Jornal dos Desportos

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Opinio

Palancas: prmios, direitos e patriotismo

17 de Junho, 2019
A questão que emergiu agora em Portugal, em tornos dos Palancas Negras, que reclamavam prémios, só acertado à ultima da hora, não é de hoje.
Entre muitas ocorrências, estou ainda lembrado - não sei se os leitores também - naquele ano de 2011, quando a então vice-presidente da Federação Angolana de Futebol, Eufrazina Maiato, garantiu, ainda no Brasil, que as Palancas Negras, antes da partida para o Sudão, onde disputariam o CHAN, em que foram vice campeões, já tinham todos os prémios que estavam em dívidas pagos.
Na altura, não disse, quando é que, exactamente, o passivo com os jogadores e equipa técnica foi resolvido, tendo sublinhado unicamente que “ basta observar no semblante dos jogadores e a própria entrega deles no trabalho, para se concluir que não têm qualquer tipo de preocupação relacionada com o pagamento de prémios (…) se falhasse alguma coisa, os próprios jogadores já se teriam manifestado, felizmente, está tudo em dia e tudo bem”.
A verdade é que quando a selecção partiu para aquele estágio, a federação só tinha pago os prémios referentes, na altura, aos jogos com a Guiné Bissau e de amistosos realizados em Portugal, Qatar e Arábia Saudita.
Na ocasião, o ex-presidente presidente da FAF, Justino Fernandes, garantiu aos técnicos e jogadores, que o seu órgão não falharia no que, até por lei, está garantido para o capítulo de prémios.
Tirando pouca coisa, é esta a história que se pode contar dos Palancas. Mas se foi ou está resolvida, oxalá seja para sempre.
Digo para sempre porque, em boa verdade, apesar do dever patriótico, na hora do chamamento à selecção, aos treinos, estágios e aos jogos oficiais ou particulares, os atletas, devem ser mesmo estimulados, sobretudo ( na minha opinião, sem desprimor para a prata da casa) os que militam em equipas estrangeiras, onde ganham salários e prémios mais elevados, mais estimulantes do que o previsto e pago em Angola oficialmente.
Porque o simples amor à camisola do País, não lhes compensa e vai daí as desculpas, as resistências em comparecer as convocatórias ou, quando às atendem, alinharem na greve de balneário, como a que foi dado a ver agora em Portugal.
Eu ainda me recordo também, que, no tempo do seleccionador dos Palancas Negras, Gustavo Ferrín, uruguaio de nacionalidade, uma das questões muito badaladas, antes e depois do jogo com o Zimbabwe em Harare, há anos, foi o relativo a chegada tardia dos profissionais Djalma Campos, Manucho Gonçalves, Mateus Galiano e Nando Rafael, devido à falta dos prémios que reclamavam.
Já na altura, o então presidente da federação, Pedro Neto, revelou, falando a verdade, que a posição dos jogadores levantava uma questão importante e que suscitava o apelo de boa vontade e atenção redobrada dos nossos decisores.
Escutei agora, um alto dirigente desportivo a dizer que, para o estágio dos Palancas Negras, em Portugal, visando o CAN, todos os componentes da delegação - atletas, treinadores, dirigentes - tinham de se conformar com o pouco, face à crise financeira que o País vive.
No entanto, eu sei que, na FAF, existe um regulamento que o Governo Desportivo conhece e está actualizado. Foi elaborado, faz anos,
comparando com outras realidades, para salvaguardar os interesses dos jogadores e das selecções.
Esse regulamento é a Bíblia dos atletas, porque nele estão inseridos os seus direitos, obrigações e deveres. Por isso, é certo que diante deste contexto de crise o pretexto não vale de todo.
O atleta de futebol não é um homem especial, mas é mentira se me disserem, que não merece tratamento especial, quando está numa frente competitiva, que deve culminar com o apuramento de Angola à maior cimeira do Futebol Africano, o CAN do Egipto neste 2019.
Em tempos de bonança, a Federação Angolana de Futebol (FAF) beneficiava, no mínimo, de 9 milhões de dólares norte-americanos por ano, para cumprir com todas as exigências administrativas e competitivas, nacionais e internacionais, sem sobressaltos.
Com os cortes actuais no orçamento, não é possível, sinceramente, ter-se uma selecção com alto moral competitivo? Uma selecção de futuro?
Julgo que futebol é coisa séria e meras palavras bonitas não galvanizam. Não enchem barriga. Disse-o, também, certa vez Pedro Neto: os jogadores são país, têm filhos e são chefes de família.
E é por isso que, aqui, discordo democraticamente do que disse, por exemplo, à Rádio Cinco, um alto dirigente do futebol. \"Sou de opinião, que os atletas que não aceitem representar as cores do país devem definitivamente ser preteridos. Vamos contar com aqueles que demonstrem vontade e patriotismo\".
Segundo disse, “mesmo com estas dificuldades, espero que Angola saia do marasmo e regresse ao lugar que lhe pertence, ocupe a melhor posição no Ranking da CAF e FIFA”.
Mas vem, à talhe de foice, esta outra boa pergunta: quem não tem ovos faz “omeletas”?
Esta resposta vai, não tarda, ser respondida com o que virá a ser o desempenho dos Palancas durante o CAN. O \"sonho prometido\", é ver os Palancas nas meias finais, lugar jamais atingido.
António Felix

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