Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Pelo tratamento causa desportiva, conhece-se o pas

14 de Junho, 2018
Quem nos trava na nossa maneira de pensar e agir? As evidências mostram que se é que pensamos bem, então, estamos a agir mal. Os conceitos de boas práticas, melhor organização e planificação estão hoje a um clique. Basicamente, sabe-se, aliás, o que se deve fazer para que se chegue com sucesso ao fim de mais uma jornada, de um desafio.
O exemplo serve para a política, para a organização na vida social e para o desporto. Está a começar o mundial de futebol. O sucesso ou insucesso servem para aferir o nível de organização da Rússia, na programação, planificação e grau de execução do evento. Claro que houve muitos gastos, mas também pode haver receitas avultadas. O país ganha com a realização de uma festa desportiva como esta. Para tal, obviamente, teve que se esmerar na organização em todos os domínios.
As selecções que participam deste mundial, para lá chegarem, tiveram de se submeter a enormes sacrifícios para estarem apuradas e hoje disputarem a fase final. Para isso, tiveram de entrar numa planificação financeira aturada. Tudo se faz com muita antecipação e cumprimento do planificado e muita conversa entre os sectores. Entre as mais tradicionais, com certeza, quem melhor se estruturou, se organizou, surge com mais possibilidade de levar o troféu mundial para a casa.
O exemplo está na Alemanha que foi campeã no Brasil. O resultado humilhante do país anfitrião patenteou a dose de seriedade e cumprimentos dos objectivos, por parte da selecção do país de Angela Merkel. Aqui, internamente, admite-se que fomos durante muito tempo os papões do basquetebol africano, porque as outras fortes selecções africanas, diz-se, preparavam-se e organizavam-se mal. Hoje, aprenderam com os seus próprios erros.
Nunca mais ganhamos um campeonato africano de basquetebol. Muitos alegam que fizemos o inverso das outras selecções do continente. Deixamos de nos organizar devidamente. E se se tiver em conta a máxima de que uma boa organização é a chave do sucesso, então, não estamos a descobrir a chave no feixe. E assim a nossa trajectória não pode ser feliz, salvo sorte grande.
Se nos apegarmos aos que defendem que a fase em que a sorte ditava a sorte acabou, então, só com organização, investimento e trabalho se chega ao sucesso. A menos que o discurso continue a ser o mesmo: “Isto é Angola”. Queremos continuar imparável no desafio de fazer de Angola um país melhor e de boas referências em todos os sectores, em tudo em que possamos estar envolvidos. Julgamos que o desporto é uma boa vitrina. Pelo tratamento à causa desportiva, conhece-se o país.
Pensamos que, no fim do mundial de futebol, vamos saber mais e melhor que Rússia de Putin é esta?! Amada e odiada ao mesmo tempo. Retirada do G7, mal “compreendida” no conflito da Síria, acusada no caso do ataque aos espiões Serguei Skripal e sua filha Yulia, na cidade inglesa de Talisbury, enfim. Vamos ver o país na forma como vai abordar o evento e como vai tratar os visitantes e os turistas.
Nada funciona isoladamente. É bom definir prioridades e o nosso país tem muitas. Mas é bom lembrar sempre aqueles momentos em que oportunamente se fazem por si mesmo prioridades. Pelo desporto também podem advir outras vitórias importantes. Silvio Berlusconi. Quer se queira, quer não, mas o desporto é o ópio do povo. Reúne consenso. Gera manifestações positivas. A nossa selecção de basquetebol sénior masculina gera manifestações positivas. Repetimos, pelo tratamento à causa desportiva, conhece-se o país. Um desafio para a Rússia.
Agostinho Chitata

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