Jornal dos Desportos

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Opinio

Para quando frica?

16 de Setembro, 2016
Para quando África? É a pergunta que me ocorre fazer à propósito da incerteza da realização do CAN2017 no Gabão, país assolado por uma crise política pós-eleitoral. É uma pergunta, aliás, que pertence ao historiador (um dos maiores do continente) Joseph Ki-Zerbo. E serve para todas as áreas do continente. Da política ao desporto. Pedimo-la por isso emprestado ao burkinabe, pois o continente ainda não foi capaz de respondê-la, embora tenha sido feita há anos.

A África continua mergulhada em convulsões, é, aliás, o seu cartaz de visita, a sua principal referência nos noticiários ocidentais, e mesmo por cá. O desporto tem sido no meio de tudo a principal, senão mesmo, a melhor referência do continente.

O continente tem ganho muito com as suas principais estrelas a desfilarem na Europa, hoje menos do que há três ou quatro anos. A saída em cena de Eto´o, Drogba, Micheal Essien e outros, deixou Yaya Touré com a responsabilidade de representar ao mais alto nível o continente. Porém a idade também já não lhe perdoa e, por conta disso, vai sendo, igualmente, menos reluzente. Seja como for, outros craques vão emergindo.

Por causa disso, o CAN tornou-se terceira maior competição do mundo, depois do Mundial e do Euro. O CAN tem sido um dos principais veículos de interacção dos povos africanos. Tal como a luta pela libertação do continente uniu os povos, o futebol também podia fazer o mesmo.

Tem sido o principal meio aglutinador. É ainda a melhor referência positiva do continente, enquanto os políticos não despertam. Não entendem que o continente tem de correr, sob pena de voltar a ser colonizado, agora não apenas pelos europeus mais também pelos orientais. É por isso necessário que a CAF seja capaz de encontrar um país alternativo, uma situação nada fácil dado o curto tempo que resta. São precisamente quatro meses para o CAN, só uma economia como a sul-africana era capaz de aceitar esse desafio.

Ou mais uma vez voltarmo-nos para os países produtores do petróleo, como Argélia, Guiné Equatorial e outros. O nosso omiti de propósito, pois não há possibilidades nenhuma de uma aventura dessa dimensão na actual conjuntura económica. Não seria a primeira vez, o CAN já viveu momentos semelhantes nos seus 60 anos de existência. Os exemplos mais recentes são o do Marrocos, que descalçou a possibilidade de organizar o CAN 2015, por conta de uma febre qualquer que poderia “matar” todos os cidadãos daquele país, segundo o pretexto das autoridades marroquinas. A Guiné Equatorial teve de socorrer a CAF. Em 1996, o organizador não seria a África do Sul, mas sim o Zimbabwe, que fugiu a responsabilidade no momento derradeiro, e em substituição os bafana-bafana aceitaram e levaram a sua primeira e única taça.

Talvez seja altura de medidas mais duras da CAF contra esses países, pois além de prejudicarem a imagem da competição fazem incorrer outros em gastos não previstos. Essa situação retira a seriedade da competição. Tomara que os políticos “limpem” e guardem as armas, organizem o CAN, depois podem retomarem, se lhes apetecer.
Teixeira Cândido

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