Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas mostram outra postura

30 de Março, 2017
Dizia alguém, num passado muito recente, “uma coisa, é uma coisa, outra coisa, é outra coisa”. Isto, para dizer que os Palancas Negras agora liderados pelo “patriota”, hispano -brasileiro Beto Bianchi, deram uma imagem diferente dos tempos da inconsistência, em que os resultados roçavam sempre a mediocridade.

Nos dois jogos realizados fora de portas, inseridos na Data-FIFA, os Palancas Negras perderam com Moçambique, e empataram com a África do Sul. Se diante dos Mambas, Angola fez um mau jogo, nunca agiu enquanto conjunto, pecou na finalização e apareceu inesperadamente nervosa, e sem ideias, mas diante dos Bafana Bafana, deu uma outra imagem.

A imagem real, daquilo que se espera no futuro. Contudo, não nos devemos centrar no empate diante da África do Sul. Um resultado positivo, diga-se, mas nada nos serve se não fizermos o mesmo em Ouagadougou, no dia 13 de Junho, dia em que jogamos com o Burkina Faso.

O desafio, é a contar para a primeira jornada do Grupo I de apuramento, para a fase final do CAN/2019. Fazer por empatar, no reduto dos burkinabes, era um tónico para as jornadas seguintes, em que vamos ter pela frente, Botswana e Mauritânia, dois adversários menos capacitados que o Burkina Faso.

Estar nos Camarões, em 2019, é o maior desejo de todos os amantes do futebol. E, pelo que demonstrou diante da África do Sul, posso dizer que se abrem boas perspectivas, apesar de alguns males que se observaram durante os 90 minutos. Males que têm de ser corrigidos, no devido tempo, porque jogos amigáveis diferem muito dos jogos a doer, porque passam a estar em jogo, outros interesses.

Nesta hora, a Selecção precisa da ajuda de todos, porque enfrenta uma mudança radical em todo o seu sistema. Pelo que pude observar na televisão, tanto no jogo com os Mambas como diante dos Bafana Bafana, Beto Bianchi tem ao seu dispor bons ovos. Agora, é importante que saiba fazer uma boa omolete, porque os próximos compromissos saem a doer, em que o mínimo erro pode trazer muitos dissabores.

Bem ou mal, certo ou errado, o elenco dos Palancas Negras, com mais uma ou outra unidade, que se pede ao actual pastor que saiba tirar o rendimento necessário para que possamos atingir os objectivos que todos os angolanos anseiam.

Angola está há muito tempo na fila, à espera do passe para a presença em mais uma fase final do Campeonato Africano das Nações. Crise, é o seu estado normal, por isso, vamos confiar na força actual, e seguir em frente. O angolano é sofredor, digno, e acima de tudo, crente.

Vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias ou meses. O futuro imediato, tende a ser muito mais positivo. Espero, que a médio prazo, a grandeza da marca de sucessos, evidenciada em 2006, possa ser recuperada.

O próximo compromisso dos Palancas Negras, como já me referi, é no próximo dia 13 de Junho, com o Burkina Faso, para as eliminatórias ao CAN/2019. Quero com isso dizer, que nos próximos dias vai falar-se muito da Selecção, porque não falta pouco. Os dias correm depressa, creio que na mente de Bianchi, este jogo já faz morada, pela sua importância.

Sempre disse e volto a repetir, que nada se consegue, individualmente. E, nesta fase de mudança, se Angola se achar dependente de um jogador ou de atitudes individuais, não vai chegar a lado nenhum, ou pode vir a ter muitas dificuldades. Se jogarmos como equipa, como aconteceu diante da África do Sul, temos hipóteses de estar nos Camarões, em 2019. Caso contrário, vamos continuar de fora, da alta competição continental.

Falando concretamente do jogo com Moçambique, o primeiro teste de Bianchi em que perdemos por 0-2, pessoalmente, observei alguma impotência e um pensamento comum entre os jogadores: se a equipa não consegue, vou tentar eu.

Não é verdade que seja a solução. Pode acontecer, pontualmente, mas ninguém resolve sozinho. Fiquei com a sensação de que há jogadores a competir uns com os outros. Não é um fenómeno comum, por outro lado, também não é comum haver tantas individualidades numa equipa.

O que me pareceu ver, foi concorrência, por quem faz o último passe, ou o maior número de fintas. Não é assim, que as coisas funcionam. Temos de jogar como equipa. Só assim, é que alcançamos o que os angolanos tanto desejam. Policarpo da Rosa

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