Jornal dos Desportos

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Opinio

Para quando as eleies na FAF?

05 de Julho, 2016
Depois de algumas Associações, clubes e comités de modalidades, darem início ao processo de renovação de mandatos, no quadro da conclusão do ciclo olímpico de quatro anos, algumas vozes colectivas e individuais juntam-se a do empresário Artur de Almeida, em sinal de preocupação quanto ao atraso da marcação de eleições na Federação Angolana de Futebol (FAF), que devem ter a chancela do presidente da Mesa da Assembleia-Geral daquele órgão.

Sem desprimor para as demais Federações e Associações, pelo facto de o futebol ser a modalidade que mais meios humanos, financeiros e materiais movimenta, aliado ao estado menos bom em que se encontra, quer nos domínios organizacional quer no desportivo/competitivo, os agentes da modalidade aguardam com expectativa a marcação das mesmas.

Ao marcar a data, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral da FAF vai permitir que depois de criada a respectiva Comissão Eleitoral, sejam conhecidos o Código e a Conduta Eleitoral, para possibilitar que a população votante exerça o voto em consciência, após contacto com os projectos e perfis dos integrantes das listas concorrentes.

Na verdade, o facto da campanha eleitoral para a direcção da FAF ainda não ter sido marcada, pode estar na origem de alguns candidatos não anunciarem publicamente a intenção de se candidatarem.

Isso, está na génese de algumas especulações, que circulam nos meios futebolísticos nacionais, quanto à possíveis candidatos, em função de alguns pronunciamentos que surgem nos diferentes órgãos de comunicação social, proferidos por elementos ligados à modalidade.

Trata-se do empresário Artur de Almeida, candidato derrotado nas eleições passadas, e do general Francisco Pereira Furtado, fundador do Desportivo da Huíla e antigo vice-presidente do 1º de Agosto para o futebol.

Desprovido da intenção de exercer qualquer pressão a quem quer que seja, sou de opinião que as eleições para a direcção do futebol nacional devem ser marcadas o mais breve possível, para se evitar o fomento de informações desencontradas, como por exemplo, a que circula nos meandros da modalidade, segundo a qual o General Francisco Furtado está a ponderar a sua não candidatura, em função de um possível ingresso na lista do empresário Artur de Almeida.

O actual elenco directivo, encabeçado por Pedro Neto, não se pronunciou oficialmente quanto à recandidatura ou não.
Uma vez que o ano de 2016 começou a descrever a sua curva descendente, em direcção ao final, é natural que apareçam candidatos que ainda não “deram a cara”, pelos motivos atrás evocados.

Também não deixa de ser verdade, o facto dos documentos que divulgam e regulam o pleito eleitoral não serem do conhecimento geral. Os candidatos assumidos de forma oficiosa, e os anónimos, estão já “mergulhados” nos bastidores, em busca de parceiros, assim como na elaboração de projectos que sirvam de sustentáculo às campanhas.

Assim, é de concordar, que o facto de ainda não serem conhecidos os projectos a serem desenvolvidos nos próximos quatro anos, estarem abertas as vias para os reajustes e reformas estruturais, que o elenco que chamar a si a direcção do futebol nacional se propuser materializar, depois de, como é lógico, convencer nas urnas a massa votante.

Devido à massa humana que o futebol movimenta, aliado à imensa extensão territorial de Angola, não é de estranhar que os candidatos estejam também empenhados na arrecadação de finanças e de patrocínios, pois como é do conhecimento geral, qualquer tipo de eleições, com incidência para as de âmbito nacional, acarretem despesas financeiras, em função de encargos com o material e pessoas que movimentam.

Como se sabe, a crise económico-financeira mundial que tem reflexos em Angola, tem estado na base do incumprimento de alguns projectos, pelo que a marcação das eleições na FAF deve acontecer com antecedência, para que não surjam imprevistos de última hora.

Leonel Libório

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