Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Perder e ganhar

09 de Julho, 2018
Quem anda no desporto por gosto, sabe, de cor e salteado, que êxito e fracasso estiveram sempre de mãos dadas. Portanto, quem compete arrisca-se a ganhar ou a perder, sendo por esta razão que, da mesma forma que ovacionamos os vencedores, devemos também ser complacentes com aqueles que acabam derrotados, ou com safra aquém das expectativas iniciais.
No Campeonato do Mundo de futebol, o título está reservado a apenas uma selecção, mas nele participaram 32, que, na certa, desenvolveram trabalho intenso para o efeito e estabeleceram metas competitivas. É certo que nem todas traziam as mesmas ambições. Estas se ajustam ao nível de cada uma, havendo quem se alegrou com o simples facto de ter chegado aos oitavos-de-final.
Muitas selecções consagradas, donas de rico palmarés, fracassaram. Umas na fase de grupos, outras nas fases a eliminar. De outro modo não podia ser. E alegra saber que em todas situações de desqualificação as reacções dos países, do povo, das federações foram quase todas pacíficas, sem quaisquer espécie de retaliações, como às vezes acontece.
Houve selecções que, mesmo afastadas da prova, foram recebidas nos respectivos países por um banho de multidão. Com pompa e circunstância. Vimos isto mesmo nas imagens que nos chegaram de Medelim, no regresso a casa da Colômbia, que chegou aos quartos-de-final, falhando as \"meias\" por manifesta falta de sorte.
Os colombianos reconheceram o trabalho da sua selecção, a luta que deu aos adversários, e sobretudo a ousadia que lhe permitiu chegar onde chegou, aplicando um tremendo susto aos ingleses, tidos como donos do futebol por serem do país onde, de acordo com os registos, também nasceu a modalidade mais popular do mundo.
É salutar quando se anda no desporto com o espírito preparado para ganhar ou perder, embora ainda existam alguns casos, isolados, daqueles que só reconhecem as vitórias, mudando de cor ou reagindo irracionalmente, quando o resultado não seja satisfatório. Felizmente, o mundo do futebol está hoje mais urbano, os homens estão preparados para o bom e o mau.
Todas as equipas, mesmo aquelas que voltaram mais cedo a casa, não cumprindo minimamente com as metas estabelecidas, acabaram bem recebidas. Na Argentina, por exemplo, Jorge Sampaoli deve continuar à frente da selecção, até porque, esquecidas as agruras da Rússia, está reergue-se para a Copa Sul-América, em 2019.
O fracasso no Campeonato do Mundo está esquecido. E falamos de uma selecção que, tendo perdido a final do campeonato passado, não tinha outra meta que não fosse a conquista do título. Na Alemanha ainda não chegaram informações, apontando para a possibilidade do afastamento de Joachim Low. O mundo moderno assimilou o conceito de que quem sabe ganhar deve também saber perder.
Única nota negativa a salientar, foram as reacções racistas de internautas brasileiros contra Fernandinho, que teve a desdita de marcar na própria baliza, no jogo que ditou o afastamento da canarinha diante da Bélgica. Mas vindo isto da sociedade brasileira, hoje por hoje, talvez, a única na superfície da terra que ainda padece de preconceito racial, não surpreende.
O campeonato ainda decorre, agora com apenas quatro equipas, sendo apenas uma destas que vai levantar a taça, no próximo domingo. Esperamos que aquelas que forem incapazes de o fazer, não venham a ser penalizadas pelos respectivos governos. Até porque se chegaram às meias-finais não foi com uma cantiga. Longe disso.
Os jogos, vistos de fora das quatro linhas parecem fáceis, mas é dentro onde se vê quem é quem. Por tudo isso, devem ser merecedoras de respeito e consideração, as 32 selecções que chegaram à Rússia, mesmo aquela que, por alguma eventualidade, não tenha somado sequer um ponto de honra. Não é fácil. Matias Adriano.

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