Jornal dos Desportos

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Opinio

Parece que... estava previsto

10 de Junho, 2016
No domingo passado quando a nossa Selecção Nacional viu definitivamente desvanecido o sonho de poder estar na fase final do CAN de 2017 no Gabão, por perder escandalosamente, por 3-1, sabia eu que uma vez mais saltaria à praça pública a velha e recorrente questão dos "porquês" deste enguiço, quando até já éramos regulares.

Porque na grande cimeira do futebol africano já lá estivemos em 1996, na África do Sul, 2002, no Togo e Burkina Faso, em 2006, no Egipto, em 2008, no Ghana, em 2012, no Gabão e Guiné Equatorial e por último, em 2014 na África do Sul.

Quer dizer, só não fomos mais em 2015, na Guiné Equatorial, e não iremos para o Gabão em 2017 e então o coro de descontentamento anda a rodos, buscando-se culpas em tudo e todos.

Será que isto deve ser assacado, e em particular, pela alegada incapacidade orientadora da equipa técnica composta por José Kilamba e André Makanga? Pelo fraquejo competitivo da selecção em campo?

Acho modestamente que não é só por Angola agora estar mais uma vez afastada da fase final do CAN do próximo ano, mas... para mim, alguma vacilação em relação à uma forte selecção capaz de lograr o apuramento foi já caindo, digamos assim, em "saco roto", quando vi os Palancas Negras a falharem em duas frentes importantes: Mundial da Rússia e CHAN. É verdade!

Foram dois redondos fracassos que se assim não fosse, dar-nos ia um onze nacional, se não igual, pelo menos de nível próximo ao da que tivemos para a participação na maior festa do futebol mundial há dez nos. Falo daquela histórica presença no campeonato do Mundo da Alemanha, em 2006.

Para o Gabão em 2017 exultamos de furor quando no início da campanha notámos e anotámos a goleada imposta pelos Palancas Negras aos Veados da República Centro Africana por 4-0, isto na primeira jornada. Na altura o nosso Gilberto ainda jogava e até fez “gosto ao pé”, mas, mas toda esta esperança foi caindo de jornada a jornada, jogo a jogo. Podemos não ter culpados directos. Porém, respeito opiniões dos que sustentam haver outros factos e cenários que gravitam em tornos de questões conjunturais, estruturais e outras. Até mesmo em relação aos treinadores e jogadores é que - verdade aqui seja dita!- só nos deram a ver futebol de "pantufas", contra a RDC, Madagáscar e RCA, agora em Bangui. Isto mentira?Dizer sim, não significa estar-se aqui a dramatizar o desfechos já havidos? Os resultados nos entristeceram ou não?. Não se trata de esquecer momentos bons. M muita coisa anda mal.

E tanto é assim que - e vejam só esta sua passagem - o presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, dirigente frente ao qual até tiro o chapéu em muitos bons desempenhos...Deixa-me só dizer que devido à alguma sua visão chegou a convidar o então presidente da FIFA, Joseph Blatter, a visitar Angola, para seja/esteja beneficiado do «Projecto Gol», que permite a construção de campos sintéticos, instalação de um sistema informatizado de inscrição e transferência de jogadores e a possível integração de membros da FAF em comissões do organismo que superintende o futebol mundial.

Mas isto, por si só, resolve o insucesso do nosso futebol? Eu ouvi Pedro Neto a dizer, no dia 31 de Março deste ano de 2016, que “não me vou demitir, porque o processo eleitoral obedece a um time (...)”.Questionado sobre as hipóteses de Angola se qualificar retorquiu, no mesmo dia: "O cenário é preto. E é preto porquê? Porque só um vitória aqui ainda poderia deixar, ainda que remota, esperança de podermos estar na fase final. Com esta derrota fica gorada, ou pelo menos, a maior parte das hipóteses de estaremos presentes na fase final do CAN com as consequências que daí advêm".

Não sei como diria agora o líder da FAF, mas o mesmo sabe que o nosso futebol, a nossa selecção...andam de candeia às avessas! Porque certa vez em Benguela disse e reconheceu que “quando o desempenho não é positivo temos de analisar se tem a ver com a capacidade, vontade ou com organização”.
ANTÓNIO FÉLIX

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