Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Petro e DAgosto para ...sempre!

08 de Agosto, 2017
Uma coisa é certa: enquanto houver futebol; enquanto tivermos na nossa praça estes dois grandes clubes - Petro de Luanda e 1º de Agosto - enquanto continuarem a disputar competitivamente o espaço futebolístico, dentro ou fora de campo; perseguir títulos, podemos ter a certeza desta verdade nua e cria: a troca de palavras não vai cessar.

São coisas próprias desta vida do jogar, seja à moda do amadorismo seja a do profissionalismo. Mesmo nos jogos de \"zulas contra zuatas\" ou de \"solteiros e casados\"será que não há jogo de palavras?

Na minha opinião isto só não era assim - porque não era permitido - quando o grande 1º de Agosto dava-se ao luxo de ir a outros clubes buscar, autoritariamente, os seus craques, sob pena de, vendo-se rejeitado, ordenar imediatamente o bom jogador da equipa civil...ingressarem nas antigas FAPLA. Os rapazes de hoje, adeptos de hoje duvidarão, mas foi a mais pura realidade no outro tempo.

E porque se trata, mais uma vez, do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, não nos podemos esquecer que, ainda há dois anos, houve uma questão polémica que deu que falar, quer entre os dois clubes, quer entre os seus dirigentes, quer entre os seus adeptos: falo do caso Ladji Keita!

Numa primeira fase, só para recordarmos, a direcção do Petro de Luanda desconfiava apenas que algum clube grande do futebol nacional estava por trás da atitude do seu avançado, que já não aparecia nos treinos, mesmo sabendo que o contrato com o clube terminaria no fim desta época de 2015, após a final da Taça de Angola, daquele ano em que a formação petrolífera defrontaria o Benfica de Luanda.

Depois, já nos bastidores, passou-se a comenta-se que o grande \"namoro\" ao goleador estava mesmo a ser feito pelo 1º de Agosto, mas os dirigentes deste clube militar já diziam que não estava, isto é, não piscavao olho ao jogador. Isto foi o suficientes para os dois clubes entrarem depois numa guerra de palavras. O Petro até chegou a suscitar a ideia de processar o craque senegalês que depois, e isso veio a saber-se mais tarde, afinal ele próprio é quem pretendia jogar pelo 1º de Agosto. Quem não se lembra disso?

Só que, nem o Petro de Luanda, nem o 1º de Agosto ganhou no \"jogo das palavras\". Keita foi-se embora sem responder à convocatória que lhe tinha sido endereçada pelo Conselho de Disciplina da Federação Angola de Futebol (FAF), e por esta razão, não se deu sequência ao processo, no sentido de se apurar e resolver o litígio entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto.

É por isto que as acusações, mesmo sobre supostas com insinuações de favoritismo na programação de jogos, a favor de uma e outra equipa - conforme agora acusaram os presidentes do Kubuscorp do Palanca, Bento Kangamba, e do 1º de Agosto, Raúl Hendrick - continuarão a surgir à baila.

Será mesmo verdade que a FAF, só porque Beto Bianchi está á frente dos Palancas, favorece a equipa deste treinador? Eu pelo menos - repito mais uma vez - já não entro nesta jogada de supostas facilidades, a ponto de motivar insultos não consentidos. Nem alinho nesta conversa de denúncias de árbitros. Os clubes só \"falam\", a federação só \"fala\", mas de punição...nem oito, nem oitenta!

Em 2014 ainda tive uma réstia de esperança de que os árbitros passariam a sentir a mão pesada da federação quando denunciados pelos clubes. Isto foi quando Conselho Central de Árbitros da Federação Angolana de Futebol (CCAFAF), decidiu suspender por tempo indeterminado o árbitro Francisco Mazale mais os seus assistentes Miguel Luvumbu e Pedro Futa até que estivessem apuradas as razões da duvidosa actuação que tiveram no jogo onde o Petro de Luanda perdeu para o Benfica de Luanda. Lembram-se? Deu em quê?

Quem disse, portanto, noutro dia, que o nosso é de mentira, tem razão. Quem falou que o nosso futebol às vezes parece um prédio de sete andares sem corrimão, igualmente acertou na mosca.
Da vez em que mal saímos do majestoso Hotel Epic Sana na baixa de Luanda, onde fomos todos \"ávidos\" a ouvir do nosso compatriota Horácio Mosquito - o jovem empresário e dono do Recreativo da Caála - a dizer de boca cheia que afinal há mesmo, sim senhor, corrupção do nosso futebol, porque ele até já foi actor e vítima desse jogo sujo e que, chegava hora de se ter coragem de denunciar publicamente...logo de imediato caiu como bomba a notícia de que o então presidente da Federação Internacional de Futebol

Associado (FIFA), Joseph Blatter, apresentou humildemente a sua demissão devido ao escândalo e à longa fila de detenções de altos dirigentes, colabores seus nessa instituição que é a FIFA...por corrupção. Será que Zeca Amaral falou mesmo por só falar? E pergunto ainda: será que entre nós, com o oceano de denúncias, com o monte de acusações de \"jogos de palavras\" alguma houve investigação séria? Não, nunca houve.
António Felix

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