Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Passada do campeo e a situao da Cala

08 de Dezembro, 2018
Numa altura em que faz ainda eco no Continente, a retirada, pelo órgão reitor do futebol, a organização do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019 aos Camarões, por cá o nosso Girabola segue o seu curso normal, ainda que num ritmo pouco intenso. É verdade que no meio do pranto dos camaroneses, cresce a expectativa em torno de quem será o bafejado pela sorte, para substituir esta nação na organização.
É verdade também que candidaturas é o que não faltam e saltando à vista a intenção do Marrocos, que já dispara para todos sentidos e ao que se diz pelos quatro cantos com uma “quase condescendência” sobre a sua capacidade de organizar a competição, algo que, porém, não tem respaldo de muitos dos países da região austral do continente, que denunciam uma hegemonia exibida pelas nações do Magreb.
Todavia, cabe a Confederação Africano de Futebol (CAF), enquanto organismo que rege o desporto-rei nas várias latitudes do continente Berço da Humanidade, a última palvra sobre quem está, efectivamente, na “pole-position”, em termos de capacidade e de condições, para albergar a 32ª edição desta grande montra da modalidade.
Noves fora isso, o nosso campeonato caminha num ritmo brando, como se disse atrás. É verdade e não podia ser o contrário, se atendermos ao facto de que nesse momento estão apenas disputadas quatro jornadas e com o 1º de Agosto e Petro de Luanda, os dois maiores “papões” do futebol, a darem mostras claras de que estão aí – e muito calmamente – para assumir as suas posições de candidatos ao título.
Nessa altura, a equipa do “rio seco”, nas vestes de campeã em título, tem agora todas as baterias viradas para o campeonato e a Taça de Angola, porque depois do surprendente afastamento das Afrotaças, pelo AS Otôho D’oyo do Congo-Brazzaville, não lhe resta outra saída. E por falar nesse aspecto, estou em crer que o D’Agosto começou por ditar a sua sentença, na presente edição das Afrotaças, ao permitir que o seu oponente marcasse dois golos no jogo da primeira “mão”, disputado no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, não obstante ter dado a volta ao texto, apontando quatro tentos.
Na deslocação ao reduto do adversário, tal como previu o treinador-adjunto do conjunto, Ivo Traça, tornar-se-ia algo complicada a eliminatória, porque o AS Otôho poderia repetir a proeza de marcar dois golos em sua casa. E, efectivamente, foi o que aconteceu, para o desconsolo do emblema militar, que fez uma campanha de encher os olhos na edição anterior da “Champions League”. A derrota de 0-2 no Congo afastou o D\'Agosto. A eliminação do conjunto do rio seco, acaba por ser um duro golpe para os seus adeptos, que ansiavam um novo êxito nesta maior prova de clubes da CAF.
E se, por um lado, o 1º de Agosto está agora focado nas competições internas, o seu arqui-rival Petro de Luanda, mantém acesa a chama das Afrotaças, pois, depois de golear em casa o OrPA United FC do Botswana por 4-0, na última quarta-feira foi a Francistowm, mais concretamente no estádio Itekeng, impor uma nova vitória, desta por 2-0, ao seu oponente.
Desse modo, os tricolores jogam na próxima eliminatória da Taça da Confederação, a segunda maior prova de clubes do calendário da CAF, com o AS Nyuki do Congo-Democrático, com a primeira “mão” já na próxima sexta-feira, dia 14, no Estádio dos Mártires, em Kinshasa, e a segunda em Luanda, a 21 do corrente mês.
Tal como o D’Agosto, o Petro também está focado no Girabola, onde desde 2009 não chega ao pódio. Por isso, adivinha-se uma luta titânica, entre os dois maiores emblemas do futebol nacional, no que ao título do Girabola Zap de 2018/2019 diz respeito.
Nesse momento, o Petro, que se exibe nas vestes de vice-campeão, segue de perto a passada dos agostinos, que lideram a prova com 10 pontos, mercê de três vitórias e um empate. O Petro, com oito pontos, está no segundo posto “ex-aquo” que o Progresso do Sambizanga, que ocupa neste momento a terceira posição da tabela de classificação.
É verdade que ainda é muito cedo, para se fazer conjecturas sobre aquilo que vai ser o desfecho desta competição, que voltou agora à forma inicial – disputa no final de um ano e estendendo-se para o subsequente –, mas ainda assim, é fundamental, numa competição do género, amealhar-se o maior número de pontos possíveis nesta fase, porque depois no final das contas acabam sempre por pesar na balança.
E estou em crer que quer o 1º de Agosto, quer o Petro e outros concorrentes que entram na discussão do título, como o Interclube e Kabuscorp, só para citar estes, procuram nessa altura, assumir posições de vanguarda. Cenário semelhante, verifica-se no seio das equipas do meio da tabela e das que se posicionam na zona movediça da tabela.
E terá sido com esse espírito, que o “regressado” Atlético Sport Aviação (ASA) conseguiu, com efeito, uma importante vitória no último domingo sobre o Kabuscorp, que lhe permitiu subir alguns degraus na tabela de classificação geral.
Em sinal de desespero, parece estar o Recreativo da Caála do Huambo, cujo presidente do clube, Horácio Mosquito, roga a remarcação do jogo, que deveria opor, na primeira ronda, o emblema do Planalto Central ao Santa Rita de Cássia do Uíge, previsto para a cidade do “bago-vermelho”.
O líder da equipa do Huambo assumiu, que a remarcação deste jogo ou não pela Federação Angolana de Futebol (FAF), pode definir a continuidade da equipa na fina-flor da modalidade, algo que poderá fazer transbordar muita água debaixo da ponte, tal como no Progresso, onde os jogadores não vêem um tostão pintado há mais de um ano. Sérgio V.Dias

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