Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas Negras, dinheiro e patriotismo

01 de Julho, 2019
Apesar de termos visto nos ecrãs da Televisão Publica de Angola (TPA), o capitão dos Palancas Negras, Mateus Galiano, a dizer que não há clima algum de insatisfação nos balneários dos Palancas Negras, por alegada falta de prémios, do outro lado, da parte dos jornalistas da mídia nacional, que cobre o CAN no Egipto, insiste que sim e que, por esta razão, está a influenciar negativamente no desempenho da equipa.
A certeza de que pode haver \"gato escondido com o rabo de fora\" está , porém, ainda antes da selecção chegar ao Egipto, termos visto o presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol, Artur Almeida, a regressar de Lisboa para Luanda, onde, numa altura em que a selecção já tinha saído da capital portuguesa, ouvir-se a ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento Neto, a confirmar que, sim senhor, fez-se atempadamente entrega da verba, sem, no entanto, apontar números. Ou seja, falou, mas...não disse o valor!
Se falou e não disse, a verdade é que, em situações do género, aos jogadores apenas interessa o que lhes cabe, porque uma vez satisfeitos pontualmente, ficam com outra disposição, outro astral, enfim, de moral muito alto.
Quem anda ou andou na alta competição - como é agora no CAN - sabe de cor e salteado que, em situação de incumprimento federativo ou estatal, a acção psicológica dos jogadores recai, negativamente, sobre a acção física e inteligente, afectando o desempenho no campo e, daí, os resultados não serem os esperados, como já foram os dois empates dos Palancas Negras no CAN; 1-1, frente à Tunísia e, 0-0, ante a Mauritânia.
Eu considero que, apesar do dever patriótico, na hora do chamamento à selecção, aos treinos e aos jogos oficiais ou particulares, os atletas devem ser estimulados, sobretudo os que militam em equipas estrangeiras, onde ganhos salários e prémios mais elevados, mais estimulantes.
Porque, o simples amor à camisola do País não lhes compensa e, vai daí, muitas vezes, as desculpas, as resistências em comparecer. Já esquecemos, por exemplo, ao tempo do seleccionador Beto Bianchi e a própria Federação Angolana de Futebol terem enfrentado as posições de Bastos, Clinton da Mata, Núrio Fortuna e Dolly Menga, em não responderam positivamente à convocatória?Eu ainda me recordo que, ao tempo do seleccionador dos Palancas Negras, Gustavo Ferrín, uruguaio de nacionalidade, uma das questões muito badaladas, antes e depois do jogo com o Zimbabew em Harare , há cinco anos, quando Campos, Manucho Gonçalves, Mateus Galiano e Nando Rafael... reclamavam, devido à falta de prémios.
Já na altura, o então presidente da federação, Pedro Neto, revelou, falando a verdade, que a posição dos jogadores levantava uma questão importante e que suscitava apelo de boa vontade e atenção redobrada dos nossos decisores.
Como se vê, a questão já é antiga, cíclica e recorrente. O atleta do futebol não é um homem especial, mas, é mentira se me disserem que não merece tratamento especial, quando está numa frente competitiva que deve culminar com bons resultados, neste caso, agora, no CAN do Egipto, onde amanhã Angola defronta o Mali, este inolvidável daquele 4-4 em 2010,no CAN, aqui em Angola.
Oxalá, se ainda há ou houver incumprimento até hoje, amanhã tudo esteja resolvido. Estou ainda recordado da pouca vergonha por que passamos na imprensa desportiva africana e não só, em 2011, quando esta questão de pagamento esteve na berlinda.
Na altura, quinze (15) jogadores, que participaram naquela conquista do título de vice-campeões africanos no CHAN disputado no Sudão, barafustaram pelo prémio de 36 mil dólares a que tinham direito, nomeadamente o Pataca, Job, Adawa, Hugo, Vado, Lama, Chara, Santana Carlos, Avex, Zé Kalanga, Fabrício, Nari, Nuno, Lambito e João.
Devido ao incumprimento para com estes jogadores, eles exigiam que o então presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, promovesse um encontro para esclarecer o que se passava, quando até sabiam eles que, em Janeiro daquele ano, já tinham sido pagos os prémios a Mingo Bille, Dany Massunguna, Amaro, Kali, Wilson, Osório e Love Cabungula.
E estes, disse-se e comentou-se na ocasião, ainda tinham imposto a condição de só integrarem a selecção na fase final do CAN de 2012, se a FAF pagasse integralmente os 36mil dólares, o que não foi o caso do grupo de 15 jogadores, pois não tinham feito parte das Palancas Negras para o Gabão e na Guiné Equatorial, onde a equipa de todos nós teve uma actuação para esquecer.
Portanto , por tudo isto, e do que está acontecer com os Palancas agora, não pode acontecer. Oxalá, amanhã, no fim do dia, cantemos vitória com uma soberba vitória sobre o Mali. Querer é poder!
António Felix

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