Jornal dos Desportos

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Opinio

Por aqui passou Angola

21 de Janeiro, 2019
Os mais novos desconhecem, mas os que têm certa idade recordam-se da mania do \"por aqui passou\", vivida no princípio da década de 90, se não estou em erro.
A mórbida tendência animal de marcar territórios. Felizmente, não usamos o sistema olfactivo para a comunicação, embora, nos sirvamos dele para alguma orientação. Senão , seria xixi por todo o lado. Assim, os fulanos marcavam, com caroços de abacate, giz, carvão e até riscos na pintura, os lugares por onde passavam.
Na verdade, ainda vemos paredes pichadas, mas a mensagem está diversificada. O \"por aqui passou\" metamorfizou-se.
Acabamos de acompanhar a participação da Selecção Nacional de andebol sénior masculina, no Campeonato Mundial e para muitos, os resultados estão a nível de um \"por aqui passou\". Alguém, por mera ignorância, ou por outros factores, em função da prestação, poderá criticar a participação na prova.
\"Para ir fazer figura, melhor seria não ir\", diriam alguns.
Sim, Angola fez figura, esteve no mundial, quantos gostavam. Quantos com melhores condições, melhores campeonatos, mais jogos, quantos?
Infelizmente, não somos país em que os resultados servem para estudos académicos. Fomos últimos, em 2017 e sem termos feito nada mais, voltamos para tentar melhorar. E, por acaso vencemos dois jogos que deram comentários coloridos, espaço mediático em quase todo o mundo. Algum camarão dormiu e a onda levou!
No próximo ano tem campeonato africano e podemos novamente lograr a qualificação para o mundial, e o ciclo repete-se. Vamos a eles na verdade, para conhecermo-nos, quando não seja simplesmente para assinarmos, não com carvão, mas com exibições negras, um \"por aqui passou Angola\". Nada com os rapazes. Antes pelo contrário, como \"carne de canhão\", deram o melhor de si. Mas o melhor deles serviu apenas para passar pelo mundial.
Há que mudar. Não parar. Este grupo, esta especialidade precisa de estímulos. Talvez sirva estar presença no mundial para em jeito de manifestação dizer a quem pode que o andebol masculino precisa ser olhado com outros olhos. Que o país pode fazer dele um quadro para a nova imagem que ser quer mostrar ao mundo. Não lhe falta potencial. Por aqui passou Angola...
Silva Cacuti, Em Copenhaga

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