Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Podemos sofrer em silncio!

09 de Setembro, 2016
A crise económica ou dos dólares como alguns preferem designar está afectar, gravemente, a imagem do país, no capítulo desportivo.

Depois do andebol ter passado vergonha nos Jogos Olímpicos do Rio2016, agora é a ginástica que foi humilhada, se melhor adjectivo não couber. Os relatos do presidente da Federação Angolana de Ginástica deixam ou deviam deixar qualquer angolano de facto triste.

Diz o presidente que as medalhas conquistadas pelas atletas angolanas no Campeonato Africano disputado na Namíbia ficaram retidas pela organização por conta de oito mil dólares de multa que a Federação devia pagar, e não o fez porque os dólares não foram disponibilizados a tempo. E corre a modalidade o risco de ser expulsa do cenário internacional se não fizer este depósito até hoje, dia 9 de Setembro.

Pior do que isso, diz o presidente da modalidade, foi o impedimento dos angolanos subirem no pódio para receberem as respectivas medalhas assim como o hino que não toucou nem a bandeira subiu, como é tradicional em cerimónias de premiação.

Não sei se existirá um adjectivo que possa caracterizar essa situação. Eu fico-me com a humilhação. E quem diria, a terceira maior economia da África Subsariana, depois da África do Sul e a Nigéria.

Alguém tem de colocar um fim nesta vergonha toda. Há crise sim, é um facto, pelo menos sentimos a tal dita na pele, porém, é necessário proteger a imagem do país n o exterior, em ocasiões como estas quando uma modalidade ou selecção vai representar o país.

Não foi bonito o que aconteceu nos Jogos Olímpicos, e é vergonhoso a selecção de ginástica viveu na Namíbia. Considero que terá de haver uma firme de decisão não apenas do Ministério dos Desportos mas também de outros ministérios capaz de influenciar positiva ou negativamente este problema.
É necessário que se decide se continuamos a estar presente nas competições internacionais ou então ficamos de braços cruzados. Aliás, a rezar que a crise dos dólares passe o quanto antes. Assim, poupa-se de vergonha ou humilhações dessa dimensão que os atletas, os responsáveis e o país no seu todo viveram.

Podemos optar em sofrer em silêncio, ao invés de expormos as nossas dificuldades em todas as dimensões. É melhor ficarmos em casa, do que “autorizar” que as selecções passem vergonha no estrangeiro. Ou então o Banco Nacional de Angola terá de vender directamente às federações divisas sempre que estas tiverem compromissos além fronteiras, contanto que não se aproveite a situação para se canalizar esses dólares para o mercador informal. Nós somos avisados em descobrir brechas. E qualquer oportunidade é para “facturar”.

Alguém tem de proteger a imagem do país. O desporto é uma faca de dois gumes nesta perspectiva. Tanto pode elevar a imagem do país, como expô-la negativamente, involuntariamente. Ou seja, a partir de qualquer conquista a media tem tendência de vasculhar o país vencedor. Desse exercício pode a imagem do país sair ofuscada, como aconteceu no Brasil, ainda que muitos digam que “não nos gostam”.
Teixeira Cândido

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