Jornal dos Desportos

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Opinio

Petrolferos querem conquistar frica

12 de Janeiro, 2019
O refrão da canção de Dionísio Rocha que alude: “Ninguém segura o Petro. Petro Atlético de Luanda, no Girabola é quem comanda e lá fora vamos fazer um figurão!” pode ter sido uma profecia que agora voltará a se tornar realidade, depois de nos anos oitenta ter de facto feito furor, nas competições africanas.
Hoje, a realidade é diferente. O Petro de Luanda perdeu algum fulgor e predispõem-se a relançar a reconquista da África do futebol e dar imensas alegrias aos seus associados, adeptos, simpatizantes e sobretudo aos angolanos amantes do futebol.
A mudança de paradigmas, particularmente no que as variações orçamentais dizem respeito, podem ser umas das razões. Depois de nos dois últimos anos ter permitido que fosse eliminado logo na primeira esquina, nesta edição da Taça da Confederação, também conhecida por Taça Mandela, os rapazes do Catetão apostam forte e, agora estão já na última eliminatória para acesso à fase de grupo da mesma competição.
O adversário, Stade Malien, não se afigura fácil, mas a determinação e espírito abnegado dos petrolíferos servirá para que, também este, fique pelo caminho e se abram as alas para que o nosso representante consiga, aos poucos, devolver as alegrias aos amantes do nosso futebol que se viram privados desta, depois de na última edição da Liga dos Campeões Africanos, o nosso 1º de Agosto ter sido eliminado como foi.
A custa da injustiça de um árbitro que não olhou a meios para inclinar o campo com as próprias mãos, no jogo da segunda mão das meias-finais diante do esperance de Túnis, depois de já ter deixado pelo caminho o “todo-poderoso” Mazembe.
Embora seja esta história pertencente à outro rosário, traz-nos sempre algum conforto tê-la como referência e citá-la sempre que for possível, como agora.
É um exemplo claro da nossa capacidade e resiliência de saber sofrer e superar os obstáculos. São esses bons exemplos a que o Petro de Luanda se tem que agarrar para honrar e demonstrar à África que nós podemos e temos capacidade de puder ir longe conforme os outros têm ido.
Claro que devemos reconhecer algumas limitações, quer de organização, quer competitivas. O Petro de Luanda tem um plantel razoável e, na prova interna tem conseguido o seu pecúlio para atingir os seus objectivos.
Tudo faz para nesta época arrebatar o título que já foge das suas hostes há bons pares de anos. Por conseguinte, traçou uma estratégia para puder vencer a prova.
Para esta empreitada, infelizmente contará com algumas baixas que podem retirar algum fulgor e acutilância à equipa. Principalmente a de Tiago Azulão, que tem sido somente o abono de família. Azulão ressentiu de uma lesão muscular e pode não jogar diante do Stade Malien. Embora, como se diz, só fazem falta os presentes, temos que admitir que o Tiagão faz parte de todo processo ofensivo do Petro de Luanda e, não jogando, é um duro golpe para a equipa que se vê diminuída na sua capacidade ofensiva.
Por outro lado, deixa-me referir que a vitória alcançada diante do Interclube, na jornada passada (sem Tiago Azulão) acabou por ser um bom ensaio, em face do jogo diante dos malianos, mais experimentados nestas andanças das Afrotaças. O Petro “carburou” e demonstrou que, jogo após jogo, ganha forma na competição e pode ter uma representatividade acima da média nas competições continentais. Essa pretensão, deve ser, única e simplesmente concretizada com vitória em Bamako e em Luanda, qualificando-se para a fase de grupos desta competição e lá, logo se vê. Beto Bianchi, muito gostaria que isso fosse realidade agora, mas sabe que para isso é necessário trabalho, concentração e sobretudo fé no trabalho que desenvolve, contando todavia com a sorte que, como se sabe, só acompanha os audazes.
As recordações dos anos 80 e 90, deverão ser motivo de incentivo para os actuais integrantes do Petro de Luanda. Nomes como Panzo, Lúcio, Tó-Zé, Nejó, Franco, Bodú, Laica, Santo António, Quim Sebas, Nsumbo, Moreno, Lufemba, Afonso, Pepé, Paulão, Lito, Haia, Jesus, Abel, Amaral Aleixo, Luisinho, Flávio, Gilberto, enfim e tantos outros, devem servir sempre de factor de inspiração para essa nova naipe de jogadores que o Petro tem. Gerson, Wilson, Diógenes, Além, Tó Carneiro, Herenilson, Danilson, Benvindo, Job, Manguxi, Carlinhos, Tony, Azulão e outros devem saber suar essa camisola de três cores e perceber o seu peso.
A mística deve ser perpectuada para que a “espiritualidade” petrolífera se mantenha intacta. Sendo o único representante angolano nas Afrotaças, todos nós vestimos a camisola do Petro e gritamos: Ninguém segura o Petro e lá fora faremos sempre, um figurão. Bem-Haja!
Morais Canãmua

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