Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Pessoas certas no faltam, mas...quanta falta fazem!

01 de Julho, 2019
Para se estar em \"dia” e em \"forma\" no marketing é preciso estratégia, objectivos definidos e saber medir resultados. Já li e ouvi esta frase inúmeras vezes e eu próprio já repeti em vários contextos.
Neste momento, até acho que a mesma se tornou uma \"commodity\". Assumindo que estes pressupostos são uma condição de partida, que outros factores podem fazer a diferença numa estratégia de marketing e sobretudo de marketing desportivo?
A meu ver neste momento existe uma condição necessária e as restantes acabam por ser combinações derivadas deste “core”: PESSOAS.
Repito pessoas – sim ter as pessoas certas é essencial.
E olha que coloco pessoas propositadamente em vez de colaboradores ou recursos humanos. Hoje em dia não basta ter formação em marketing ou comunicação. Fala-se cada vez mais num perfil \"martech\" como uma competência-chave para desempenhar funções na área.
É importante perceber de gestão e marketing, para se dominar conceitos-chave como segmentação, targeting e posicionamento. Perceber sobre o ciclo de vida do merchandising, por exemplo, e em que fase deste ciclo se deve comunicar o quê e de que forma.
É importante também na vertente da comunicação, dominar os vários canais existentes, saber articular os meios próprios, pagos, conquistados e partilhados e saber identificar as principais métricas e elaborar modelos de atribuição próprios.
Contudo, para se ser um profissional de sucesso nesta área tem que se perceber de tecnologia, saber o que é um algoritmo, tentar entender como funcionam os algoritmos das diferentes plataformas (Google, Facebook, etc), perceber de usabilidade das mesmas, de aplicações, como funcionam os motores de busca, de modelos de monetização de cada um, dos novos formatos possíveis, de optimização e de performance.
E é precisamente aqui que as competências são difíceis de encontrar.Este \"merge\" entre marketing e tecnologia é algo raro, pois estas áreas ainda estão muito compartimentadas e pouco multidisciplinares dentro dos clubes e selecções nacionais.
Resultados? Não se accionam os meios, não se optimizam os recursos, não se pensa na experiência do utilizador, descuraram-se as sondagens de opinião e contenta-se com o banal.
Na minha opinião o cerne da questão neste momento está mesmo centrado no perfil necessário para desempenhar as funções de gestor de marketing desportivo de sucesso.
E aqui, para além da combinação entre um background de marketing e tecnologia são necessários também soft skills como resiliência, um espírito curioso e de procura constante de inovação e saber, e também capacidade de trabalho em equipas multidisciplinares.
Por fim, são necessárias pessoas e não colaboradores. Pessoas que vistam a camisola, envolvidas com os objectivos do clube e que vibrem com cada projecto.
Que não sejam vistas com um recurso mas como uma fonte. E por isso é que há neste momento um défice no mercado destes profissionais. Há muitos com a formação base mas poucas são as pessoas que combinam estes factores críticos indispensáveis hoje e este também é um desafio para as organizações, escolas e academias.

(*)Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo

Zongo Fernando dos Santos

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