Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Patriotismo com 1 de Agosto

27 de Setembro, 2018
Fiquei pasmado ao ler certos comentários, que me deixaram deveras triste e desiludido.
É verdade, que os adeptos do Petro não são obrigados a apoiar o 1º de Agosto, assim como, a esmagadora maioria dos adeptos do Real Madrid, normalmente não apoia o Barcelona e vice-versa, os do Porto não apoiam o Benfica, os do Vita Club não apoiam os do TP Mazembe, etc.
Todavia, os defensores desta tese esquecem-se, certamente, que a realidade daqueles países em termos competitivos, comparativamente à nossa, é muito diferente. Estão a décadas de distância e bem à frente.
Ora vejamos: em Espanha, se o Real Madrid não for campeão europeu, pode ser o Barcelona ou vice-versa, e depois pode, hipoteticamente, ser o Atlético de Madrid ou outro clube espanhol. Em Portugal, tanto o Benfica como o Futebol Clube do Porto e até mesmo o Sporting, com a Taça das Taças têm conquistas europeias nos seus ricos palmarés. No Congo Democrático, tanto o TP Mazembe como Vita Club, ou o Motemba a Pembe têm conquistas africanas.
É normal que nestes países a rivalidade se estenda além fronteiras, ou seja, a nível internacional, porque são competitivos e de tempos em tempos conseguem colocar equipas ao mais alto nível. No nosso caso em concreto, tivemos o 1º de Maio em duas finais da Taça CAF, uma nos anos 80 e outra, nos 90. O Petro, na final da Taça das Taças em 97 e seguiu-se o D\'Agosto, em 98, jogos que felizmente assisti ao vivo na Cidadela. Posteriormente, as meias-finais do Petro para a Liga dos Campeões, em 2001, se não me atraiçoa a memória, nada mais verdadeiramente digno de realce.
Tendo em conta o nosso historial pobre e o estado lastimável que atingiu o nosso futebol nos últimos anos, algo que é do conhecimento geral, enquanto angolano apoio incondicionalmente e sinto-me orgulhoso pelo resultado do 1º de Agosto, que neste momento, é sem sombra de dúvidas, um assunto que ultrapassa a esfera do clube militar, que está a representar condignamente a “nação desportiva angolana”, que por sua vez, necessita de recuperar, urgentemente, o certo prestígio atingido outrora internacionalmente, embora, sem títulos de relevo nos tempos em que quem fosse jogar à Cidadela, nos anos 80 e 90, podia até vencer, mas era muito difícil. Quem o fizesse tinha de suar, de jogar futebol à sério, futebol de qualidade, caso contrário, saía vergado da antiga catedral.
Apoiar o D´gosto, neste momento, é na minha visão um acto de patriotismo. E, nenhum adepto nacional, seja de que clube for, não deve recear ou ter vergonha de fazê-lo. E, em sentido contrário, quem não o fizer ou não queira fazê-lo, não deixa de estar no seu direito, é uma decisão pessoal e a ser respeitada, mas não deve censurar os que o fazem, em nome do engrandecimento do desporto angolano.
O resultado do clube do Rio Seco pode contribuir positiva e decisivamente, para a melhoria do nosso ranking ao nível de clubes, e quer queiramos quer não, o benefício é de todos. Que este resultado sirva de mola impulsionadora às outras equipas angolanas para as próximas edições das Afrotaças. Que vejam que afinal somos capazes.
Infelizmente, nunca ganhámos nada, e é verdade que não é certo que o façamos agora, mas se os rubro - negros vencerem, estejam certos que vou saltar e vibrar, porque Angola necessita dessa alegria, o povo angolano necessita desta alegria. Rivalidade desportiva sim, por um lado é natural, mas por outro, não menos importante, mais unidade e união nos momentos em que esteja em causa o bom nome de Angola.
Portanto, hoje mesmo, sendo petrolífero ferrenho, independentemente do que se passou no Girabola, grito sem nenhum complexo.
Omar Ndavoca | Jurista


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