Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Partido MPLA: corrija o que est mal

15 de Outubro, 2018
Ao contrário do que muitas pessoas pensam ou chegam até mesmo a defender de que o desporto e a política mais do que intrinsecamente separados, devem estar “legalmente” divorciados, devo estar certo ao afirmar que o desporto e a política, são “irmãos gémeos, porém de pais e mães diferentes”.
Creio não estar totalmente errado, porém acho que não deixo de ter alguma razão!
Este ponto de vista introdutivo, vem justamente a baila pelo facto de o MPLA, partido que no país sustenta o Executivo, ter deliberado no passado dia 21 de Setembro do corrente ano, através do seu Secretariado do Bureau Político, uma proposta dos termos de referência para o diagnóstico dos desportos em Angola, com realce para as modalidades de alta competição, tendo para o efeito, segundo reza o documento tornado público, constituído um grupo de trabalho para a elaboração do referido diagnóstico.
A minha preocupação, que certamente muitos não deverão ter como sua, não esta virada sobre quem são as pessoas que devem fazer parte deste grupo de trabalho que certamente é ou será restrito, e se devem ou não serem revelados os respectivos nomes na praça pública.
Muito longe disso! A minha preocupação cinge-se ou melhor dizendo, se cingirá sobre os resultados do referido diagnóstico e o seu respectivo day-after.
Mas fico muito feliz da vida em saber que o MPLA, deixou ou melhor, vai deixar de olhar para o desporto nacional, que mais do que uma tábua rasa, se encontra hoje num verdadeiro “vale cheio de tumbas”!
Aliás, e que fique bem claro, compreendo e entendo a posição, do partido que para muitos é tido e achado como dos camaradas, mas que para mim é o partido da vanguarda.
É imperativo, que no actual estado em que se encontra o desporto nacional, o Executivo jogue o seu verdadeiro papel, que é o de definir definitivamente limites e limitações, para que o desporto nacional, seja visto como arma de combate ao desemprego e alienação da juventude, e como instrumento de educação e valorização de recursos humanos para atletas, treinadores e agentes desportivos, tornando-se efectivamente um digno porta-estandarte do país, do seu povo e juventude, dando de certa forma ao mundo um espelho cultural de uma nação, que todos os angolanos e não só se orgulharão de dizer: Angola no coração!
Porque deixa a todos os angolanos constrangidos, o facto de que após 40 anos de acompanhamento, com pouco ou quase nada feito em termos de desenvolvimento desportivo não termos ninguém que tivesse a coragem de publicamente definir se o desporto que se pratica em Angola é peixe ou é carne, isto é se o desporto de que pratica no país é de facto de rendimento e para alta competição ou é apenas para tornar ricos e milionários uma media dúzia de “pachecos”!
Estou muito curioso. Mas o que eu gostaria de ver mesmo, é o MPLA por meio do seu Executivo, a esmagar definitivamente a cabeça da serpente em vez de morder o calcanhar de Aquiles que enferma o desporto angolano, agregando logo após uma série de medidas versus projectos para o desporto que o país efectivamente precisa, evitando colocar no mesmo prato da balança uns e outros sem diferenciação!
É verdade, que o MPLA tem de ter coragem suficiente e de sobra para procurar fazer manobras que levem o desporto nacional a fazer a tão necessária curva, sem nunca perder o controlo do volante!
Em nota de conclusão, reforço o facto de que ao tomar tal decisão o Secretariado do Bureau Político do MPLA, cutucou o seu Executivo, sou não sei se foi com uma vara curta ou longa, para que tenha a plena noção de que Angola está mesmo inserida num mundo globalizado, que é cada vez mais competitivo, onde os países quer queiram quer não, tem as suas soberanias nacionais sujeitas a maior exposição pública e com recursos cada vez mais escassos, tornando-se imprescindível que se aposte em ferramentas que revitalizem o desporto nacional em termos “sociais” e “económicos”, para que o referido sector consiga num espaço de médio e longo prazo obter um crescimento mais sustentável e uma independência institucionalmente distanciada dos dinheiros e apoios provenientes do erário público.
Nzongo Bernardo dos Santos*

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