Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Por que no perdoar o rbitro Janny Sikazwe?!

25 de Outubro, 2018
Quando terminou o jogo no Estádio Olímpico de Radès, prometi-me nunca mais ver futebol. Escrevi, mais ou menos assim, “futebol para mim acabou”. Digo mais ou menos, porque depois dormi e quando acordei, no dia seguinte, não havia nenhum “Gosto”.
Claro, mais frio, notei algum exagero da minha parte. Apaguei imediatamente. Disse para mim mesmo, ainda bem ninguém viu o post.
Felizmente, já lá não está. E não resultaria também. Tenho compromisso com o nosso Jornal dos Desportos e gosto das discussões desportivas. Compromete menos. A política, muito mais. Falamos da política pensando sempre nas consequências.
Acompanhei o programa “Entrevista a Dois” da Lac, entre o Professor Laurindo Vieira e o jornalista Arlindo Isabel. Entre muitas coisas de interesse geral, falaram da dimensão do cinismo. Não apenas num contexto local, mas global também.
Despertou-me a curiosidade. Lembrei-me do cinismo existente, vezes sem contas, na relação entre as nações.
Do comportamento de muitas igrejas, guardiãs da moralidade e da boa prática, mas depois acabam por ir comer com o Estado, com os políticos. Dos políticos que um dia acenderam a luz da “clarividência” e depois a apagaram por outras razões e contextos. Enfim.
Resumindo, a hipocrisia acabou por ser uma “educação” mas, sem dúvida, um grande mal. Tende a confundir com a prudência. Dizer o que é quando não o é. A verdade é a de não ser confundido. Do tipo, “este gajo não é dos nossos”. Quer dizer, a frontalidade e honestidade têm preço.
Eu quero apenas ser frontal e honesto. Muito quis a passagem militar à final da 22ª edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos de Futebol, mas depois de ouvir as declarações à “5” do general Furtado sobre o comportamento hostil dos tunisinos e ouvir Yuri da Cunha, esteve no Estádio, cheguei a conclusão também ter sido melhor assim. Perder.
Hoje, se calhar, estou em melhores condições de, como angolano, perdoar o árbitro zambiano Janny Sikazwe e não crucificá-lo. A intenção foi claramente de prejudicar. De levar os tunisinos à vitória porque, pela zaragata, concluiu-se serem os tunisinos maus perdedores.
E paga caro quem se ousar. Na minha opinião, a ousadia militar poderia terminar em fatalidade. Estaríamos em luto nesta altura. Porque, perdoem-me, nada me arrasta a pensar diferente.
Aliás, escreveu assim o nosso enviado Honorato Silva: “A própria Polícia destacada no Estádio foi hostil para com o representante angolano. Ao ponto de indivíduos fardados terem sido vistos a arremessar garrafas de águas aos dirigentes” da equipa militar.
Nós vimos tudo. Hoje as novas tecnologias de informação permitem tudo e mais alguma coisa. Só não vê quem não quer, ou não querer perceber. Tudo foi claro. O apelo vai no sentido de termos mais cuidados com as nossas delegações desportivas.
São jovens e devem ser protegidos. Nas saídas ao exterior para as competições, porque se viu já com a nossa selecção na Mauritânia, é preciso verificar se a questão segurança está verdadeiramente assegurada. A repetição é propositada.
Desta vez, protegeu-nos ao pior Janny Sikazwe, mas nem sempre ele estará disponível para nós. Ontem foi o dia de aniversário da Independência da Zâmbia, um dia depois do jogo, em que apitou um árbitro zambiano, e Angola, por via do seu Presidente da República, já endereçou felicitações. Afinal, são duas nações amigas e bem relacionadas. Julgo!
Agostinho Chitata


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