégia, deixando de lado - como sublinhou a imprensa gabonesa - o ar cansado e aspecto "desapontado", de quando, dias antes, desceu do avião no aeroporto El Hadj Omar-Bongo-Ondimba M\'vengue, devido ao empate da sua equipa, em Kinshasa, com os Leopardos da República Democrática do Congo. O jogo já aconteceu e, em consequência, os Palancas Negras estão na cauda do grupo. Qual será, de agora em diante, a sorte , neste grupo D, que amanhã , terça-feira, ainda terá em Banjul (Gâmbia) o jogo da segunda jornada entre os Escorpiões e os Leopardos da RDC?
É que, se os Palancas Negras, pela frente, não darem a volta por cima, para lograr a qualificação, quem sairá também beliscada é também a direcção da Federação Angolana de Futebol.
Essa direcção deve agora dar tudo, desde estágios, jogos de controlo com equipas fortes e outros incentivos, aos jogadores e equipa técnico, sob pena de ser tida como um clube de amigos que simplesmente faz "promessas de bacalhau" e não passar disto mesmo.
Como no tempo de carências, em que alguém superiormente promete bacalhau a pataco, mas, afinal, uma promessa populista e demagógica, que se torna impossível de cumprir.
Aliás, na realidade, foi o que já ocorreu nos primeiros anos da implementação da nossa Primeira República.
Corria pelo país a boa nova de que iria ser tabelado o" preços de bacalhau" para todos os bolsos, de modo que todas as pessoa tivessem acesso a bens imediatos, alimentos sobretudo.
A verdade é que tais bens - como o bacalhau - nunca chegou a estar a esse preço, nem à mesa de todos. Foi uma "promessa mentirosa".
Os presidentes, como os das federações, como sempre, prometerem fazer surgir muitos craques, equipas campeãs, selecções ganhadoras. O certo é que o avolumar das desilusões minam a confiança.
Essadesconfiança é também um perigo real para o nosso futebol que está na lama.O fraco desempenho dos Palancas Negras pode fazer com que toda a "tribo do futebol lhe retire... o voto de confiança. António Féliz

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