Jornal dos Desportos

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Opinio

Pavilho meteu gua

24 de Março, 2015
Um ponto prévio: A qualificação da Selecção Feminina de Andebol para os Jogos Olímpicos do Rio’2016 merece uma ininterrupta salva de palmas. Decidimos reflectir em torno do Pavilhão Principal da Cidadela, o mítico pavilhão, que viu Angola ganhar o seu primeiro Afrobasket em 1989, o pentacampeonato em 1999, assim como o nono em 2007. Aliás, o primeiro título de basquetebol foi em 1980, com a célebre selecção comandada por Jean Jacques da Conceição e Mário Palma (ou o inverso, não importa).

Porquê voltar a abordar o Pavilhão Principal da Cidadela? A razão é que o recinto voltou a meter água. Desta vez não foi pelo tecto, mas pelas laterais. Para mim, pouco importa por onde entrou para molhar o recinto e impedir o jogo de andebol por 40 minutos.De memória não consigo contabilizar quantas vezes o Pavilhão Principal da Cidadela foi reabilitado. Aliás, sempre que recebeu uma competição importante beneficiou de obras. Porém, a eterna maka da infiltração da água nunca ficou resolvida.

De arquitectura não entendo nada. Mas não preciso de muito para compreender que a actual configuração arquitectónica do Pavilhão da Cidadela é susceptível de receber água pelas laterais. Basta olhar com olhos de ver.Contudo, entendo que o Estado já não devia gastar mais um tostão para reabilitar o Pavilhão Principal da Cidadela. A minha opinião pode ser radical, mas o que me ocorre é alienar o Pavilhão. Ou seja, passar a associações desportivas privadas, clubes de Luanda de preferência.

Numa altura em que a linguagem é contenção de despesas por força do aperto que a queda do petróleo impõe, o melhor é o Estado desfazer-se desse elefante branco. Sei que os compatriotas vão dizer que sou capitalista ou qualquer outra coisa do género. Contudo não vislumbro outra saída para esse cortejo de desperdícios de dinheiro do Estado para um único recinto.

Considero que o privado (ou os privados, podem ser dois ou três clubes proprietários do recinto) tem maior rigor com qualquer intervenção que se faça. Luanda tem, aliás, outro recinto, o Pavilhão do Kilamba. Por isso, não há razões para temer o que quer que seja. Salvo melhor opinião, a tendência mundial é para os Estados colocarem esses recintos nas mãos de privados, para simples gestão ou então vender mesmo.

Esses recintos que não são capazes de se auto-sustentarem representam um fardo pesado para os cofres do Estado. Os estádios construídos para acolher o CAN, por exemplo, custam nunca abaixo de dois milhões de dólares/ano para a sua manutenção.O Pavilhão da Cidadela não custa tanto, porém, nunca é abaixo de centena de milhares de dólares por ano. Com tantas preocupações que o Estado tem nos seus ombros, o melhor para mim é desfazer-se da Cidadela.
Teixeira Cândido

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