Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Para iniciar o ano

09 de Janeiro, 2020
Este é o primeiro texto que escrevo para esta rubrica no ano que ainda é uma criança, e nada melhor que começar esta caminhada de mais 365 dias, expressando votos de feliz ano novo aos prezados leitores deste título em que a supremacia de abordagem recai para o desporto, que é um mundo a parte do mundo global, como dizem os outros.
Tal como as pessoas normalmente fazem no final do ano, em relação às suas vidas, hoje ofereço-me a narrar, em jeito de balanço, o que na minha perspectiva, foi o ano desportivo de 2019, exercício que, como em tudo, poderá não agradar a gregos e troianos, ao mesmo tempo e dimensão.
Ganha honras de abertura a iniciativa levada a cabo por um grupo de jornalistas desportivos que decidiram, ainda que de forma tímida, dar ar da sua graça, com realizações de tertúlias valiosas para os profissionais em referência, que se prestam a revitalizar a Associação da Imprensa Desportiva Angolana, (AIDA).
Dizer que o jornalismo desportivo angolano é um segmento que congrega (ou) o que de melhor o país conhece em termos do bom saber e fazer profissional, penso não constitui ultraje de espécie alguma, bastando para tal lançar um olhar as folhas de serviço de Silva Candembo, Graça Campos, Victor Silva, António Ferreira “Aleluia”, Arlindo Macedo, Manuel Rabelais, Mateus Gonçalves, Pedro da Ressureição, Matias Adriano, só para citar estes, com o devido pedido de desculpas aos omissos.
Dos acima citados “gurus” do jornalismo angolano, muitos deles, senão todos, sentem saudades do tempo em que o basquetebol angolano dava enorme prazer em assistir e cobrir, tal era a responsabilidade com que se trabalhava, factor que catapultou Angola na arena da mais titulada do continente africano, isso em seniores masculinos.
E pelo estado actual da modalidade, estarão a dizer, no silêncio das suas almas, oxalá que a “comissão de salvamento” consiga resgatar o prestígio que, por mérito próprio, Angola conquistou na arena africana onde detém a hegemonia em termos de títulos sénior masculino e as provas mundiais em que sempre teve participações honrosas.
Nos reportamos, portanto, ao tempo em que, para lá dos pavilhões do Sporting de Luanda, Ferroviário, CDUA, etc, o da cidadela era o principal palco das maravilhas basquetebolísticas, e era prazeroso ouvir o termo “Complexo Desportivo da Cidadela”, que hoje por hoje, quase só se conhece pelas histórias.
E por falar em Cidadela, apesar de já não fazer parte dos palcos de partidas do Girabola, por razões conhecidas, o alerta lançado recentemente do perigo eminente que a infra-estrutura representa, é um sinal mais do que evidente de que algo deve ser feito para salvar aquele que uma vez foi “baptizado” como o “tribunal do futebol angolano.
A referência nos remete para um tempo em que equipas como o 1º de Maio de Benguela não aventavam, nem em sonho, a possibilidade de despromoção como se alude, com contornos que às tantas baralham até os profissionais do jornalismo, que já não sabem onde reside a certeza, se na continuidade ou não dos ex proletários de Benguela, continuarão a disputar o presente Girabola Zap.
Ainda bem que se aproxima as eleições nas instituições desportivas, à luz do fim de mais um ciclo olímpico, facto que os eleitores devem aproveitar para melhorar o que está mal e corrigir o que está bem, ou se tanto, evitarem a capitulação do órgão, por mais um período de quatro anos.
Reitero, de minha coragem, que desde a chegada de Artur Almeida e pares, a FAF tornou-se num ente que permite que lhe seja dito tudo e mais o resto, pelas tantas “baldas” que proporciona, sendo mais gravosas, as que ocorreram por altura do CAN do
Egipto, de que continua viva a anunciada conferência de imprensa (até hoje nada), que seria de balanço da operação Egipto.
Finalmente, deixo uma “muletada”, em gesto de aplausos pela conquista por Angola, do campeonato africano de futebol em muletas, realizado na Província de Benguela, no qual os nossos compatriotas mostraram ser verdadeiros exemplos de superação e reforço do provérbio segundo o qual a “dificuldade aguça o engenho”, que para o caso em apenso acresce valor à conquista.
CARLOS CALONGO

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