Jornal dos Desportos

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Opinio

Pensar a Liga de Clubes

26 de Fevereiro, 2016
Depois de um grupo de presidentes e responsáveis de clubes do Girabola, se terem debruçado sobre o assunto, em 2015, a criação da Liga de Clubes de Futebol (LCF), cuja intenção está a ganhar corpo novamente, é apontada por uma significativa franja de agentes da modalidade, como uma forma de “desafogar”, a federação angolana do desporto rei.

Esta prática que é desenvolvida em muitos países, com incidência para os do continente europeu, faz com que as federações chamem a si a organização e responsabilidade do futebol no domínio das selecções nacionais, assim como a vertente burocrática e administrativa. À Liga, por sua vez, competirá a programação e realização dos campeonatos de clubes em todos os escalões, assim como conferir o figurino que melhor achar conveniente e que se adapte a realidade de Angola. Há quem partilhe a opinião segundo a qual, a calendarização do Girabola-Zap deve ser ajustada aos demais campeonatos dos países africanos, para permitir que as equipas que representem Angola nas competições da Confederação Africana de Futebol (CAF), se apresentem com alguma rotatividade competitiva. Esses agentes do futebol, defendem também que, a exemplo do que acontece com a Segundona, o “Nacional” de juniores deverá ser disputado sob o sistema de séries regionais, enquanto que os campeonatos de reservas deverão ser realizados a nível provincial. As questões relacionadas com a arbitragem, que deve acompanhar o nível de desenvolvimento e o estágio do futebol nacional, devem igualmente ser da responsabilidade da Liga.

Em caso do seu surgimento, será da competência da Liga, que em termos metodológicos se deve submeter a estrutura federativa, propor por intermédio da FAF, ao Ministério da Juventude e Desportos, a regulamentação ou legislação sobre o número de atletas estrangeiros, assim como nível dos treinadores expatriados a serem contratados pelos clubes nacionais. Ao se proceder dessa forma, vai-se contribuir para diminuir e fazer com haja mais transparência na contratação de atletas e de treinadores estrangeiros para o futebol nacional. Deverá ser igualmente da alçada da Liga, o pronunciamento sobre os procedimentos para a contratação de treinadores estrangeiros pelos clubes nacionais, alguns dos quais se têm debatido com dificuldades financeiras. Isso sem o desmerecimento da capacidade dos expatriados, que na maior parte das situações, exigem integrar nas suas equipas técnicas, adjuntos, preparadores físicos e fisioterapeutas, seus compatriotas. Não é do conhecimento público, qual média que os clubes gastam por época com os seus salários, mas é sabido que existem técnicos, preparadores físicos e fisioterapeutas angolanos, com qualificação e provas demonstradas, capazes de efectuar melhor trabalho do que aqueles, a menos custos. Essas receitas poderão, por exemplo, ser canalizadas para os escalões de formação, o sustentáculo do futebol nacional a nível dos sectores subsequentes, esquecidos em alguns clubes, que priorizam a obtenção de resultados imediatos.

A criação da Liga de Clubes, para além de um parecer sobre as transmissões televisivas, vai possibilitar que a utilização dos patrocínios e de outros apoios financeiros que venham a ser arrecadados, sejam do domínio público, ao contrário do que acontece com os 05 milhões de Euros convertidos em Kwanzas, conseguidos em função da parceria com a rede de televisão

Zap, que a federação angolana da modalidade se escusa a indicar qual o fim que será dado ao montante em causa. Informações desencontradas, dão conta que o montante disponibilizado pela Zap, deverá ser encaminhado para o futebol de formação, o que está a provocar uma série de interrogações por parte dos agentes da modalidade. É ponto assente que as acções ligadas a massificação desportiva e aos escalões de formação, no caso do futebol, são da competência do Governo, que traça políticas direccionadas para tal, enquanto que o profissional ou de alta competição, é da responsabilidade das federações. No caso, os responsáveis pelo futebol nacional, ainda não anunciaram quanto é que vão atribuir ao campeão nacional. É preciso não esquecer que o montante que envolve a parceria FAF/Zap, é do conhecimento do público.
Leonel Libório

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