Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Petro folgado contra o S. Malien

24 de Janeiro, 2019
Actualmente em Angola e um pouco por todo o Mundo, investir no futebol é uma questão de alto risco, ou seja de queimar dinheiro, porque sabemos que na maior parte dos casos, tais investimentos não têm retorno.
Por exemplo, um clube de baixo nível competitivo necessita de pelo menos o equivalente a 5 milhões de dólares, para custear as despesas com salários, transporte, alimentação, prémio de jogos e de outras despesas durante a época inteira.
Entretanto, na maior parte dos casos, as assistências aos jogos são muito reduzidas, há casos em que uma equipa que joga na condição de visitada num Estádio, como o dos Coqueiros, arrasta 30 a 50 pessoas, a maior parte delas nem paga um centavo sequer para assistir o jogo. Mesmo equipas como o 1º de Agosto ou o Petro de Luanda, também têm grandes dificuldades de arrastar grandes multidões para os jogos em casa. Até nos chamados dérbis dos dérbis entre ambos os emblemas, hoje dificilmente arrastam mais de 25 ou 30 mil pessoas para o Estádio, como acontecia nas décadas de 80 e início do anos 90.
Portanto, é ponto assente que investir no futebol em Angola, é um assunto para homens de barba rija, para empresas estatais ou estrangeiras que operam em Angola, como as do ramo petrolífero e isso, não é novidade para ninguém.
No entanto, mesmo a saber disso, existem pessoas aventureiras e irresponsáveis que insistem em pôr equipas na I Divisão, para depois de meia dúzia de jornadas andarem aos gritos por socorro, por dificuldades financeiras.
Tais aventureiros e brincalhões ainda dão-se ao luxo de ameaçar desistir, caso ninguém os ajude. Esses homens, ou seja, esses brincalhões, devem ser exemplarmente responsabilizados, por que além de estarem a abusar da confiança que lhes foi depositada pelos atletas que acreditaram no seu projecto, também abusam do público que ama o futebol. Além disso, eles esquecem-se que atrás de um jogador existem outras tantas pessoas, como esposas, filhos e outros parentes, que fazem parte do seu agregado familiar que e dependem do salário desse e que sofre imenso quando o homem vê-se privado do mesmo, durante meses a fio.
Temos vários casos de equipas que devem aos jogadores salários de vários meses, ou mesmo anos e não se preocupam em pagar e descaradamente dizem não terem condições de pagar e ponto final.
O mais triste, é que ninguém faz absolutamente nada, porque na maior parte dos casos, o advogado contrato pelo ofendido acaba por ser “amigo” do prevaricador.
Por outro lado, quando uma equipa deixa de realizar uma partida e perde por falta de comparência, na realidade está a contribuir para falsear a verdade desportiva, pois, uma coisa é ganhar os três pontos em jogo e outra bem diferente, é receber de graça sem esforço algum, embora, à priori, a equipa favorecida não tenha nada a ver com isso.
Por isso, é imperioso que se criem leis ou mecanismos que impeçam esse tipo de atitudes, que até certo ponto acabam por ser uma vergonha para o nosso futebol. Não podemos aceitar como dirigentes, indivíduos altamente irresponsáveis, abusivos e aventureiros. Quando se permite que este tipo de pessoas existam e façam das suas, sem que absolutamente nada aconteça, então, estamos a pactuar com o seu comportamento e suas consequências.
Não nos esqueçamos, que muitas pessoas sofrem por causa das suas atitude. As consequências deste tipo de comportamento são várias. Por falta de salários, muitos lares podem ser desfeitos, famílias ficam privadas de alimentação, gera a prostituição, filhos sem direito a escola e assim por diante. Conhecemos vários caos de jogadores que perderam o lar e a família, por causa desse tipo de situações. Outros, tiveram de enveredar por profissões que nada tinha a ver com eles, roboteiros, guarda - nocturnos, escamadores de peixe, vendedores e consumidores de droga, e outros, simplesmente não aguentaram o embate e acabaram por morrer. Não nos interessa mencionar nomes. Tudo isto, porque acreditaram num dirigente delinquente.
Portanto, ninguém pode dizer que não sabe como gerir uma equipa de futebol da 1ª Divisão. Os números estão à vista de todos. Qualquer pessoa que preze, pode muito saber quanto tem a gastar com salários, transporte, alimentação, e outras despesas para aguentar uma época desportiva sem sobressaltos. Implica dizer, que os malandros não caiem na situação, entram nela por que o seu grande objectivo com tal aventura, é encontrar potenciais vítimas, na maior parte dos casos, Governos Provinciais, que acabam por dar a mão caridosa e em nome do desporto, apoiam o seu projecto. Quando o golpe pega, o malandro sai a rir…
Por isso, as pessoas devem agir prontamente, para acabar com isso, nem que tenhamos de ter um campeonato com poucas equipas. O mais importante, é que seja um campeonato sério e com verdade desportiva, pois, está mais do que visto, ninguém cai na situação de dificuldade financeira da noite para o dia. Sim, é hora de acabar com os que brincam aos futebóis, levá-los à responsabilidade criminal para a punição exemplar. Um campeonato nacional é algo sério e deve ser respeitados por todos e não se deve permitir, na direcção de clubes, pessoas irresponsáveis e aventureiras.
AUGUSTO FERNANDES

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