Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Pra-quedismo com lona furada

21 de Setembro, 2013
Por ser um desporto arriscado, um pára-quedista que se preze não confia a ninguém a manutenção do seu equipamento. Aliás, é regra não se confiar tal tarefa vital a terceiros. Portanto, nenhum pára-quedista, que esteja no seu perfeito juízo, é capaz de entrar no avião sabendo que o seu equipamento não está a funcionar em pleno.

Infelizmente, alguns desportistas ou dirigentes desportivos têm atitudes similares às de um pára-quedista louco, que entra no avião para efectuar o salto, mesmo sabendo que a sua lona não vai abrir. Preferem correr o risco de, já no ar, pedir ajuda, gritando por socorro, para ver se aparece gente de “boa-fé” que os ampare e cheguem sãos e salvos ao solo. Como assim? Mesmo sabendo que a sua equipa não tem capacidade financeira para se manter na primeira divisão, fazem o impossível para ascender à prova maior do nosso futebol.

Para eles, o mais importante é estar lá. Depois, o lema é: se Deus quiser, vamos conseguir patrocínios para aguentar o campeonato todo. Tais dirigentes não têm noção dos danos que causam aos seus atletas? Não se preocupam com a sua reputação? Qual deve ser a sua motivação ao agirem dessa forma? Será uma forma de se chegar com mais facilidade “aos dinheiros?” Seja qual for a motivação deles, a Federação Angolana de Futebol (FAF) deve tomar medidas dissuasoras para acabar, de uma vez por todas, com esta “grande vergonha”.

Por exemplo: a FAF devia criar leis que obriguem todos os clubes que subam à primeira divisão a depositarem certo valor que fosse capaz de, no mínimo, suportar as despesas relacionadas com as viagens ao longo do campeonato e outras obrigações que impeçam este tipo de aventura. Assim, equipas como o Atlético do Namibe, que não é a primeira vez que passa por esta situação, não estariam a ocupar o lugar de outras formações com capacidade de suportarem as despesas relacionadas com o Girabola.

Os governos provinciais também não devem, ou não deviam, apoiar equipas que têm esta atitude suicida, a menos que o clube solicite ajuda antes de se aventurar em competir, para depois choramingar por ajuda.

E, por fim, os dirigentes que tiverem essa atitude devem ser punidos de forma severa pelos danos que causam, não só aos seus próprios atletas, como também aos adversários, que têm de ficar semanas inteiras a treinar, com gastos elevados com alimentação, estágios, entre outros. Se alguém quiser praticar pára-quedismo sem o equipamento para o efeito, que o faça, mas não deve arrastar consigo pessoas inocentes.
AUGUSTO FERNANDES

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