Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas Negras dependem de si mesmos

17 de Agosto, 2017
ASelecção Nacional de futebol, Palancas Negras, tem a sua disposição 90 minutos para carimbar o passaporte à fase final da 5ª edição do CHAN que se disputará no Quénia em 2018. Com duas participações em fases finais do CHAN, reservado a jogadores que militam nos campeonatos internos de África, o onze angolano foi finalista vencido da primeira edição e na segunda participação não passou
da primeira fase.

O jogo do dia 19 do corrente a ser disputado no Estádio 11 de Novembro, que terá a arbitragem do Etíope, TessemaWeyesse, reveste-se de grande importância para os dois contendores, no caso Angola e Madagáscar. No jogo da 1ª mão disputado em Antananarivo, capital malgaxe, houve um empate a zero e os Palancas Negras só não venceram porque respeitaram em demasia o
adversário, que diga-se de passagem tem estado a evoluir bastante nos últimos anos.

Para chegarem a esta fase, na penúltima eliminatória os malgaxes empataram a duas bolas com Moçambique, em sua casa, e venceram em Maputo por duas bolas a zero, enquanto os angolanos venceram a Swazilândia por uma bola a zero em casa destes, e em Luanda voltaram avencer por três bolas a duas. Entretanto, o resultado da primeira mão em Antananarivo, embora para muitos tenha sido um bom resultado, em minha opinião, foi um resultado perigoso e coloca a pressão sobre os nossos jogadores.

Atendendo ao facto de os malgaxes serem bons no controlo de bola, o que em si é uma forma de enervar o adversário, um outro
pormenor que pode contar a favor dos Escorpiões é o facto de os Palancas Negras acusarem em demasia o peso de jogar em casa,
quando deveria ser o contrário.

É muito preocupante este pormenor. Uma equipa que não se sente bem a jogar em sua própria casa porque sente a pressão do público, quando este é um factor preponderante em jogos que se realizam em duas mãos, precisa urgentemente de intervenção
de um psicólogo!

Muitas equipas a nível do Mundo podem fazer o inédito para que nestes casos a segunda mão seja disputada em sua casa para aproveitar bem este factor, pois sabe-se que até mesmo as equipas de arbitragem estremecem em ajuizar partidas da segunda
mão quando está em causa uma qualificação ou conquista de um título.

Infelizmente, no caso dos nossos Palancas Negras dá-se o contrário. Eles mesmo é quem estremecem jogando em sua própria casa. Se o adversário domina este pormenor então entrará em vantagem. Aliás no jogo contra os Suazis, foi notório o à-vontade em que os forasteiros abordaram o jogo e só não venceram porque os nossos rapazes foram a tempo de despertar.

Portanto, isto implica dizer que a passagem ou não para a fase final do CHAN do Quénia, só depende dos nossos jogadores.
Se eles tiverem a mesma atitude mental que têm tido no Girabola em representação dos seus clubes e foi por isso que mereceram
a confiança do treinador, então teremos meio caminho andado.

Queremos também frisar o facto de o \"onze\" nacional ter desperdiçado a oportunidade de resolver a eliminatória em Antananarivo, porque vimos que a equipa jogou mais para não sofrer golos do que marcar. Assim, em função do que podemos ouvir através da Rádio 5, ficamos com a impressão de que os Palancas Negras preferiram empatar o jogo da primeira mão para resolver a eliminatória em
casa. Se realmente foi esta a intenção da equipa técnica, então podemos dizer que enganaramse redondamente.

Como já frisei acima, o resultado de Antananarivo faz com que o Madagáscar jogue com o espírito de “perdido por um, perdido
por mil”, pois terá como desculpa, no caso de ser eliminada, o facto de ter jogado a segunda mão em casa do adversário.
Isto implica dizer que eles vão jogar no máximo de sua força, caso a equipa técnica seja inteligente, obrigando os Palancas
Negras a errarem o máximo possível, não os deixando pensar.

Com o passar do tempo, poderá acontecer o que o adversário espera: que o público deixe de apoiar a equipa de casa. Se isto
acontecer então acaba o sonho de Angola estar no CHAN do Quénia em 2018. Por isso, aos Palancas Negras (parece que esta denominação contribui para a passividade dos nossos rapazes) só resta um caminho para chegar à 5ª fase final do CHAN: jogar tudo o que sabem, indo para cima do adversário do primeiro ao último minuto, aproveitando bem o factor casa, com jogadas que galvanizem o público.

Jogadores tecnicamente bons, como Job, Nelson da Luz e Yano devem jogar a vontade sem muitas recomendações, pois será imperioso
que os nossos jogadores cativem o público desde os primeiros minutos para assim contarem com o seu apoio até ao fim. Se assim acontecer, então nem o facto de o líder da CAF ser compatriota dos malgaxes, nem outro fenómeno qualquer poderá impedir que os Palancas Negras estejam no Quénia em 2018, pois só dependem de si mesmos.

AUGUSTO FERNANDES

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