Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Passar prtica

06 de Janeiro, 2015
Na ressaca da entrada para o ano 2015, que ainda galga os primeiros momentos, em função dos registos das diferentes selecções nacionais, com destaque para a de seniores, a situação actual do futebol que se desenvolve em Angola, continua a ser o foco de muitas conversas entre agentes da modalidade e não só.As opiniões divergem, como é lógico, uma boa parte das pessoas entre as quais o presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos “Nandó” e o Ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba consideram que em 2014, o “futebol nacional podia ter tido uma colheita mais positiva”, outros (poucos) são de opinião que o seu desenvolvimento foi negativo. É certo que na procura do melhor para o futebol nacional, as opiniões divergem.

Aquando da campanha eleitoral que levou ao triunfo o actual elenco federativo, defendia a materialização de acções que visassem dotar de maior consistência, a revitalização do futebol feminino, o desenvolvimento da modalidade a partir dos escalões de formação dos clubes, como principal vector da sustentação do desporto rei no país, eram pois as suas principais balizas de actuação.Enquanto a actual direcção não apresentar o balanço das acções que desenvolveu e que está a levar a cabo, uma vez que a maioria dos clubes está em fase de preparação da próxima época, que como é do conhecimento geral, arranca 4 de Fevereiro, para se evitar que diversas equipas na ânsia da obtenção de resultados imediatos, contratem atletas já formados, a maioria nas fases descendentes da sua carreira, em detrimento dos jovens com larga margem de progressão, a FAF devia em harmonia com os clubes, encontrar mecanismos para que os escalões de formação, desfrutem das condições ideais para que os objectivos sejam atingidos.

É ponto assente, que sobre o assunto já se escreveu e falou muito, sem aparecer os resultados palpáveis. Para se evitar falhas nos escalões subsequentes, a partir dos infantis, não se deve admitir que dirigentes de clubes coloquem em plano secundário, ao invés de criarem as condições adequadas para os escalões etários, que se consubstanciam em equipamentos, botas, bolas e campos propícios ao trabalho que se pretende, assim como técnicos munidos de conhecimentos académicos e científicos, para trabalhar com os infantis, iniciados, juvenis e juniores.

O surgimento da Academia de Futebol de Angola (AFA), da academia de formação do 1º de Agosto, das escolas do Petro de Luanda, Norberto de Castro, e outros núcleos que começam a dar os primeiros passos, são ainda poucos, dada a dimensão populacional e futebolística de Angola. Como forma de se acautelar o futuro do futebol nacional, a direcção da FAF deve ser mais rígida no que diz respeito ao controlo da forma como é desenvolvido o futebol nas camadas jovens dos clubes, fundamentalmente nos que participam nas competições oficiais. Distantes de qualquer sentimento de xenofobia, o Ministério da Juventude e Desportos, como departamento governamental que regula a política desportiva nacional, ou a FAF, como órgão executivo para o futebol, devem igualmente regular a contratação de atletas estrangeiros.

Neste aspecto, são inúmeros os exemplos que podem ser adaptados à realidade, como o limite no número (em caso de trazer mais valia) a cada clube, assim como a sua idade, como forma de acabar-se com a contratação, muitas vezes a preço de ouro, de atletas em fim de carreira, que não justificam o montante investido na sua contratação.Os montantes financeiros nem sempre garantem o retorno desejado em termos de resultados, na contratação de atletas estrangeiros, que devem ser encaminhados aos escalões de formação.Outro aspecto, prende-se com a obrigatoriedade das equipas do Girabola, em inscrever um determinado número, a ser estipulado, de atletas saídos do escalão júnior, depois de ter adquirido alguma experiência em competições nos escalões inferiores.
Leonel Libório









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