Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Palancas Negras perto da perfeio

27 de Julho, 2017
O jogo Angola -Ilhas Maurícias agendado para a penúltima eliminatória de acesso à fase final do CHAN, a disputar-se no próximo ano no Quénia, já passou à história. Já está arquivado. As atenções estão agora viradas para o embate com o Madagáscar, o “carrasco” de Moçambique, no próximo mês de Agosto. O jogo pode decidir a presença ou não, de uma das equipas, no Quénia.

Contudo, há factos a elogiar e que aconteceram durante os derradeiros 90 minutos do jogo com as Ilhas Maurícias. A convicção de que os Palancas Negras souberam com inteligência, superar um adversário, à priori acessível, é praticamente unânime.

Está visto, que há e houve motivos de festa, e de satisfação. O tribunal popular assim o provou, com a elevada falange de apoio, que esteve no 11 de Novembro. Mas para o futuro interessa reter uma ideia: não subestimar o adversário.O sucesso desta empreitada, com os mauricianos, não surgiu por acaso. O sucesso total, vitórias fora de portas e em casa, aconteceu porque houve qualidade, daí dizer que Angola conseguiu o passe para a derradeira eliminatória, porque foi superior ao adversário.

É verdade, que o “Onze” Nacional não se apresentou visivelmente, nos limites. Num confronto equilibrado, Angola teve períodos de domínio, oportunidades, de mais remates e posse de bola, perante o cinismo mauriciano abençoado com dois golos, que verdade seja dita, tiraram o sono de quantos estiveram no 11 de Novembro, e dos que acompanharam o jogo, via rádio ou televisão.

Tudo isso só foi possível, porque a selecção nacional nunca agiu, enquanto conjunto, pecou fortemente na finalização, apareceu inesperadamente nervosa, em ideias…Enfim, não me é simples explicar o que aconteceu, depois de uma preparação adequada na África do Sul, por mais de 15 dias.

Perante um adversário da qualidade das Ilhas Maurícias, não podemos sofrer tanto. Uma equipa que quer lutar por títulos “a sério”, de modos a recuperar o terreno perdido durante anos, não pode recear de nada. E, muito menos, diante de um adversário que é inferior em termos estatísticos, no Ranking continental e mundial.

Independentemente das opções tácticas, há a dizer que os jogadores, aqueles que decidem as partidas dentro das quatro linhas, também têm culpas do sofrimento ocorrido durante os 90 minutos.

Houve jogadores que exibiram tiques de vedetismo, que claro está, nunca ajudam às vitórias. Pelo contrário…propiciam o sofrimento. Não vou citar nomes, apenas dizer que ser bom é importante, mas fulcral é mostrá-lo sempre. Nos grandes jogos e contra…as Ilhas Maurícias. Não é qualquer subestimação, mas a pura verdade.

O jogo já está arquivado. Contudo, é tempo de todos assumirem a culpa do sofrimento vivido ao longo dos 90 minutos. Se, por acaso, as Ilhas Maurícias, com o resultado a cifrar-se numa igualdade a dois golos, marcassem um terceiro, era a hecatombe. Graças a Deus, isso, não aconteceu.

Ninguém deve esconder que quando se ganha, ganham todos, mas quando se perde, também. Nestas alturas é que se vêem os homens. Por isso, todos devemos reflectir. O próximo adversário chama-se Madagáscar. Uma selecção que no pretérito fim de semana surpreendeu tudo e todos, venceu em plena cidade de Maputo, a selecção de Moçambique, por 2-0.

Depois do empate alcançado fora, 2-0, Moçambique deve ter subestimado o adversário, entrou relaxado a pensar que tinha a eliminatória já ganha. Todavia, de acordo com a teoria de que não há vitórias antecipadas, o Madagáscar com a sua simplicidade acabou por estragar a festa aos moçambicanos, e carimbar o passe para a derradeira eliminatória.É com este surpreendente Madagáscar, que Angola vai lutar pelo passe, para mais uma presença na fase final de um CHAN. É mais uma empreitada difícil, principalmente, depois do feito alcançado em Maputo. Aliás, isto mesmo, foi referido por Beto Bianchi no final do jogo com as Ilhas Maurícias.

“É um adversário que merece o nosso respeito, mas vamos trabalhar com rigor, com o fito de obter bom resultado. Estamos conscientes que se trabalharmos com rigor e humildade, alcançamos os nossos objectivos”. O facto de jogar os derradeiros 90 minutos em Luanda, é sinónimo de que temos muitas probabilidades de marcar presença no Quénia. Contudo, temos de alcançar em Antananarivo, um resultado que não comprometam os objectivos.

O importante como está dito mais acima, é que a culpa do sofrimento vivido no domingo, não fique nas costas de um só. É o momento do grupo unir-se e pensar que é possível alcançar o “passaporte” para o Quénia. Vamos todos acreditar.
Policarpo da Rosa

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