Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas Negras aguardam o seu novo pastor

26 de Janeiro, 2017
A fase final do CAN/2017 que decorre no Gabão, observa hoje o primeiro interregno. Com o final da primeira fase, a prova entra nas próximas horas na fase mais dificil, em que um pequeno erro pode ser fatal, traduz o regresso prematuro à casa.

Aliás, algumas selecções cotadas já regressaram à procedência. Referimo-me concretamente à selecção anfitriã, o Gabão, que decepcionou os seus adeptos, e a Argélia, a quem muitos colocaram entre as candidatas ao título continental.

Os angolanos, fruto da letargia que assola o nosso futebol a nível das selecções nacionais, acompanham a prova africana sentados no sofá, ou nas cadeiras de um restaurante, via televisão. É a alternativa.

A ausência dos Palancas Negras na alta prova futebolística, a nível do , está a mexer com os amantes do desporto rei. Face à grandeza do nosso Girabola, a presença da Selecção Nacional nas fases finais do Campeonato Africano das Nações, tem de ser uma obrigação.

O passado é passado, diz a sabedoria popular. Por isso, temos de olhar para a frente e encarar o futuro com mais optimismo. As atenções devem estar viradas para as eliminatórias ao CAN/2019, cuja fase final vai ter lugar nos Camarões.

A corrida aos Camarões/2019 inicia no próximo mês de Março, precisamente entre os dias 20 e 28, com a disputa das preliminares. A grande novidade desta fase é que só vamos ter dois jogos.

O apuramento, propriamente dito, inicia em Junho e encerra em Novembro. As selecções participantes foram divididas em 12 grupos, de quatro equipas cada, apuram-se apenas os vencedores de cada grupo, que se juntam à selecção anfitriã, no caso os Camarões, mais os três melhores classificados.

O sorteio não foi nada favorável aos Palancas Negras. Enquadrado no grupo, o combinado nacional vai ter pela frente o “carrasco” da eliminatória anterior, o Burkina Faso, mais o Botswana e a Mauritânia.

Quis o destino que o primeiro adversário fosse o Burkina Faso, entre os dias 5 e 13 de Junho, fora de casa. Seguem-se o Botswana e a Mauritânia, no Estádio 11 de Novembro. Perante este cenário, não resta alternativa aos Palancas Negras senão tirar partido do factor casa, para somar os seis pontos em disputa. Para juntar o útil ao agradável seria óptimo regressar de Malabo com um ponto na bagagem.

A derrota por 0-3, em pleno Estádio 11 de Novembro, diante do Burkina Faso e que acabou por ditar a ausência dos Palancas Negras no Gabão/2017, ainda faz morada nas mentes de todos os angolanos. E, ao ficar enquadrados novamente no mesmo grupo, surge como uma grande oportunidade para a desforra.

Estamos em finais de Janeiro. Até à estreia de Angola diante do Burkina Faso, restam cerca de cinco meses. E, a pergunta que os amantes do futebol e não só, colocam à actual gerência da FAF, é a seguinte: para quando o anúncio do Pastor para os Palancas Negras?

A ideia é nomear alguém com perfil, que se adapte à actual realidade do nosso futebol. Estou convicto que Artur de Almeida já deve ter nomes em mente. Porém, pessoalmente defendo que o perfil do futuro seleccionador não deve ser diferente dos que colocaram a Selecção Nacional na alta-roda do futebol continental, e quiçá, mundial.

Durante pouco mais de um ano tivemos dois treinadores, e a ideia é justamente mudar pouco, porque mesmo com as dificuldades existentes temos um , e o treinador que vier tem de se encaixar no perfil, porque o grande objectivo é estar presente nos Camarões/2019.

O actual elenco da FAF não se deve resguardar. Tem de ter uma conversa abrangente com os demais agentes desportivos, com os adeptos e com a imprensa, para analisar os nomes e ver o que mais atende aos nossos projectos. Os nossos objectivos são os objectivos da Nação. Os desejos pessoais ficam em segundo plano.
O importante é ter esperança de conseguir algo, com este ou com aquele treinador. Temos de vencer os seis jogos do nosso grupo, para atingir os nossos objectivos. É fundamental que se consiga em cada jogo amealhar os três pontos. Só isso, faz com que possamos ter ambição de conseguir o que todos os angolanos desejam: estarmos presentes nos Camarões em 2019. Serão seis finais.

A contratação do novo treinador tem como objectivo, criar condições para catapultar a Selecção Nacional a um patamar superior. Temos de exigir o máximo ao novo Pastor dos Palancas Negras. É com esse máximo que nos leva ao sucesso.Ano novo, vida nova, novo elenco federativo, treinador novo. Serão premissas para um futuro airoso para os Palancas Negras? Creio que sim.
Até para a semana.
Policarpo da Rosa

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