Jornal dos Desportos

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Opinião

Peso dos estrangeiros durante o campeonato

14 de Novembro, 2017
Com a disputa da final da Taça de Angola ganha pelo Atlético Petróleos de Luanda, está encerrada a época futebolística referente ao ano civil 2017, aguardando-se, apenas pela homologação que, de norma, deve ser feita pelo órgão que rege a modalidade, no caso a Federação Angolana de Futebol.
Penso ter sido a melhor forma de encerrar a temporada futebolística, pois estiveram frente a frente os maiores clubes angolanos, que jogaram também numa espécie de tira teimas, que veio a confirmar o equilíbrio que tiveram neste ano, em que cada venceu e perdeu um, e empataram, igualmente, um jogo.
Simplesmente pelo equilíbrio dos resultados nos jogos entre si, fica difícil estabelecer supremacia de uma sobre a outra, até por que, no Girabola ZAP, as equipas ocuparam a primeira e segunda posição; ou seja, 1º de Agosto (campeão) e Petro de Luanda (vice campeão).
Em jeito de antecipação, apraz-me dizer que, em função das conquistas de cada uma delas, a próxima época desportiva será aberta com o aliciante Petro versus 1º de Agosto, (não interessa a ordem), que vão disputar a Super Taça, a princípio realizada a 4 de Fevereiro, dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional.
Então, que venha mais um dérbi para o gáudio dos aficcionados do desporto rei, sobretudo os sócios, adeptos e simpatizantes das equipas em referência, que terão mais uma oportunidade para mostrar quem é melhor, discussão que está longe de ser chancelada pelo consenso, considerando a forma intensa como cada “claque” defende a qualidade da sua equipa.
m relação aos treinadores, não restam dúvidas que, Dragan Jovic, Beto Bianchi e Ekran Asma, que classificaram as respectivas equipas na mesma ordem, merecem a apreciação positiva de terem sido mais-valia para o que foram os resultados alcançados, longe, claro, de qualquer intenção de se atribuir a eles, de forma isolada, os louros pelos êxitos conseguidos.
Diga-se o se quiser, e fazendo analogia com a lógica que durante algum tempo perdurou na Federação Angolana de Basquetebol, quanto à escolha do Seleccionador Nacional, não restariam dúvidas (apesar de serem normais nas sociedades humanas), que a indicação para técnico dos Palancas Negras, recairia a Dragan Jovic.
Mas, deixando estas contas para outro rosado, e porque no futebol quem dá mesmo a maioria alegria são os jogadores, estes também merecerem a nossa apreciação, na mesma senda dos melhores serem “estrangeiros”, salvaguardando a apreciação que cada um é livre de fazer.
Neste particular, Tiago Azulão, cobre-se de todas as estrelas reluzentes da arte de marcar golo, o que faz dele, igualmente, o melhor que vimos a jogar naquela posição cuja incumbência maior é fazer golos, que como diz o outro, \"são as vitaminas do jogo\".
Não fosse a chegada algo tardia ao nosso campeonato nacional, adicionado à onda de lesões que não o permitiram fazer mais, talvez não ficaria mal fazer igual referência ao avançado do 1º de Agosto, Rambé.
E por que até diz-se que \"os ataques ganham os jogos e as defesas, os campeonatos\", penso ser justa a qualificação de Bobó, defesa central do 1º de Agosto, como o jogador do ano, o que serve de corolário da época irrepreensível que realizou em defesa da trincheira dos militares do Rio Seco.
Finalmente, e com os devidos descontos, uma referência à Geraldo, que apesar de não ser estrangeiro, entra neste leque pelo facto de grande parte da sua carreira ter sido consolidada no Brasil, e veio dar um toque de alegria à qualidade do futebol angolano, com o regalo na forma de abordar os lances e a sua intimidade com a bola.
Posto isto, a conclusão, ainda que não seja consensual, é que os \"estrangeiros\" têm o seu peso no nosso futebol. Carlos Calongo

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