Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Policarpo da Rosa

Pesos pesados na luta eleitoral

24 de Novembro, 2016
O futebol nacional, a nível das selecções nacionais, vive momentos de turbulência dentro e fora de campo. Nas quatro linhas, os resultados ficaram aquém do esperado, motivo pelo qual os aficionados, fora dele, mostram-se indignados com os resultados alcançados pelas diversas selecções nacionais. Neste quadro, abro uma excepção ao combinado nacional de Sub-17, que garantiu o visto para a fase final da Taça de África das Nações, a disputar-se em Madagáscar, no período de 2 a 16 de Abril.

Nos demais escalões, a tragédia teve proporções alarmantes, motivo pelo qual os amantes do futebol não escondem a decepção, com o momento da modalidade.Se o momento é de críticas ao desempenho do futebol nos últimos anos, então, em minha modesta opinião, o principal argumento para promover as mudanças que se impõem são as eleições no órgão reitor da modalidade, porque verdade seja dita, o futebol precisa urgentemente de uma reviravolta.

Aliás, nos bastidores, o assunto que mais se comenta nos dias que correm são as eleições na Federação Angolana de Futebol, agendadas para o próximo dia 17 de Dezembro.Um acto que se espera concorrido e abrangente, em função dos três candidatos assumidos e que visa reforçar sinergias e promover um diálogo universal ainda mais permanente com todos os associados. José Luís Prata, Artur de Almeida e Silva e Osvaldo Saturnino de Oliveira, são os três pesos pesados, que concorrem à sucessão de Pedro Neto, que num gesto de dignidade, optou por não concorrer à sua reeleição.

Os resultados negativos alcançados pelas demais selecções no seu consulado, devem estar por detrás desta decisão, que acho muito acertada. São três os pesos pesados que concorrem ao cadeirão da FAF. Por ironia, os três já desempenharam cargos no órgão reitor do futebol nacional. Todos já foram vice-presidentes, por isso, conhecem perfeitamente os cantos à casa. Como se não bastasse, Artur de Almeida e Osvaldo Saturnino, já participaram em outros pleitos eleitorais e não se deram bem. Foram derrotados.

A Comissão Eleitoral apresenta hoje o quadro de elegibilidade das listas concorrentes, e amanhã inicia a campanha eleitoral, que tem o término aprazado para o próximo dia 15 de Dezembro, dois dias antes das eleições, para o período de 2016/2020.
Um acto eleitoral é sempre uma possibilidade muito boa para uma reflexão, para o momento que estamos a atravessar, e o que pretendemos construir. O tom da campanha dos três concorrentes tem de ser muito positivo, não deixando de enaltecer o que pretendem para o salto qualitativo que todos os angolanos desejam para o nosso futebol.Uma coisa é concorrer, outra é apresentar programas e projectos incisivos, que concorram para tirar o futebol do marasmo em que se encontra. Terão os três concorrentes capacidade para alterar o actual estado do nosso futebol?

Esta é a questão que coloco na mesa, porque a prática demonstra que muitos dos nossos dirigentes aproveitam o desporto para dele se servirem, e não para servirem o desporto na verdadeira acepção da palavra. Não estou a dizer nada de errado, aliás, há muitos exemplos que podia aqui citar, mas não o faço por uma questão de princípio.

Pessoalmente, acho que os gestores são actores fundamentais de uma rede complexa, dinâmica de interacções económicas. Muitos trabalham para a integração de acções para o alcance de resultados que beneficiem esta ou aquela estrutura.A compreensão da dinâmica em redes do contexto institucional, permite que os gestores construam um ambiente cultural diferenciado, nas instituições para as quais trabalham e realizam significativas alterações.

No fundo, são todos estes itens que espero do futuro presidente da FAF. Os três candidatos são homens do futebol. Não apoio este ou aquele. Convivi com os três durante todo o tempo que levo de jornalismo desportivo, por isso, o que peço é que não defraudem às expectativas daqueles que vão às urnas para votar.

Que o vencedor tenha de facto vontade de mudar o quadro actual do nosso futebol, e não assenhorar-se do cadeirão máximo da FAF. Pode não ser bom para este ou aquele grupo, mas tem de ser competente para fazer as alterações que se desejam.O futebol fica muito acima dos desejos deste, ou daquele grupo, porque o que é bom para o futebol tem de ser bom para a Nação, para os adeptos do desporto - rei.Até para a semana.

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