Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas Negra Pastam no CHAN

13 de Janeiro, 2018
Hoje arranca, em Marrocos, o CHAN 2018. Angola, marca presença em mais esta edição desta prova onde ostenta, de edições passadas, um segundo lugar. Portanto, com responsabilidades acrescidas diante de todo imbróglio que concorreu a sua preparação com vista o evento competitivo.
Claro que o início desta competição está envolta de enormes expectativas quer para os participantes, quer igualmente para os assistentes que, particularmente os angolanos, vestirão a camisola da sua selecção, apoiando-a, incondicionalmente.
Mas, verdade seja dita, a preparação dos Palancas Negras, embora já se tenha dito tudo e mais alguma coisa, não foi a das melhores. Desde os atrasos na contratação do novo técnico, passando pela convocação dos jogadores e desembocando na preparação em si, a selecção nacional passou uma imagem pálida e mesquinha. E tudo isso, tendo infelizmente a Federação à cabeça que, diga-se e, me perdoem se estiver errado, demonstrou fraca liderança em todo processo. Houve tanta balburdia que, muito bem pode reflectir-se no rendimento do combinado nacional na competição.
O seleccionador nacional, o sérvio Serguei Vassiljevic assume assim uma “batata quente” que muito bem pode assar nas suas mãos. De certeza absoluta, ao acertar com a FAF os termos do contrato, não passava pela cabeça do mesmo os altos graus de desorganização que veio a constatar dias depois. Mas, como soe dizer-se, quem está na chuva é para se molhar. O sérvio preferiu, tal como aconteceu, “segurar o boi bravo pelos chifres” e tentar para já conferir alento, confiança, recuperar a auto-estima dos jogadores e fazê-los acreditar que, realmente com vontade e determinação, podem conquistar algo, numa prova sem a expressão continental devida, convenhamos.
Ao empreender esta “aventura árabe”, em Marrocos, Vassiljevic pretende igualmente fazer vincar o seu trabalho, neste consulado e fazer acreditar a FAF que o contratou, que ele, é uma boa aposta, tendo em conta os objectivos que virão a seguir, concretamente na perseguição ao apuramento do CAN.
Concretamente a selecção preparou-se mal. Com muitos sobressaltos, com dificuldades mil, enfim, uma preparação atribulada onde se louva o brio, a entrega e o patriotismo dos jogadores integrantes que, diante de todos os problemas enfrentados, conseguiram manter a discrição, a postura, a humildade, procurando o foco da competição e da representação do País. Aqui, uma palavrinha aos jogadores que, mesmo convocados, preferiram colocarem-se de parte alegadamente por lesões ou por almejarem outros objectivos nos seus clubes em face das competições africanas às portas. Falos dos atletas do campeão nacional de futebol de Angola que, incompreensivelmente nenhum deles faz parte do lote que está em Agadil (Marrocos). Na verdade, essas são contas de outro rosário que os próximos tempos se encarregarão de resolver, ou não temos uma Federação à altura das encomendas.
Para os Palancas Negras, adversários como Burkina Faso, Camarões e Congo Brazzaville que fazem parte do seu grupo, serão bastantes competitivos à partida, em face da deficiente preparação que teve. Naturalmente que, acabamos por manifestar uma reserva acentuada quando perspectivamos a nossa evolução na prova. Tenho certeza que alguns fundamentos do treino e filosofias do novo técnico foram apreendidos mas, o combinado nacional, convenhamos, terá que contar, isso sim, com a atitude, determinação e estoicismo dos seus jogadores, alguns dos quais rodados nestas andanças. Será necessário capitalizar as experiências acumuladas. A maturidade, enfim, colocando sempre em frente o patriotismo e saber, que milhões de angolanos esperam deles o melhor. E mais, confiam neles.
Claro que, quer os burkinabes, os camaroneses como os vizinhos congoleses de Brazza se esmeraram nas suas preparações mas isso não lhes confere à partida que os Palancas Negras já estejam no papo deles. Terão que provar em campo a sua superioridade. Os angolanos, mesmo assim, mesmo com todas as intempéries, têm a oportunidade de também provarem, pelo menos internamente, que somos um povo generoso e que, já passamos por situações piores e sempre triunfamos.
Temos assim, a oportunidade de nos manifestarmos solidários com uma causa comum. A defesa da nossa honra. Da honra do nosso futebol mesmo com a mistura entre desorganização e coisa séria conforme nos tentam impingir. A verdade é que nesta hora, na hora que começa o jogo, somos e devemos ser, “mwangolês” de gema, acreditando na nossa selecção e apoiando-a, quer ela perca, ganhe ou empate.
Não acredito que a Federação ou a equipa técnica tenham estabelecido objectivos mas, ao ser assim, auguramos que, embora remotas as possibilidades, que alcancem, pelo menos a segunda fase e, se possível, as meias-finais e……. se possível, a final e, se possível…….. o ceptro. Ninguém está proibido sonhar. Com Lito Vidigal, em 2011, quando poucos contavam, estivemos na final por mérito próprio e com portas escancaradas para vencer. A história não mente.
Hoje, em 2018, aí estão os Palancas Negras mesmo com pasto escasso, dispostos a fazerem jus a força do futebol de Angola onde já emergiram nomes como Chico Negrita, Diniz “Brinca N’areia, Jesus, Cavungi, Rui Jordão, Chico Gordo, Ndunguidi, Alves, Napoleão, Abel Campos, Laurindo, Sarmento, Praia, Salviano. Abreu “Flexa de Caxito” Vata, Mantorras, Akwa, Quinzinho, Paulão, enfim uma lista interminável de nomes que souberam, sempre, dignificar este País que ainda tem muito fertilidade para “parir” outros talentos que continuarão de certeza a escrever a história do nosso futebol.
Boa sorte Palancas Negras!
MORAIS CANÃMUA

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