Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas Negras assumem prontido!

22 de Junho, 2019
Arrancou já o Campeonato Africano das Nações, vulgo CAN, em mais uma edição em que Angola inscreve o seu nome. Os Palancas Negras marcam presença pela oitava vez, numa competição deste calibre que reúne a nata do futebol africano.
Naturalmente, como seria de esperar, muita expectativa envolve esta participação dos Palancas Negras, que pretendem melhorar sempre a sua prestação nestes palcos. Os angolanos estão no Grupo E, conjuntamente com a Tunísia, Mauritânia e Mali.
Apesar de ser bastante relativo, se dizer que o grupo é acessível se torna prudente aludir que vamos jogar e lutar por uma classificação boa, iniciando na ambição do apuramento às fases seguintes. Para esta competição que alberga 24 selecções, as possibilidades de qualificação, pelo menos para a fase imediata são grandes, pois passam os dois primeiros de cada grupo mais os quatro melhores terceiros.
Daí haver algumas possibilidades, dos Palancas Negras se poderem qualificar para próxima etapa. Pelo menos é esta expectativa, que faz os adeptos e aficionados vibrarem com a sua Selecção Nacional.
Por outro lado, o que preocupa ainda é o facto de, há poucos dias do início da competição, ter havido algumas situações que quase colocavam em causa a harmonia, a concentração e a paz, no seio dos Palancas Negras, que cumpriram estágio pré-competitivo em Portugal.
Infelizmente para nós, os angolanos, assuntos desta natureza repetem-se quase sempre e parece, que os dirigentes não conseguem aprender com os erros e os males, que isso provoca ao grupo de trabalhos.
Uma “greve” às portas da competição pode ter efeitos nefastos e, de alguma forma, estorvar as pretensões dos Palancas Negras fazerem uma campanha de sonhos.
O jogo da primeira jornada, diante da favorita Tunísia, podia ser bem preparado e sem imbróglios, que podiam mesmo retirar o foco aos integrantes do combinado nacional, que, ao invés de pensarem no jogo, ocuparam a mente a pensar no dinheiro das diárias e dos prémios. Naturalmente que isso, querendo ou não, “roubou” parte da concentração e terá “aborrecido”, sobremaneira, o técnico Serdan Vassiljevic, que acredito não consegue habituar-se a alguma desorganização, que se vai assistindo nas hostes da selecção. Há dois dias da estreia dos Palancas Negras na prova, as expectativas dos aficionados da bola são as mesmas de sempre.
Independentemente das convulsões internas, sente-se que todos acreditam na sua selecção, pois a naipe de jogadores que possui oferece garantias de pudermos “fazer alguma coisa”. Esta legião, onde imperam nomes como Gelson Dala, Mateus Galiano, Djalma Campos, Show, Tony Cabaça, Herenilson, Mabululu enfim, e tantos outros, podem fazer de facto história e surpreender a África do futebol.
Naturalmente que este pensamento não nos confere direito nenhum, de elevarmos a fasquia, a ponto de pensarmos já em meias-finais, finais ou no título.
Mas, ainda assim, sonhar não é proibido! Mesmo não sendo proibido, é necessário colocar os pés bem assentes no chão. Pensar com realismo e acreditar nas possibilidades que temos nesta elite do futebol africano. Selecções há, que têm mais andamento competitivo em relação a nossa.
A Tunísia, por exemplo, já foi campeã africana e já fez brilharete em muitos palcos. Como ela, estão outras selecções de topo como Camarões, Egipto, Nigéria, Senegal, Costa do Marfim, Burkina Faso e tantas outras, que se compõem de muitos jogadores, que competem nas mais variadas equipas europeias e mundiais, duma forma geral. Ainda assim, mesmo com apenas um “joguinho” de preparação nas pernas, acredito que os Palancas Negras estão em prontidão. Dispostos a ganharem forma na competição e a ganharem o seu espaço na África do futebol.
Assumimos aqui o nosso apoio incondicional aos nossos rapazes que, representando a bandeira nacional, farão tudo para elevar o ego, o orgulho e auto-estima de todos os angolanos. Bem haja Palancas Negras, força, estamos convosco...
Morais Canãmua

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