Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas Negras enfrente marcham...

03 de Agosto, 2019
A disputa da segunda mão da penúltima eliminatória de acesso ao CHAN de 2020, por parte dos Palancas Negras, afigura-se um desafio de sacramental importância, porquanto constitui uma soberba oportunidade para que a nossa selecção se reabilite e recomece tudo de novo, depois do redondo fracasso do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019, que recentemente decorreu no Egipto. O combinado nacional, na versão CHAN, arrancou um empate recentemente na casa do adversário, no caso e-Swatini, que pode significar muito se, obviamente, soubermos capitalizar o golo marcado em Manzini. Com uma equipa de segunda linha, os Palancas Negras, às ordens de José Silvestre “Pelé”, que foi o recurso encontrado pelo órgão reitor do futebol nacional, depois de Srdjan Vasiljevic ter rejeitado a lista de jogadores que, supostamente, lhe impunham (essas são contas de outro rosário). Pelo menos foram estes os relatos que nos chegaram, antes do início da preparação da equipa para a “Operação-CHAN” tendo se admitido, inclusive, a possibilidade de, com isso, se ter aberto uma nova crise no seio da Federação Angolana de Futebol (FAF). Ainda assim, Pelé e Love Kabungula assumiram, com patriotismo a missão, mas, pelo que se notou, sem as mínimas condições de trabalho, pois logo no primeiro treino após a confrontação, a equipa foi submetida a treinar num recinto onde ao mesmo tempo se faziam queimadas, o que proporcionou muito fumo a volta do local de treinamento. Com essas “bagunças” que, infelizmente vão se tornando normais, os comandados de José Silvestre “Pelé” trabalharam arduamente, tendo viajado para África do Sul para um curto estágio e onde se juntaram alguns jogadores do Petro de Luanda, que estagia igualmente naquelas paragens. Felizmente os atletas em campo, no dia do jogo, conseguiram corresponder às expectativas, surpreendendo o adversário com um golo logo no início da segunda metade, apontado por Manguxi. Talvez por falta de experiência adicional e alguma desconcentração, se calhar motivadas pelo período turbulento que antecederam os trabalhos de preparação (quem sabe!), os Palancas Negras consentiram o golo do empate já no declinar da partida, supostamente por um erro defensivo. Agora, no desafio da segunda mão, os Palancas Negras, versão CHAN, uma prova reservada aos jogadores que evoluem no campeonato doméstico, deverão dar a volta por cima e, aqui em casa procurar desfeitear um adversário que, seguramente está ao nosso alcance. Não se pode dizer que o combinado nacional tenha perdido fulgor, por ter levado para Manzini uma equipa de segunda linha com alguns jogadores “anónimos”. Não concordo com isso! O que devemos mentalizar é que os atletas, que neste momento fazem parte deste grupo às ordens de Pelé e Love Kabungula, são de facto os melhores do momento e que mereceram a confiança dos técnicos, em função igualmente de alguns condicionalismos que a própria FAF teve que aceitar por manifesto “bom senso”. O órgão reitor do futebol teve que fazer concessões profundas, em face da participação do Petro de Luanda e 1º de Agosto nas competições africanas, por um lado, e da pré-época dos clubes integrantes da maior prova do futebol nacional, Girabola. Pelé, na verdade, foi submetido a um teste de fogo que, verdade seja dita, só terá muita visibilidade se passar esta eliminatória. E para já, tem meio caminho andado para tal. O empate conseguido pode ser acalentador, se for suficientemente capitalizado. Aliás, temos possibilidades de melhorar a nossa prestação, aqui em nossa casa diante de um adversário que, em tempo idos, havia levado uma “cabazada” de 7-1. Por isso, Pelé e Love, já admitiram a possibilidade de reforçarem o conjunto com outros potenciais jogadores, que terminada a pré-época estarão de certeza em altura para dar o seu contributo, em prol de uma causa nobre: representar as cores nacionais. Independentemente dos quesitos, quezílias que tenham havido e que motivaram o fracasso no Egipto, a Selecção Nacional deve ser “una e indivisível”. Compacta. Sólida e, sobretudo, resiliente em face das intempéries de foro organizativo que, “corrigindo o tiro”, podem ser ultrapassadas. Há que se ter a capacidade de “sacudir a água do capote” e com resiliência levantar e procurar outras realizações.
Estamos com a nossa selecção e temos crença, que a sua adversária para esta eliminatória, ficará ultrapassada, porque temos potencial suficiente, para começar a desenhar estratégias válidas para a conquista da África do futebol. O que nos falta, convenhamos, é apenas organização e também alguma coerência. Tenho dito!
Morais Canãmua

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