Jornal dos Desportos

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Opinio
por Carlos Calongo

Para l do empate o que faltou

04 de Julho, 2019
Está terminada a “aventura” dos Palancas Negras no Campeonato Africano das Nações (CAN) que decorre no Egipto, e, quis a ironia do destino, que mais uma vez o Mali fosse o causador da dor dos angolanos, como foi no longínquo 10 de Janeiro de 2010, que ditou o memorável 4-4, na abertura da edição realizada em Angola.
Em véspera do jogo desta terça-feira, era notável a expressão de todo o tipo de sentimento, desde a crença na passagem à cautela que, como dizem os brasileiros, adicionada ao caldo de galinha, não faz mal a ninguém.
Num discurso quase que imperativo, a palavra de ordem passou a ser “o empate bastava”, para os comandados de Srdjan Vasiljevic atingirem a segunda fase da competição, feito que Angola não alcança desde 2010.
Interiorizada quase ao limite da convicção, de que o desejado empate estava em qualquer esquina da cidade de Ismaília e bastava o depositário receber ordem de a entregar ao combinado angolano, que tudo o resto eram favas contadas, afinal não bastava o tal empate. Ou seja, era necessário muito mais que o empate, que até serviria às encomendas, e isso é que não foi levado a sério por quem de direito, o que obriga-me a repetir e não me canso disso, que futebol não é só o que acontece no rectângulo do jogo, ao longo do tempo regulamentar e o que o árbitro decidir adicionar.
Daí que o resultado que menos se esperava foi o que aconteceu, para o desgosto dos que amam Angola no capítulo particular do futebol enquanto desporto das multidões, com todas as paixões adicionadas, que fazem dele um submundo bastante emotivo do mundo na afirmação mais profunda do conceito.
Se calhar o empate bastava, caso deixássemos de pensar que fosse conseguido numa celestial acção caridosa, apesar da crença que, de modo geral, os angolanos têm nas coisas divinais, e que para tal era necessário, somente, entrar em campo e tudo era resto.
Mais do que o empate, faltou a realização de um conjunto de acções largamente anteriores, em termos de tempo, ao momento do jogo, sendo um deles o que permitisse aos Palancas Negras deixarem de jogar de calculadora em mãos, um hábito a que nos obrigamos a rememorar, quase sempre que estamos nestas andanças. Neste entretanto, me refiro ao trabalho de casa (e não me peçam para esmiuçar o termo, pois os que acompanharam o percurso dos Palancas Negras até ao CAN sabem bem o que digo), que foi um adversário de alto nível, para os anseios dos rapazes escolhidos para vestir as cores do País, à quem não se pode acusar de falta de patriotismo e espírito profissional.
E é para isso que devemos virar as baterias, por via de um compromisso com sentido de Estado, gestão moderna das envolventes do futebol, que cada dia se torna mais robusto em termos de conceitos científicos que se agencia ao desporto, de um modo geral.
Significa que o empirismo, o compadrio, a “assanhadisse”, o ego pessoal, a arrogância, etc, devem dar lugar a outras manifestações, que concorram para que se atinjam os objectivos que, de princípio, devem ser gizados com base em pilares seguros.
Nesta altura, consumada que está a eliminação, já não constitui qualquer tipo de discurso inflamado e desestabilizador, afirmar que a Federação Angolana de Futebol (FAF) não fez tudo que devia, para que “o pasto das palancas” fosse como um voo tranquilo, que qualquer passageiro desejo efectuar.
E se calhar voltamos a estar naquela situação, em que será dito tudo e mais o resto, quase sempre na perspectiva de se condenar tudo e todos, como se tivesse sido dito antes, o que de facto bastava para Angola alcançar a fase seguinte da competição, onde até o grupo poderia ser considerado acessível.
Se calhar, resta espaço para condenarmos o maldito trigésimo sétimo minuto, como responsável material do afastamento de Angola, a considerar que foi nele que os Palancas Negras sofreram o golo que menos se esperava, ante o desejo de que o nulo até bastava às nossas contas, o que “desconseguimos”, com uma lágrima no canto do olho.

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