Jornal dos Desportos

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Opinio

Para alm do campo

17 de Fevereiro, 2016
A entrada da ZAP no mundo do futebol angolano, reforça a teoria segundo a qual para lá de ser o tal fenómeno social que movimenta paixões, o futebol é uma verdadeira indústria que faz circular avultadas somas monetárias e para além do campo pode criar e promover vários tipos de males.

Por exemplo, o volume de dinheiro movimentado tem atiçado a perda de valores e princípios dignos, ampliando a entrega à exercícios de corrupção e outros males que infelizmente gangrenam não só o futebol, mas muitas instituições que fazem movimentar a vida humana, claro que com a devida excepção à norma, quando existir.

Sobre isso, preferimos não perder tempo em aduzir exemplos porque andam aí à mão de semear, pese embora a dificuldade da característica humana em admitir a existência e prática de tais actos, para além do campo.

Basta olhar para os casos em que estão envolvidas figuras de proa (até então) da UEFA, FIFA e outros entes continentais, para percebermos que na proporção dos valores que circulam o mundo do futebol também se eleva a apetência para os ilícitos, talvez em respaldo ao que o provérbio ensina: “A ocasião faz o ladrão”.
E se tivermos em linha de conta a cadeia de mando, sobram poucas hipóteses que nos permitem dizer que as instituições como a CAF, FAF, os clubes, dirigentes e árbitros e outros tantos angolanos, estejam distanciados do que ocorre para além dos campos e que macula a verdade do futebol.

Parecendo que nas instituições citadas no parágrafo precedente o assunto não constitui preocupação, sugerimos outra abordagem na direcção de que o dinheiro que circula nos corredores do futebol, também pode ser interpretado como factor de elevação da rivalidade entre clubes.

Nesta perspectiva, o termo rivalidade, de modo geral, não carrega em si um sentimento de maldade ou crueldade em "latu sensu", salvo nos casos de má memória que resulta(ra)m em confrontos físicos com algumas mortes à mistura, tal como o sucedido nos jogos em que estiveram envolvidas equipas italianas, inglesas, brasileiras, só para citar estas, do contexto internacional.

Internamente, o termo “rivais” assenta como uma luva na mão, quando em referência estão as duas mais tituladas equipas do país, no caso 1º de Agosto e Petro Atlético de Luanda.

Da realidade do futebol angolano é expressa a razão de que o 1º de Agosto e Petro de Luanda estabelecem uma relação de “rivalidade”, normalmente evocada em véspera de um jogo entre si, noves fora outras novelas que envolvem contratações de jogadores conforme aconteceu com o que ficou conhecido como “caso Geraldo,” que apesar da sua extemporaneidade, atiça a nossa pincelada nos moldes que se seguem.

Do que é de domínio público, Geraldo foi apresentado como jogador do 1º de Agosto, contratado entre algumas acusações, lamúrias e outras coisas típicas da altura do defeso e sobretudo quando em luta estão dois colossos do futebol. Uma verdade é que o regresso de Geraldo à Angola procedeu-se por contactos com o Petro de Luanda, equipa com quem assinou um contrato, antes do rival militar colocar-se em cena.

Entre o pretendido, dito e/ou não feito, a verdade é que a equipa do Rio Seco anunciou e apresentou o jogador como seu reforço e que deverá vestir a camisola número 11 até então atribuída a Mateus Galiano que regressou à Portugal.

Não interessa a forma como o processo se efectivou, mas verdade dita, mais uma vez foram equacionados aspectos para além do campo, tendo o dinheiro movimentado jogado função fundamental a fazer do facto um verdadeiro negócio, com possibilidade de atiçar os ânimos dos adeptos das duas equipas quando se cruzarem, e o pior é se o referido jogador tiver uma exibição que influencie no resultado que afinal começa para além do campo.
CARLOS CALONGO

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